• DA MORADA QUE NEGAM

    Era uma rua longa e um comprido muro, sem fim de se ver no deserto em dilúculo. O que trazia aquelas pessoas ali altas horas, perto da madrugada? A morada. Da morada se diz que é reunião das coisas da vida, em uma única palavra, do que se tem...
  • O AGRO, AS TERRAS INDÍGENAS E O CARNAVAL

    O carnavalesco Cahê Rodrigues, ontem em seu perfil no Facebook, publicou o seguinte texto: SALVE O VERDE DO XINGU, A ESPERANÇA… Quando a Imperatriz Leopoldinense decidiu levar para a Avenida o enredo Xingu, o clamor que vem da floresta, assumiu o desafio de apresentar muito mais que um desfile...
  • A FALSA NOTÍCIA

    O poeta Manoel, andando no meio do mato, teve seu delírio. Alguns dizem que foi picada de cobra sem veneno, outros dizem que é mal de mente, ideias reversas, doença arraigada nos pensamentos, males sem cura. O fato é que o homem pichou o muro da cadeia, em surto,...
  • A TERRA DESERTA DE DEUS ENTRE TRATORES E PRESÍDIOS

    Em 2004, a soja e seu negócio carecia urgente de energia e os campos do senhor pediam luz, trabalho, segurança e fé. Blairo Maggi, grande empresário (co-presidente do Grupo Amaggi, o maior produtor privado mundial de soja) e proprietário de latifúndios verdes e serenos como carpete, onde antes era...
  • É UM NAVIO HUMANO

    Reveillon na avenida expõe a alegria de viver de muitos. Até o fim. Tudo se mostra em credos, confianças e movimentos que celebram. O asfalto vira bar, a guia é passarela e o companheiro é um ilustre desconhecido. Seus gêneros são muitos. Caras, bocas, braços sem retoques querem apenas...
  • DAS PRIORIDADES E AS PALAVRAS ERRADAS

    Prioridade deveria ser palavra fixa, como vida, encerrando-se apenas na morte, cumprindo seu destino e meio, princípio e fim. Certa manhã, em 2008, me recordo que entristeci. Frei Betto, fiel companheiro dos excluídos, expunha em entrevista*, suas dores com a mudança de rumo na fome que se pretendia zero....
  • O LÁBARO DO AUTOENGANO

    Cresci ouvindo falar de índios. Recordo, criança, a primeira festa no jardim da pré-escola, todos pequenos amigos, fantasiados como em aldeia, dançando para os pais. Todos ficavam felizes e tiravam muitas fotos. Me recordo também que os jornais e revistas traziam imagens de novos povos descobertos no meio do...
  • NOSSAS PRESIDENTAS NUESTRAS

    São demais os perigos desta vida quando as mulheres não se deixam no céu como esquecidas, aprendi cedo na poesia do poetinha, e no meu país, agora, hoje, vejo o encontro de mulheres que foram presidentes. Lindas, fortes, senhoras. Mesmo sendo homem, não entendo muito o que nos desconcerta...
  • ÍNDIA MÃE

    O que vejo ao longe é um corpo, mas de repente, se achegando mais próximo, não, não é um corpo, mas mãe e neném entrelaçados. Mãe e filho, alimento e segurança. Desvelar a maternidade indígena é algo que alvoroça nossos hábitos. Ser mãe não é ser apenas genitora. A...