A morte do jornalista

que pena

Que pena, caiu o avião com o jornalista. Nem era avião, era helicóptero, nem meu amigo era, era jornalista.

Gostava dele, desde jovem o via, ouvia, nem sempre levava a sério assim tudo que dizia. Me lembro de suas afirmações tolas sobre os índios Kaiowá, que, no Mato Grosso do Sul, próximos às fronteiras da razão, divergem sobre o conceito e posse da terra, entre índios e os brancos da cidade.

Todo jornalista tem direito de ser tolo, mesmo querendo encontrar a lucidez, orientar, iluminar. Ser tolo é como fazer bolo: às vezes por descuido, pressa ou medidas erradas, a boa receita dá mau alimento. Ser gente é assim mesmo, mesmo sendo jornalista; nem sempre sabemos quem somos, mesmo dando a notícia.

Albert Camus, em A Peste, escreve que é no momento da desgraça que a gente se habitua à verdade, quer dizer, ao silêncio.  

No calor e no silêncio, e para o coração em pânico dos nossos concidadãos, tudo assumia, aliás, uma importância maior.

Lamento a morte de Eugênio, que agora descobri seu nome, e da morte pouco sei. Jornalismo é assim mesmo, tem dia de chuva, de vento, sol e lamento.

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