Circuito afetivo da violência

“A esquerda erra. Erra porque esquece que a vítima da violência nas periferias é o jovem pobre. A vítima do crime organizado é o jovem pobre. Policial que morre é o jovem pobre também. Nós não podemos nos alienar disso. A gente se aliena, deixa de realizar políticas em favor dos cabos, dos soldados da Polícia Militar, e acaba deixando essa demanda na mão dessa gente, que são esses populistas da polícia que acabam por compor a chamada bancada da bala. Nós temos que produzir políticas para os soldados e cabos da PM, proteger esses policiais que são postos para morrer, mas postos para morrer por esse tipo de política que o Moro tá produzindo. 

Eles estão mandando esses meninos para a morte, nós precisamos denunciar isso para a sociedade. São mal remunerados, pessimamente, vivem em condições de pobreza, e vão servir de corpos para o Estado, para serem mortos banalmente. Uma guerra sem sentido, uma guerra que só serve a esses comandantes do poder para que eles lá permaneçam. 

Desde de Hobbes o mundo sabe disso, há séculos, que esse tipo de Estado autoritário se alimenta do medo e da violência. Ele precisa da violência para poder existir, só que estão mandando meninos para a morte, que são esses soldados da PM. É gente que, apesar de viver em extrema pobreza, seguir um caminho na vida de aderir às instituições, de não ir para a marginalidade, de não ir para um caminho mais perverso; é gente que precisa ser protegida pelo Estado, são profissionais do Estado, precisam ser cuidadas pelo Estado, e não postos para morrer por esse tipo de política. 

Precisam estar protegidos em políticas racionais. Nós precisamos combater a violência em suas causas; as desigualdade sociais, o principal fator geracional do problema, e precisamos combater essa política de encarceramento que já foi rejeitada no primeiro mundo. 

Estamos comprando algo obsoleto, uma política praticada nos Estados Unidos na década de 80 e 90, que eles estão abandonando.” 

 

Assista a entrevista completa com o professor de Direito Constitucional da PUC-SP, Pedro Serrano, sobre o projeto de Lei Anti-Crime de Moro, exclusiva para o Jornalistas Livres. 

 

Entrevista concedida a Lucas Martins, Jornalista Livre.

Ilustração de capa, desenhos compostos na obra de Caribé.

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