Doria corta serviço de atendimento aos moradores de rua

Trabalhadores do atendimento social fazem protesto contra demissões em São Paulo. Corte afetará principalmente atendimento às crianças e adolescentes

Trabalhadores do atendimento social fazem protesto contra demissões em São Paulo. 29.jun.2017 fotos Trabalhadores em Luta

Com o prefeito Doriana é assim: na propaganda, entrega de cobertores para pessoas em situação de rua. Na vida real, demissão de cerca de 400 trabalhadores terceirizados que fazem abordagem a esta população na cidade de São Paulo.

As demissões serão possíveis porque a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) resolveu cortar o turno da manhã do Serviço Especializado de Abordagem – SEAS. Para a Maria Gusmão, diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança, ao Adolescente e a Família do Estado de São Paulo – SITRAEMFA, a decisão afeta diretamente o serviço, pois é no período da manhã que a abordagem é mais eficaz já que muitos fazem uso de bebidas alcoólicas e drogas durante o dia e a noite, o que prejudica o vinculo com os profissionais.

“O problema é que um prefeito que tem pouco mais de 100 dias de governo e um secretário que está ocupando o cargo há alguns meses acham que entendem de uma situação tão complexa como a que vivemos em São Paulo. Tomam decisões sem ouvir os trabalhadores que lidam todo dia com o problema”, explicou Maria Gusmão.

Segundo a dirigente, nem mesmo o Conselho Municipal de Assistência Social de São Paulo – Comas-SP foi ouvido.

Visão limitada da Assistência Social

O que está por trás do corte do serviço de abordagem durante o dia é uma visão limitada e assistencialista da Assistência Social da pasta comandada pelo secretário da Secretaria Municipal de Assistência Social, o empresário Filipe Sabará.

Para a orientadora sócio-educativa do SEAS da Zona Norte, Brenda Lima, ao limitar as abordagens no período da tarde e noite, o secretário limita o serviço ao encaminhamento para os albergues, “mas o nosso trabalho é muito mais do que isso, tem as orientações para retirada de documentos, acompanhamento dos tratamentos médicos, do vínculo com a família, e tudo isso é feito durante o dia, não à noite”, explica.

Outra perversidade da medida é que os mais prejudicados com as demissões serão as crianças e os adolescentes. Segundo a orientadora Rosa Silva, do SEAS – Oeste, que trabalha diretamente com esta faixa etária, este é grupo mais sensível para a criação de vínculos, e a queda repentina desta relação pode afetar as relações de cofiança que vêem sendo estabelecidas a longo prazo.

> Na próxima segunda-feira, 31/07, às13h, haverá novo protesto dos trabalhadores, desta vez na porta do COMAS/ SP que fica na Praça Antônio Prado, 33, em São Paulo.

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