Editorial: Desobedecer é preciso

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A imprensa antiga, atrelada ao golpe por interesses corporativos, econômicos, políticos e ideológicos, publicou na semana que passou editoriais que clamam pela prisão do presidente Lula. Há dois anos, os mesmos veículos rasgavam a Constituição em um processo fajuto de impedimento da presidenta Dilma que nos levou para este lugar em que nos encontramos agora: “o planeta fome”, para lembrar a rainha Elza Soares.

Os golpistas não querem só usurpar direitos duramente conquistados, querem roubar a esperança dos pobres e dos negros de sonhar com um Brasil mais justo para seus filhos e netos. A questão que se impõe hoje não é a defesa do Lula, muito menos do legado petista.

Os Jornalistas Livres, como vocês notam na nossa convivência virtual diária, aglutina muitas vozes, muitas cores. Mas todas elas refletem um pilar que por nós vem sendo levantado aguerridamente: a defesa dos direitos humanos. O artigo 9º da Declaração proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, de dezembro de 1948, diz: Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Se aceitarmos que Lula, Rafael Braga ou qualquer outra pessoa seja presa sem provas, pela decisão de uma dúzia de juízes e pela pressão da mídia velhaca, estará aberto o caminho para prisão de todos os que resistem contra o golpe ou que se insurgirem contra a desigualdade social que oprime socialmente, economicamente e até moralmente a maioria da população brasileira. Sabemos que as cadeias do país estão cheias de presos inocentes, que sofrem com a ausência de qualquer direito à dignidade humana, entre eles o fundamental que é o de não ser torturado. Mas a nossa defesa do direito de Lula ser livre e candidato novamente à presidência da república não acontece “apesar” deles. Ao contrário, nossa defesa dos direitos do ex-presidente se faz no sentido de garantir que continuemos livres para lutar pela transformação desse estado de coisas. Diante de setores do Judiciário que se recusam a ouvir o apelo por Justiça e para que seja revista a condenação de Lula, só nos resta o caminho da desobediência civil pacífica.

Os Jornalistas Livres depois de muito andar e dialogar pelo Brasil decidiu não se calar frente à injustiça e conclama todos os democratas, defensores dos direitos fundamentais que garantem universalmente a dignidade humana, a se unirem e a acompanharem Lula na intenção de criar uma barreira de corpos que impeça sua prisão. É tempo de dizer em alto e bom som que não aceitamos uma justiça seletiva que protege ricos e aliados, além de seus próprios brincos (lembremos da greve do Judiciário pelo direito ao auxílio moradia de juízes).

Mas é tempo também de desmascarar este Estado de exceção que sobrevive hoje no Brasil atrás de um simulacro de democracia. A morte trágica da vereadora Marielle só vem a confirmar que o golpe de 2016 foi contra toda a esquerda, como se vê nos casos seguidos de mortes de defensores dos direitos humanos. A intervenção militar no Rio de Janeiro, tão combatida por Marielle, é mais uma tragédia vivida diariamente pelos pobres e negros cariocas e se constitui numa mácula a democracia brasileira.

A coragem é o nosso grande legado para as novas gerações e para defendê-lo, só resta praticar a desobediência civil contra a injustiça que vivemos. Fechamos nosso recado com uma imagem simples: em 1955, ao se recusar a se levantar de um banco de ônibus, a trabalhadora negra Rosa Parks estabeleceu um marco no movimento antirracista nos Estados Unidos capaz denunciar para o mundo todo a verdadeira ilusão de igualdade que Hollywood vendia pelas telas do cinema.

No Brasil dos nossos dias, é a fábrica de mentiras da Globo e seus sócios menores que precisamos denunciar com nossa rebeldia e desobediência. Toda a solidariedade a Lula e aos milhões de injustiçados pela Casa Grande mesquinha e cruel!

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