Que balbúrdia, Diário! Que balbúrdia

"Flávio voltou para as manchetes. Mas isso foi fichinha..."

Pra começar, o prefeito de Dallas disse que não ia me receber. E o tal do Jorge Baldor, do World Affairs Council, de Dallas, falou que eu não vou ganhar prêmio nenhum. Pô, custava dar um troféu ou uma medalhinha? Uma flâmula pelo menos? Que gente muquirana!

Depois, o Flávio voltou para as manchetes. Vão quebrar o sigilo bancário de mais de noventa pessoas. Vai feder…

Mas isso foi fichinha. O pior de tudo é que teve gente na rua em mais de duzentas cidades no
Brasil.

Até em Curitiba!

Foi uma coisa horrível ver aquele povo todo fazendo manifestação. Se é estudante tem que ficar na escola olhando o celular, não fazendo passeata! Bando de balburdistas!

O mais grave é que dessa vez a coisa saiu no Jornal Nacional. Agora eu sei o que a Dilma sentiu quando a Globo entrou na campanha pelo impitimam.

Na Globonews foi pior ainda. Durante toda a tarde eles dividiram a tela ao meio, mostrando o Weintraub de um lado e as manifestações de outro. Pô, precisava fazer tanto barulho por causa de um negócio sem importância que nem Educação? É uma coisa que não faz a menor falta.

Eu, por exemplo, não tenho nenhuma e cheguei a presidente.

Outro treco que me deu muita raiva foram os cartazes do pessoal. Vou até escrever uns aqui:
“Conhecimento destrói mitos”, “Educação não é chocolatinho”, “O idiota útil vai vencer o idiota inútil”, “Cabeça vazia, oficina de Olavo”, “Fórmula da água: H20. Fórmula da ignirância:B17”, e “Tem tanta coisa errada que nem cabe num cartaz”.

Ah, Diário, vendo aquela gente toda nas ruas, sabe o que eu queria ter? Um dragão que nem o daquela mulher do Game of Thrones. Já pensou, eu sobrevoando a Paulista, a Candelária, a Praça dos Três Poderes, a

Afonso Pena, o Pátio do Carmo, e soltando fogo em cima dos
comunistas?

Que festa!

Pena que eu não tenho um dragão…

Maldita balbúrdia!

@diáriodobolso

*José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

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