Um arco-íris de gente à beira-mar em resposta aos ataques homofóbicos

Mais de 50 mil pessoas ocupam avenida em Florianópolis contra censura e homofobia

Os ataques homofóbicos à liberdade de expressão e à diversidade de gênero pelo presidente, ministros e governador do Rio de Janeiro parecem ter despertado ainda mais a disposição de ir às ruas em defesa do direito de cada um ser o que é. A 13ª edição da Parada do Orgulho LGBTI+ de Florianópolis levou mais de 50 mil pessoas a ocuparem a Beira-mar Continental neste domingo (8) de sol e vento sul gelado. Das 11h às 21h, a avenida foi interditada para receber uma multidão colorida de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, homens, mulheres, crianças, famílias. Elas marcharam, dançaram, cantaram e gritaram palavras de ordem contra a intolerância e o estado teocrático que quer normatizar a identidade heterossexual e reprimir as múltiplas subjetividades.
Pelo quarto ano consecutivo, a Parada LGBTI de Florianópolis ocorre na Beira Mar do Estreito, tendo à frente de sua coordenação o Movimento Social Organizado de Florianópolis. Na avaliação da suplente de vereadora Carla Ayres, do mandato popular do PT na Câmara de Vereados, o protesto e a consciência política marcaram o evento, que neste momento de luta contra o retrocesso ético, moral e político do país, definitivamente mostrou ser muito mais do que uma mera catarse ou entretenimento:

Foto: Vagner Gomes Siqueira (GAPA/Floripa)

“Este ano talvez tenha sido a edição mais política da história das paradas em Florianópolis, não só pelos discursos, mas especialmente pelo mar colorido de corpos afirmativos de nossa existência e resistência ao momento de graves ameaças aos direitos e à vida da população LGBT. Foi um ato extremamente politizado, em que organizações da sociedade civil e os próprios artistas que se apresentaram e se posicionaram recorrentemente contra as retiradas de direitos, contra os desmontes sociais do atual governo federal e em defesa dos nossos direitos.”

Como grande aliada das minorias, a força feminista das mulheres também marcou presença. Um cordão delas aninhou-se embaixo da bandeira gigante da diversidade, com as cores do arco-íris. Tendo à frente Ana Bezerra, Elenira Vilela, Juliana Lima, Íris Gonçalves, Elaine Sallas entre outras integrantes do 8M Florianópolis, as feministas lançaram a Greve Internacional das Mulheres, convocando para a preparação do 8 de março de 2020. Também lembraram a grande mártir Marielle Franco, vítima das milícias governistas, com o estandarte que trazia o seu grito: “Quantas mais tem que morrer pra esta guerra acabar?”

A concentração começou às 11 horas, na cabeceira da Ponte Hercílio Luz, onde a bateria da Consulado do Samba, escola campeã do Carnaval 2019, fez a abertura. O trio elétrico orquestrou a festa, puxado por Selma Light, uma drag queen de Floripa com fama nacional, ao lado de Suzy Brasil e do DJ Paulo Pringles, também referências nacionais no mundo LGBTQI. Foi uma surpresa o momento em que a subiu no carro do trio elétrico a ex-chacrete, cantora, atriz e dançarina Rita Cadillac, que continua carismática para o público. E uma emoção quando dois casais, as lésbicas Vitorí e Maria, e os homossexuais André e Adriano, celebraram sua cerimônia de casamento em cima do caminhão de som.

Às 16h30, acompanhado a pé pelo cordão gigante do arco-íris humano, o trio se deslocou até o palco principal do evento, no final da Beira-Mar Continental, para levantar e alegrar a multidão com as atrações musicais de Aretuza Lovi e Dan Murata, ícones da performance da diversidade. Também se apresentaram os influencers Mandy Candy (@mandycandyreal), Júlia & Flávia (@fripolter) e Biga Kalahare (@bigakalahare),

Foto do G1 de Paulo Mueller (NSCTV) por si só desmente o próprio veículo

Embora a Polícia Militar tenha calculado o número de participantes em 10 mil pessoas, número que foi reproduzido nos jornais comerciais, as imagens da manifestação desmente essa estimativa. A própria foto publicada pelo G1, por exemplo, mostra que os números dos organizadores são muito mais próximos da realidade. Carla Ayres, que faz parte do Acontece – arte e política LGBTI (uma das entidades organizadoras da Parada) e a presidente da Comissão dos Direitos LGBTI+ da OAB-SC, Margareth Hernández, calculam a participação entre 50 e 70 mil pessoas.

Por diversas vezes, artistas, públicos e coordenadores fizeram referência aos 50 anos da Revolta de Stonewall, confronto entre a polícia e homossexuais nos Estados Unidos, que é um marco na resistência e luta por igualdade e marca o lema das paradas deste ano em todo o país. Fica o depoimento de Toninho Fernandes:

“Santa Catarina virou bunker de Nazifascistas… A intolerância levando à ignorância, mãe de tudo que é de pior na humanidade… O bom é que todos os (des)governos passam este passará muito rápido porque não chegará ao fim de mandato! Crivellas, Witzels, Bolsonaros irão embora do Brasil e espero que seus seguidores também…”

Edição de Emílio Rodrigues / Jornalistas Livres, com vídeo de Vagner Gomes Siqueira (GAPA/Florianópolis) e fotos do 8M Florianópolis e organização do evento

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2 comentários:
  • Wilian Fernandes Pereira
    10 setembro 2019 at 10:40
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    • Raquel Wandelli
      10 setembro 2019 at 18:03
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      obrigada pela dica aos leitores!

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