• ÍNDIO NA ESCOLA

    Quinze anos atrás, quando, nos horários de folga, a equipe que eu integrava ia descansar um pouco durante o intenso trabalho em área indígena, víamos muitos grupos de crianças andando pela aldeia ou nadando na beira do rio a qualquer momento do dia, um jovem amadurecimento nos aprendizados tradicionais. Hoje...
  • FRAGMENTO E SÍNTESE

    Ligar a tv logo cedo num pequeno quarto de hotel no interior do país é desentender-se dos fatos nos telejornais matutinos. Abre-se a janela e uma menina vai à escola à beira do rio, um menino faz gol de bicicleta entre guris e o homem ergue a parede de...
  • A CARNE FRACA DOS PEIXES

    Tempo difícil para os bichos no país em ponte para o futuro. Está um azougue a paisagem vindoura e em seu punhal perdem-se as árvores, os biomas se aniquilam para a morada dos animais, finda-se nosso romantismo no terceiro milênio. De repente chegou a pílula do desenvolvimento novamente para...
  • O CÉU NÃO BEIJA

    No céu os indígenas trazem suas tradições e constelações, como a onça e o veado, no firmamento desenhados, um a caçar o outro. Vejo no céu do Xingu muitas estrelas, pequenos pontos de luzes brilhantes como OVNIs cruzam sempre o espaço, em grande número fazem trânsito, mas prontamente um...
  • RORO WALU, O LUGAR DOS ANTEPASSADOS

    Tarde dessas nadava eu no porto Encantado, assim nomeado por Maria, a companheira de trabalho e fé em local diário, entre o vespertino e o noturno,  em apaziguamento banhávamo-nos. Equilibrar a temperatura do corpo nas águas frescas de ribeirão é conhecimento salutar, pois assim com os indígenas evidencia-se o...
  • O TAO DO XINGU E A INVASÃO DOS PORCOS

    Logo nas primeiras páginas de Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa nos fala da mandioca mansa que torna-se brava e mata, pois vai tomando as peçonhas, veneno da terra, indaga: “e o porco gordo, cada dia mais feliz bruto, capaz de, pudesse, roncar e engolir por sua suja comodidade o...
  • Ropni Metuktire

    Em 1985, certa tarde em Brasília, entre protesto de estudantes que queriam eleições, vi aquele homem alto, pintado de preto e com uma boca diferente, nos induziu à uma certa paz. Nunca esqueci daquele homem bravo como uma flor e imponente como uma onça, trazendo  paz em momento tenso,...
  • o rio que passa aqui e a fronteira da poesia

    Quando o chefe indígena dos Sioux pediu para enterrarem seu coração na curva do rio, ele não conhecia o Rio Xingu, nem imaginava que na volta grande das águas, seus parentes veriam uma imensa hidrelétrica mudar o ritmo das águas. Não há heróis em Belo Monte, assim como não...
  • NO MEIO DO CAMINHO TINHA UM ÍNDIO

    A possibilidade de uma vida econômica campeia o horizonte dos povos originários, uma vontade que paralisa tradições e desponta em desapontamento para muitos. O couro de onça feito em cinto torna-se rapidamente apenas uma lembrança, e as plumas estarão a temer nas aves que resistirem aos novos elementos de...