O direito à alimentação é um direito recentemente incluído na Constituição Federal no seu artigo 6º, através da EC 064/2010. Dessa forma a alimentação passou a figurar entre os direitos sociais individuais e coletivos:
“São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”
Para assegurar esse direito existe no Brasil o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Essa é uma das áreas que já sofreu ataques desde o início do governo Bolsonaro.
Se há bem pouco tempo tínhamos a impressão de que a insegurança alimentar caminhava para deixar de ser uma realidade nas grandes cidades do país, hoje observamos o crescimento expressivo de famílias em situação de miséria. Com mais de 12 milhões de pessoas desempregadas e 16 milhões de casas sem nenhuma renda proveniente do trabalho, a preocupação com ter o que comer voltou a rondar a cabeça dos brasileiros mais pobres.
Nas grandes cidades esse cenário é ainda mais dramático. Com dificuldades de optar pela produção de alimentos e com o esgarçamento das relações de solidariedade nas comunidades, fruto do individualismo crescente em nossa sociedade, certamente inúmeras famílias já têm passado parte do mês com acesso escasso aos alimentos. Entre os participantes do MTST esse se tornou um debate cada vez mais relevante.
Algumas das alternativas em implementação nas ocupações e comunidades das periferias são as hortas urbanas e cozinhas comunitárias. Outra é restabelecer as relações de solidariedade tão importantes para a vida em comunidade.
Pensando nisso, o MTST lança em 2019 sua primeira Campanha Nacional de Arrecadação de Alimentos – Periferia Sem Fome. Nossa campanha vai acontecer de 18/04 a 17/05 de 2019 em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Distrito Federal e Rio Grande do Sul.
Desde já agradecemos. Coordenação Nacional do MTST
Como participar da Campanha de Arrecadação?
Você pode participar levando alimentos não perecíveis até os pontos de arrecadação ou através de contribuição virtual. Os pontos de coleta e o link para doações estão abaixo.
Para fazer uma doação virtual basta acessar o link abaixo e escolher uma cota:
Pontos de coleta
ESTADO
CIDADE
LOCAL
ENDEREÇO
HORÁRIO
RJ
Rio de Janeiro
Livraria Gramsci
Rua Alcindo Guanabara, 17 – térreo – Cinelândia
seg-sex 13h-18h
RJ
Rio de Janeiro
Escritório Taliria
Petrone
Av Rio Branco, 173 – 802
seg-sex 10h – 18h
RJ
Niterói
Rua Lara Vilela, 110
seg-sex 10h-18h
RS
Porto Alegre
Aurora Restaurante
Rua Prof Duplan 60
seg a sexta das 11h30 às 14h sab dom e feriados das 12h às 15h qui à sab das 19h às 22h
RS
Porto Alegre
Estômago Café
Rua Miguel Tostes 275
seg à sab das 12h às 20h
RS
Porto Alegre
Comitê Latino
Americano
Rua Vieira de Castro 133
terça a sexta das 18h às 23h30min e
sábado das 19h à meia-noite.
RS
Porto Alegre
Guernica
Travessa dos Venezianos 44,
Cidade Baixa
seg-sex 18h às 00h
RS
Porto Alegre
DCE PUCRS
Av. Ipiranga, 6681, Prédio 8 Sala 130 – Partenon
seg-sex 9h – 21h
RS
Porto Alegre
Café Cantante
Rua Fernandes
Vieira, 615, Bom Fim
SP
São Paulo
Volcano Café
Rua Ministro Ferreira Alves, 686
ter-sex 12h-21h,
sab 10h-19h, dom 10h-17h
SP
São Paulo
Fatiado Discos
Av Prof. Alfonso
Bovero, 382
ter-sex 17h-22h30, sab e dom 12h-22h30
SP
São Paulo
Ação Educativa
Rua General Jardim, 660
seg-sex 8h-22h, sab 9h-17h
SP
São Paulo
CIFA
Rua Flores do Piauí, 170 – Itaquera
seg-sex 9h-17h30
SP
São Bernardo do Campo
Sind Metalúrgicos do ABC
Rua João Basso, 231 – SBC
seg-sex 9h-18h
SP
Guarulhos
APEOESP
Guarulhos
Rua Leonardo
Vallardi, 203 – Jardim
Gumercindo
seg-sex 8h-17h
SP
São Paulo
Fundação Lauro
Campos
Al. Barão de Limeira, 1400
seg-sex 9h-18h
SP
Diadema
Sind Metalúrgicos do ABC
Av Encarnação, 290 – Piraporinha
seg-sex 9h-18h
SP
São Paulo
Biblioteca Santos
Dias
Rua Luiz Baldinato, 9 – Jardim Ângela
seg-sab 9h-17h
SP
São Paulo
Tapera Taperá
Av São Luiz, 187 –
2º Andar – loja 29
seg-sex 10h-20h sab 10h-18h
SP
São Paulo
Faculdade de
Educação – USP
Av da Universidade, 308
AL
Maceió
Associação Paulo
Bandeira
QD 02 SN Benedito Bentes 2
seg-sex 8h-15h
DF
Planaltina
Condomínio
Vivendas Nova
Petrópolis
Quadra 1, Casa 2
seg-sex 9h-17h
DF
Planaltina
Condomínio Nova
Planaltina
Quadra 20, Módulo 5, Casa 28
seg-sex 9h-17h
DF
Ceilândia
Quadra 209,
Conjunto N, Casa 08
seg-sex 9h-17h
SE
Aracaju
CUT
Rua Porto da Folha, 1039
seg-sex 8h-18h
SE
Aracaju
ADUFS
Av Mal Rondon s/ n – Cidade Universitária Prof José Aluisio
Campos
seg-sex 8h-18h
SE
Aracaju
SindSan
Rua Marechal Deodoro, 1012 – Getúlio
Vargas
seg-sex 8h-18h
MG
Uberlândia
Sindieletro – MG
Av. Comendador
Alexandrino Garcia, 95 – Marta Helena
seg-sex 8h-17h
MG
Uberlândia
ADUFU
Rua Nelson de Oliveira, 711 – Santa
Monica
seg-sex 9h-17h
PE
Recife
DA Direito UNICAP
Rua do Príncipe, 526 – Boa Vista – Bloco G 3 andar, sala 302
seg-sex 9h-18h
PE
Recife
DA Faculdade de
Direito Recife
Praça Adolfo Cirne, sn Boa Vista
seg-sex 9h-18h
PE
Recife
Movimento dos
Trabalhadores
Cristãos
Rua Gervásio Pires, 404 – Santo Amaro
seg-sex 9h-18h
CE
Fortaleza
Sindsifce
Rua Aratuba 01-A – Benfica
seg-sex 8h-17h
CE
Fortaleza
Sindfort
Rua 24 de Maio 1188, Centro
seg-sex 8h-17h
CE
Fortaleza
Sinduece
Av Dr Silas Munguba, 2255, sala 104,
Serrinha em frente a UECE
seg-sex 9h-12h e 14h-18h
CE
Fortaleza
Sintufce
Rua Waldery Uchôa, 50 – Benfica
seg-sex 8h-17h
CE
Fortaleza
Centro Acadêmico de Psicologia
Av Washington Soares, 1321, bloco Q sala 12
seg-qui 9h30 às 19h
CE
Fortaleza
Centro Acadêmico de Filosofia UECE
Campus Fátima, Av Luciano Carneiro, 345
seg-qui 9h-11h e 18h-19h, sex 9h-11h
CE
Fortaleza
UECE Itaperi Centro Acadêmico de Psicologia
Av Doutor Silas Munguba, 1700, Bloco P
seg e qua 10h30-12h, sex 14h-15h30
Perguntas e Respostas
O que pode ser doado?
Aceitamos doação de alimentos não perecíveis, dentro da validade e com a embalagem fechada. Toda semana vamos informar em nosso site quais itens são mais necessários em cada estado.
Qual o período da Campanha?
A campanha vai acontecer de 18/04 a 17/05 de 2019.
Para onde serão destinadas as doações?
As doações serão destinadas para as famílias que fazem parte das ocupações e comunidades acompanhadas pelo MTST. As fotos das entregas de alimentos poderão ser acompanhadas através das redes sociais do MTST.
Como posso saber os resultados da Campanha Periferia Sem Fome
Os resultados da Campanha Periferia Sem Fome serão divulgados no dia 18/05 num Café da Manhã Solidário na Ocupação Vila Nova Palestina. Você pode participar adquirindo ingressos através do link https://cafesolidario.eventbrite.com.br
Após esse dia, os resultados vão estar disponíveis em nosso site.
Posso fazer um ponto de arrecadação?
Caso você queira fazer um ponto de arrecadação para ajudar a Campanha Periferia Sem Fome, envie um email para periferiasemfome@gmail.com que entraremos em contato passando as orientações.
Como contribuir com doações massivas?
Caso você queira contribuir com doações massivas, recomendamos que envie um email para periferiasemfome@gmail.com que informaremos o endereço mais próximo.
O índice de natalidade é baixo e o de alfabetização próximo dos 90%, sendo de quase 100% entre os jovens. A taxa de divórcio é elevada, superior a 50% em algumas grandes cidades, sendo parte dessa taxa derivada da pressão da mulher sobre o marido para pagar o dote ou aceitar a separação. As taxas de feminicídio não são conhecidas, mas não há indícios de que sejam elevadas. A legislação, contudo, é leniente com o marido que mata a esposa quando o adultério é inequivocamente comprovado, sendo perdoado ou recebendo uma pena leve, pelo fato de a traição da mulher, e apenas dela, ser considerada crime contra a honra. Um dado curioso é que, apesar de o aborto e a homossexualidade serem vedados, o Irã é um dos países do mundo em que mais se realizam cirurgias de mudança de gênero, parte das quais custeadas pelo Estado. Está também no topo das rinoplastias, cirurgias para remodelar o nariz, percebidas cotidianamente nas ruas de Teerã. Em sentido contrário, raramente se encontra no Irã um homem usando gravata, vista como símbolo de opressão e da influência imperialista ocidental.
Irã Mall Fotos: Eduardo Campos
Os iranianos são doces, acolhedores e generosos, talvez como nenhum outro povo em todo o planeta. Estrangeiros que visitam o país são frequentemente convidados para jantares e chás em suas casas e por vezes até mesmo a se hospedarem nelas. Tratamento especial é dispensado aos visitantes, quaisquer que sejam eles, parentes, amigos ou aqueles até então desconhecidos. São sempre servidos em primeiro lugar e alvos de permanente atenção dos anfitriões. A origem dessa hospitalidade e simpatia está na cultura persa e se expressa em um gesto de cortesia conhecido como “taarof”. Quando uma pessoa oferece alguma coisa a outra a praxe é inicialmente ouvir um “não, obrigado” como resposta. Se ela insiste é uma demonstração de que não se trata de uma oferta retórica, mas efetiva. Esse gesto polido é comum até mesmo quando se tem que fazer um pagamento de uma compra ou serviço prestado, quando o credor costuma recusar o dinheiro na primeira tentativa de quitação da dívida. Mas há um fator adicional à cultura persa que ajuda a entender a postura simpática dos iranianos em relação aos estrangeiros que visitam o país: a consciência de que são um povo estereotipado, hostilizado e objeto de profundo preconceito ao redor do mundo. Sentem-se todos extremamente injustiçados com a visão discriminatória de que são vítimas, sejam os apoiadores da República Islâmica sejam seus opositores, que concordam, em maior ou menor grau, com críticas dirigidas ao sistema de poder e não admitem ser confundidos com ele. Nem tudo, entretanto, são flores na sociedade iraniana para os não nativos no país. Os árabes, com quem são confundidos com frequência, são alvos de um enorme preconceito, cuja origem remonta ao passado de ambas as civilizações. Pertencem a grupos étnicos, linguísticos e culturais distintas, sendo a maioria dos iranianos de origem persa, havendo também um contingente significativo de azeris e curdos e em menor grau de outras etnias. Essa diversidade inclui até mesmo árabes, que constituem cerca de 2% da população nativa. Adicionam-se às diferenças históricas as religiosas e as disputas pela hegemonia da região. Os iranianos que professam o islamismo são adeptos da corrente xiita, enquanto a maioria dos países árabes são de maioria sunita, exceção feita ao Iraque e ao Bahrein. Há também zoroastristas, judeus e cristãos no país e um número expressivo de seculares e ateus nas camadas mais jovens.
Ritual de fogo “Chaharshanbe Suri” Foto: Eduardo Campos
A guerra em curso e a primeira ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o país, em junho de 2025, estão tendo um papel importante na desconstrução dessa falsa imagem do Irã e de seu povo. A mídia convencional do Ocidente já não consegue esconder que o Irã é a vítima e não o algoz, ainda que continue se esforçando para sustentar que, em última instância, o país é o responsável pelos conflitos na região, e não a aliança entre o Império e os sionistas. A unidade dos iranianos contra as agressões de que são alvos é um outro fator importante de desmascaramento da mídia mainstream. Não se trata de ignorar as contradições do país, o descontentamento de parcela considerável da população com a República Islâmica, mas de defender a sua soberania e da compreensão majoritária de que cabe aos iranianos, e tão somente a eles, resolverem os seus problemas internos. O expressivo fortalecimento da mídia alternativa tem também cumprido um papel de grande relevo nesse processo. Cresce significativamente o alcance de canais progressistas no youtube, a plataforma substack, os sites contra-hegemônicos. Não por acaso, recente pesquisa feita a partir dos Estados Unidos constatou que Israel é hoje o país mais odiado do planeta, além de ter perdido o apoio da maioria da população estadunidense, o que seria impensável até alguns anos atrás. O resgate das enormes qualidades do povo iraniano, de sua inteligência, de sua sabedoria e de sua cultura não deve ser visto apenas como uma reparação das injustiças que contra ele têm sido cometidas ao longo das últimas décadas, mas como um aprendizado para os segmentos progressistas da sociedade mundial que se deixaram enganar pelas falácias da mídia convencional do Ocidente. Ao mesmo tempo é imprescindível reconhecer e valorizar as ações anti-imperialistas da República Islâmica do Irã, independentemente de diferenças culturais ou mesmo ideológicas que se possa ter com ela.
Assassinato de 168 meninas, além do aiatolá Ali Khamenei, no primeiro dia dos bombardeios americanos-sionistas contra o Irã, mobiliza o país persa e engaja as crianças
O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.
Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.
A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.
O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.
Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.
Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.
Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé. Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.
Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres
Quando o escritor francês Honoré de Balzac teve acesso ao vídeo da audiência de Mariana Ferrer, ele decidiu escrever o Código dos homens honestos, isso nos idos de 1875, mas só agora estou tornando públicas suas palavras, que estavam sob segredo de justiça.
Em uma análise bastante rigorosa, Balzac lembra, em primeiro lugar, que sabemos perfeitamente bem que “em princípio, ficou estabelecido que a justiça seria para todos, mas […]” . A tradução é de Léa Novaes, pois Balzac tinha dificuldade em escrever em português.
Dito isso, ele fala da figura do procurador. Em tempos idos, diz Balzac, os procuradores “levavam tão a sério o interesse de um cliente que chegavam a morrer por eles”. Além disso, eles “nunca frequentavam a sociedade”, e se a frequentassem eram vistos como “monstros”, mas hoje, “hoje tudo está monetarizado: já não se diz que Fulano foi nomeado procurador-geral, vai defender os interesses de sua província […]. Não, nada disso; o senhor Fulano acaba de conquistar um belo posto, procurador-geral, o que equivale a honorários de vinte mil francos […]”.
Balzac ia falar da figura do juiz e do defensor público, mas depois de tudo que assistiu ficou sem as palavras justas para descrevê-los.
Então, o escritor francês decidiu se debruçar sobre o papel do advogado, que “frequenta bailes, festas […] despreza tudo o que não é elegante”. E, diz Balzac, “Justiça seja feita aos advogados […]! São os decanos, os chefes, os santos, os deuses da arte de fazer fortuna com rapidez e com uma sagacidade que os torna merecedores de muitos elogios”.
Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.
Não citei na íntegra o texto do Balzac, porque foram esses os únicos fragmentos aos quais tive acesso, os outros foram apagados.
*Formada em Direito, em 1992, na Universidade Federal de Santa Catarina