São Paulo e o restante do Brasil tiveram atos esvaziados por apoiadores de Bolsonaro

E amanhã? Qual será a nova cartada de um presidente desesperado e que perde forças a cada semana, em apenas cinco meses de governo?

Fotos de Cadu Bazilevski, Sato do Brasil, Paulo Pereira e Cassandra, dos Jornalistas Livres/SP

Em Curitiba, fotos de Eduardo Matysiak 

Vista aérea da Avenida Paulista, em São Paulo, num ângulo mais iluminado e aberto para que seja possível analisar o fiasco. Foto: Paulo Pereira

Recessão econômica, queda nas atividades industriais, desemprego habitando a vida de 13,4 milhões de pessoas, 24 milhões de brasileiros na informalidade, 4,8 milhões de trabalhadores que pararam de procurar emprego por tristeza e desgosto, 76% de aumento no número de feminicídios em todo país, isso só no primeiro trimestre deste ano, alta de 9,1% no preço dos alimentos nos últimos 12 meses, valor médio do combustível com aumento de 5,9% em 2019. Ufa! Nenhum índice positivo para a vida dos pobres brasileiros.

Mesmo assim, nenhum desses dados chegou perto de ser tema de denúncia nos atos de rua de setores ultraconservadores da extrema direita brasileira, neste domingo, 26 de maio, em nenhuma parte do país. Olavistas ou bolsonaristas não se animaram a tentar discorrer sobre esses assuntos.

As manifestações de hoje foram organizadas através da internet, após a demonstração de força do povo brasileiro, que no dia 15 de maio, ocupou as ruas com mais de 1 milhão de pessoas em todo o país, contra a Reforma da Previdência e o Projeto Anticrime.

O dia quinze, claramente, apavorou Bolsonaro, o ministro da educação, o ministro da justiça e a turma toda do presidente. Na visão deles, depois de uma noite de insônia, era necessário organizar uma resposta. O problema é que, essa resposta, usando um jargão do próprio Bolsonaro, “foi um tiro no pé”. Visivelmente, uma manifestação que deve ter custado milhões, com seus trios elétricos pomposos, com distribuição de “kit patriótico” que continha vários “mimos” para os manifestantes se divertirem na rua, como por exemplo, máscara do juiz Sérgio Moro, máscara do presidente Bolsonaro, apito, camiseta e um martelinho inflável com os dizeres “Congresso corrupto” entre outras coisitas mais. Uma outra fila gigante, distribua bandeiras. É importante dizer que tudo isso era disponibilizado gratuitamente. Ou seja, a pergunta que deve ser respondida é: quem pagou essa conta?

As pautas de hoje defendidas por Olavistas e Bolsonaristas, mas sem profundidade ou argumentos fortes, para que um debate qualificado pudesse ser iniciado, foram o pedido do fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. O fim da previdência e seguridade social, e a aprovação do pacote anticrime do ministro Sérgio Moro que, evidentemente, favorece grupos paramilitares e a repressão do Estado, uma verdadeira autorização para a polícia matar, apareceram em cartazes, mas quando entrevistados, os donos dessas placas não conseguiram elaborar respostas que fizessem, quem ainda está em dúvida, se é que ainda há tanta gente assim, ser convencida de que tais projetos são positivos para o Brasil.

Silêncio total sobre casos de corrupção envolvendo a esposa Michele Bolsonaro e os filhos 02, 03, do presidente Bolsonaro.

Alguém viu o Queiróz?  O motorista Fabrício Queiroz virou um tema tabu na boca dos dois times dos bolsonaristas e olavistas. Nenhuma palavra quanto aos cortes na pasta de Educação e Saúde do ministro Abraham Wentraub. Nada sobre a venda dos recusrso naturais que Ricardo Salles quer fazer no ministério da educação. Nenhuma palavra sobre o desmonte do patrimônio público, da venda de empresas estatais. Nada. Simplesmente nada.

Os personagens que apareceram nas ruas, pré-campanha eleitoral em 2015 e 2016, à favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff também sumiram. Ninguém viu Janaína Paschoal que se tronou deputada estadual, e passa por um momento tempestuoso com o PSL e com o próprio Bolsonaro, assim como não foram vistos, Alexandre Frota que virou deputado federal ou Doria Jr, o atual governador de São Paulo.

O que se viu hoje, foi a “marcha do tiro no pé” de Bolsonaro, sem factóides criados, as imagens não mentem.

E amanhã? Qual será a nova cartada de um presidente desesperado e que perde forças a cada semana, em apenas cinco meses de governo?

   

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Um comentário
  • Elias Britto
    27 maio 2019 at 8:47
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    Ainda bem, marcha esvaziada da estupidez!
    Só uma prá exemplo: Fechar o STF! Esta é a verdadeira face do autoritarismo.

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