A injustiça contra mim é uma injustiça contra o povo brasileiro

Entrevista exclusiva do Granma com Luiz Inácio Lula da Silva, líder do Partido dos Trabalhadores do Brasil

Autor: Elson Concepción Pérez | [email protected]

Tradução: Cesar Locatelli, para os Jornalistas Livres 

14 de junho de 2018 21:06:28

Muitos líderes acabaram presos simplesmente por lutar pelo povo. Foto: Voz da América

O líder operário, o homem que em seu tempo como presidente do Brasil impulsionou leis e planos sociais que permitiram sair da pobreza cerca de 30 milhões de brasileiros, que é o favorito, em todas as pesquisas eleitorais, por uma grande maioria para ganhar a eleição presidencial de 2018, Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista ao Granma [órgão oficial do Partido Comunista de Cuba], respondeu a um questionário que lhe foi enviado pelas mãos amigas de um brasileiro.

A entrevista não poderia ser – por razões óbvias – tão ampla quanto este jornalista desejaria. No entanto, o fato de estar preso e de ter destinado parte de seu valioso tempo para responder às nossas perguntas, agrega valor não apenas aos leitores cubanos, mas também àqueles de todo o mundo.

– Como candidato à presidência do Brasil com o maior apoio popular e que todas as pesquisas indicam como favorito, como o senhor classifica esta perseguição e prisão a que foi submetido?

  • É um processo político, uma prisão política. O processo contra mim não conseguiu apontar um crime, nem há provas. Eles tiveram que desrespeitar a Constituição para me prender. O que está se tornando cada vez mais transparente para a sociedade brasileira e para o mundo é que eles me querem me tirar das eleições de 2018. O golpe ocorrido em 2016, com a retirada de um presidente eleito, indica que eles não admitem que o povo vote em quem quiser votar.

– A prisão foi, para muitos líderes presos pelo simples fato de lutar pelo povo, um lugar de reflexão e organização de ideias para continuar a luta. No seu caso, como você enfrenta esses primeiros dias, já que não consegue entrar em contato com as pessoas?

  • Estou lendo e pensando muito, é um momento de muita reflexão sobre o Brasil e principalmente no que tem acontecido nos últimos tempos. Estou em paz com a minha consciência e duvido que todos os que mentiram contra mim durmam com a tranquilidade com que durmo.

“Claro que eu gostaria de ter liberdade e estar fazendo o que fiz durante toda a minha vida: dialogar com as pessoas. Mas estou ciente de que a injustiça que está sendo cometida contra mim também é uma injustiça contra o povo brasileiro “.

– Qual é a importância de saber que em todos os estados brasileiros há milhares de compatriotas a favor de sua libertação?

  • A relação que construí ao longo de décadas com o povo brasileiro, com as entidades dos movimentos sociais, é uma relação de muita confiança e é algo que eu aprecio muito, porque na minha carreira política sempre insisti em não trair essa confiança E eu não trairia essa confiança por dinheiro nenhum, por um apartamento, por nada. Foi assim antes de ser presidente, durante a presidência e depois dela. Então, para mim, essa solidariedade é algo que me emociona e me anima muito a permanecer firme.

– Como definir o conceito de democracia imposto como padrão pela oligarquia para descartar os líderes de esquerda e para que não cheguem ao poder?

  • A América Latina viveu nas últimas décadas seu momento mais forte de democracia e conquistas sociais. Mas recentemente as elites da região estão impondo um modelo onde o jogo democrático só é válido quando eles ganham, o que, claro, não é democracia. Então é uma tentativa de democracia sem povo. Quando não sai do jeito que eles querem, eles mudam as regras do jogo para beneficiar a visão de uma pequena minoria. Isso é muito sério. E estamos vendo isso, não só na América Latina, mas em todo o mundo, um aumento da intolerância e perseguição política. Isso aconteceu no Brasil, na Argentina, no Equador e em outros países.

– Que mensagem o senhor envia para todos aqueles que, no Brasil e no mundo, são solidários ao senhor e exigem sua libertação imediata?

  • Eu agradeço muito toda a solidariedade. É necessário ser solidário com o povo brasileiro. O desemprego está a aumentar, mais de um milhão de famílias voltaram a cozinhar com lenha por causa do aumento do preço do gás de cozinha, milhões de pessoas que haviam deixado a miséria estão voltando a não ter o que comer, e até mesmo a classe média tem perdido emprego e renda.

“O Brasil vinha em uma trajetória de décadas de avanços democráticos, de participação política e, junto com isso, avanços sociais, que se aceleraram com os governos do PT, que venceram quatro eleições consecutivas. Eles não atacaram apenas o PT. Eles não me prenderam apenas para prejudicar Lula. Eles o fizeram contra um modelo de desenvolvimento nacional e de inclusão social. O golpe foi feito para eliminar os direitos dos trabalhadores e aposentados, conquistados nos últimos 60 anos. E as pessoas estão percebendo isso. E vamos precisar de muita organização para voltar a ter um governo popular, com soberania, inclusão social e desenvolvimento econômico no Brasil ”.

Lula nos pediu para agradecer duas mensagens especiais: “Aproveito para agradecer as mensagens de solidariedade dos companheiros Raúl Castro e Miguel Díaz-Canel, que me foram transmitidas por Frei Betto”, o mesmo amigo que nos enviou as respostas para esta entrevista.

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Um comentário
  • Inácio da Silva
    18 junho 2018 at 15:23
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    Quem quiser que acredite neste farsante…engana muita gente…desde os tempos do sindicato em SBC…mas o pior foi ter prometido correção e ética na política e ter entregado o país aos ladrões e ter permitido a roubalheira…para ele e para os petistas e amigos…se tem um responsável pela presença do Temer no governo é ele que escolheu essa coisa para vice da outra incompetente…

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