Mulheres são a maioria em ocupações do MTST

Valo Velho, no extremo sul de São Paulo, foi um dos três locais ocupados pelo MTST na madrugada de sábado, 5

Por Kátia Passos

A Luta no Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST) não é só pelo teto ou pela terra. A busca se estende pelos direitos básicos: educação, cultura, igualdade, saúde. Para tudo há força para luta. Katia Ferreira Conceição da Costa, 41 anos, umas das coordenadoras dos sem-teto nos lembrou disso nessa madrugada de 5 de novembro, quando o Movimento ocupou um terreno de 6000 m² na região do Valo Velho, Capão Redondo, extremo sul da capital paulista.

Ela nos contou que mesmo com o fato de Guilherme Boulos ser o articulador, a maioria dos acampados são mulheres solteiras ou separadas e quando entram para o movimento de alguma forma, parece que “aprendem” a ser guerreiras. Não que antes não fossem. Mas na opinião de Katia, esse “tipo” de mulher quer encontrar a rápida independência e nada melhor para ilustrar isso do que possuir um teto ou uma terra própria para se estabilizar.

Depois de entrar para o MTST, a vida dessa guerreira mudou. “Isso começou com meu marido que ocupou. No início, eu fui resistente. Meses depois resolvi conhecer o barraco que ele havia construído. Depois resolvi construir o meu. Passei a amar o movimento. Vesti a camisa, e, se hoje for preciso, até deixo meu marido pelo movimento.”

Katia diz que antes de participar dessa luta abominava a política, se achava até ignorante e ‘mandona’, depois, ela começou a se lapidar e hoje se expressa melhor em seu modo de falar e agir. Katia, mulher, negra, se empoderou.

“Vem pra luta, aonde tem luta tem conquista”. Se você ocupar, você vai ter onde morar.” Essa é a mensagem que ela deixou no final de nosso bate-papo à todos os sem-terra do Brasil.

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