Belém pode ser o que quiser

Por Kauê Scarim, especial para os Jornalistas Livres

Uma verdadeira guerra é travada neste momento no norte do país. Desprivilegiada na cobertura da grande mídia, a cidade de Belém vive sob polarização política entre uma esquerda renovada e uma direita reacionária que mistura o tucanato neoliberal ao coronelismo eleitoral dos rincões e periferias.

O segundo turno é disputado entre o atual prefeito, Zenaldo Coutinho (PSDB), e Edmilson Rodrigues (PSOL), deputado federal e ex-prefeito da cidade, à época pelo PT, entre 1997 e 2004. No primeiro turno, Edmilson conseguiu superar diversos adversários de peso com apenas 42 segundos de tempo de TV e duas inserções diárias, mas muita mobilização popular e enraizamento político.

A última pesquisa séria divulgada, do Ibope, coloca Edmilson com 52% dos votos válidos contra 48% de Zenaldo neste segundo turno. Um retrato concreto da disputa entre a mobilização de rua e o poder econômico na capital paraense – que deve ser decidida voto a voto.

Foto: Marcelo Seabra

Na última semana da eleição, o afunilamento é marcado por crescentes denúncias de compra de voto por parte do candidato tucano e um cerco midiático forte em apoio ao atual prefeito. Por outro lado, as seguidas vitórias de Edmilson nos debates televisivos e o crescente apoio popular à candidatura colocam Belém, junto principalmente ao Rio de Janeiro, com Marcelo Freixo, no centro da esperança de todo o campo progressista do país – que sofreu dura derrota com o golpe de Michel Temer e com o resultado eleitoral, marcado pelo crescimento de forças retrógradas em todo o país.

As atividades de Edmilson reúnem milhares de pessoas nas ruas, em especial na periferia da cidade. No último dia 16, uma carreata da campanha colocou cerca de 1500 carros nas ruas – ao som do tecnobrega paraense que embala os jingles da campanha. A alegria e o carinho são as principais marcas das ruas.

Um caso explicita um quê de surreal que tem a disputa de Belém. Zenaldo Coutinho teve sua candidatura cassada pela Justiça Eleitoral no último dia 19, por uso da máquina pública para promoção pessoal. São mais de 40 vídeos, feitos com dinheiro público e publicados nas redes sociais e site oficial da prefeitura, que visam unicamente divulgar o nome e a imagem do prefeito tucano. Na sentença, o juiz entendeu que “não se trata apenas de disponiblizar propaganda institucional em período vedado, mas também promover o réu Zenaldo Coutinho em afronta ao princípio administrativo da impessoalidade e um abuso de autoridade na legislação eleitoral”. Para ele, houve “abuso de poder político e desvirtuamento dos recursos materiais, humanos, financeiros e de comunicação da administração púbica”.

Ou seja: mesmo que vença, o tucano pode não ter seus votos computados. É esse tipo de política que o campo progressista enfrenta na eleição em Belém.

Do outro lado está um arquiteto, urbanista e professor universitário, ex-prefeito por oito anos que recebeu diversos prêmios por sua administração, uma experiência democrática e popular de participação radical da sociedade, que colocou a cidade nas mãos do povo. Edmilson é grande apoiador da cultura paraense e marcadamente um defensor do meio ambiente contra o que chama de “dinâmica perversa do capital” – aquela que amplia a desigualdade social às custas do lucro de poucos.

Seu programa foi construído em dezenas de reuniões setoriais pela cidade com o movimento FalaBelém, resultando em uma plataforma completa de Mudança, Inovação e Participação Popular: https://issuu.com/edmilsonpsol/docs/plataforma_p__s_vers__o_final_tre

Nessas eleições, a esperança – ou ao menos uma parte importante dela -, vem do norte.

 

 

 

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