TRADIÇÃO PANKARARU É ALIMENTO PARA O CORPO E A ALMA

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Texto e fotos: Daniel Filho (*)

A Terra Indígena Pankararu, homologada em 1987, está localizada entre os atuais municípios de Petrolândia, Itaparica e Tacaratu, no sertão pernambucano, próximo ao rio São Francisco. Seu povo mantém viva suas tradições, fé e luta, mesmo num Brasil que governa contra nossos povos tradicionais.

Encerrou no último dia 15 de março, o ciclo de celebração e resistência do povo Pankararu conhecido como “Corrida do Umbu”. Consiste em celebrar a safra do fruto que chega, assim como representa tempo de purificação, renovação e inspiração para o ano que se inicia.

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Após as primeiras trovoadas de janeiro, iniciando as plantações do fruto após as primeiras chuvas, os “detentores de saber” vão escolher o dia para o flechamento do primeiro umbu que aparecer da safra. No final de semana logo após o dia esse flechamento iniciam-se as corridas, que são movimentadas em grandes terreiros durante quatro finais de semana. 

A ancestralidade, a reger a fé e força do povo, é personificada nos Praiás, indígenas cobertos com uniforme de fibra de caroá, que conduzem o Toré ao som dos toantes, maracás, manifestando a força encantada aos presentes. Segundo a cosmologia Pankararu os Encantados são entidades que estão presentes em toda a terra indígena enquanto elo entre aqueles que fazem parte do mundo humano com a entidade maior que não está presente nessa terra. 

As festas são organizadas por famílias zeladoras dos Praiás que organizam os espaços (Poró) onde são guardados e onde certas obrigações são realizadas de forma a manter a força encantada viva entre os membros da família. 

No cumprimento das obrigações estão presente as ervas, o fumo encantado (tabaco aromatizado de preparo exclusivo para as forças encantadas) e o vinho de ajucá (bebida preparada da jurema) como sinal de respeito ao sagrado a sustentar o mundo em que vivemos.

O ciclo fecha no quarto final de semana com a saída do “Mestre Guia” chefe de todos os encantados. O momento é esperado por centenas de pessoas que aguardam sua saída em vigília por toda madrugada em completo silêncio. Pirão e garapa são ofertados aos presentes para alimentar o corpo, as bênçãos do Mestre Guia alimentam o espírito.

Para além da tradição aconteceu, entre os dias 6 e 8 de Março, a primeira edição da mostra de música Pankararu reunindo centenas de indígenas e não-indígenas.

Aconteceu na aldeia Indígena Bem Querer, localizada a 7 km de distância da cidade de Jatobá, no Sertão pernambucano. Durante os três dias os participantes imergiram na cultura tradicional em rodas de conversa, trilhas e shows/espetáculos. O projeto estimulou o potencial econômico, criativo e afetivo da comunidade local, colaborando para a consolidação de um polo autônomo, independente e sustentável de produção cultural. Contou com a participação da Cia de Dança do Sesc Petrolina, e os artistas Juliano Holanda, Isabela Moraes, Camila Yasmine e Gean Ramos. 

O projeto, da “Aió Conexões” com apoio Cultural do Sesc, foi um sucesso contando, com centenas de participantes.

Tanto a tradicional Corrida quanto a Mostra soam uma resposta ao Brasil que extermina povos indígenas, saqueia suas riquezas e destrata tradições: “Resistiremos!”

Que a força encantada esteja conosco!

(*) Daniel Filho é professor da Rede Estadual de Pernambuco. 

Sobre a mostra de música:

https://www.instagram.com/tv/B9jNatSpBKn/?igshid=1bkz4ii4sfir2

História:
https://medium.com/@rathias/for%C3%A7a-encantada-dan%C3%A7a-festa-e-ritual-entre-os-pankararu-b621f03f1ac9

Sobre extermínio de povos indígenas:

https://cimi.org.br/2019/11/nota-do-cimi-sobre-o-exterminio-programado-dos-povos-isolados-ao-menos-21-terras-indigenas-estao-invadidas/

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