É VERMELHO O CHÃO DO PLANALTO.

Um dia foi virgem o chão dessa terra. Seu adubo foi sangue, foi doença, foi servidão. De sua graça fez-se prisão, expropriação. Triste olhar-se no espelho e não ver um dia de paz em nossas rugas. Tudo é dominação em nossa face de nação.

Onde não havia via hoje são  avenidas, traçados, estradas, eixos, perimetral. Há pernas nuas nas ruas da capital. Passos ritmados, plumas na cabeça, braços entrelaçados. O que quer essa gente com paus nas mãos e saias secas de capim? Direito à vida, diz a faixa que carregam entre chocalhos nos dedos.

 

Genocídio é palavra seca e estéril, a aliança para dominar a terra e exterminar seus herdeiros. Aqueles que conseguiram escapar hoje marcham, reivindicam, pintam o chão escrevendo os direitos negados.

 

Se acaso deitam-se na poeira do caminho esses homens e sobre a bandeira do Brasil colam seus corpos simbolizando tantas mortes plantadas nesse solo, maior mostra-se o direito à vida e à demarcação das terras indígenas. Se acaso o português aqui chegou para enganar com espelhos, hoje, no asfalto preto que conduz ao Planalto, interpõe-se o urucum, a pluma. Nossa terra não era nossa e não contava o colonizador que essa gente era forte, tenaz. 

 

 Quinhentos anos não saciam a resistência, nem tampouco cede o índio seus direitos ao medo, ao ódio, aos golpes, aos governos. 

*Imagens por Christian Braga© – acervo Jornalistas Livres.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

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