Mulheres em luta contra o capital

Durante o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, feministas de Portugal prostetam pelo progresso social e igualdade de direitos

Largo Luís de Camões, em Lisboa, durante a Greve Internacional Feminista. Foto: Rita Sarrico

Por Clara Luiza Domingos, especial de Lisboa para Jornalistas Livres*

No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, as ruas de Portugal foram ocupadas pelas milhares de portuguesas e mulheres imigrantes em Portugal que estavam em luta contra o machismo sistêmico e cultural. Proposto pela marxista alemã Clara Zetkin, o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora é o símbolo da luta emancipadora das mulheres e permanece como um importante dia de luta pelo progresso social e igualdade de direitos.

Ameaçadas pelo feminício, violadores, impedidas de ter acesso a um aborto seguro e legal em muitos países, corpos explorados, disparidade salarial entre homens e mulheres, sobrecarga pelo trabalho doméstico invisibilizado, jornadas duplas, triplas, relações abusivas. Essas são algumas das dificuldades que a mulher do segundo milênio ainda enfrenta e a impede de alcançar emancipação plena. Essas, entretanto, são também a força motriz para que a mulher, ainda que subjugada frágil pela sociedade, se rebelem radicalmente contra o sistema, exijam mudanças no comportamento dos homens e paralisem as ruas a cada novo dia 8 de março.

Em Lisboa, duas organizações feministas distintas foram responsáveis por mobilizazem milhares de mulheres para irem às ruas na data simbólica. Por vias diferentes da cidade de Lisboa, mulheres protestaram por seus direitos e reconhecimento, acusando bravamente a estrutura capitalista pela posição de exploradas, cuja mulher ainda está inserida nos dias de hoje. 

No marcha que seguiu pela Avenida da Liberdade de Lisboa, conduzida pelo Movimento Democrático de Mulheres, pertencente ao Partido Comunista Português (PCP), camponesas e mulheres do interior de Portugal mostraram o poder do feminino e a sabedoria das mais velhas. Mulheres da terra marcharam com seus trajes típicos e cânticos de força. Assista à cobertura da marcha ao vivo feita pela equipe de correspondentes do Jornalistas Livres em Portugal. Logo no início, são as mulheres alentejanas expressam um de seus cantos:

Cobertura: Bruno Falci / Jornalistas Livres

Múltipla e diversa, a Rede 8 de Março unificou coletivos e organizações feministas para que as mulheres saíssem juntas pelas ruas de Portugal na data representativa para a Greve Internacional Feminista, em direção à Assembleia da República de Portugal. Todas as vozes foram bem-vindas, cada qual com sua bandeira, num único tom, fazendo prevalecer a luta de seus direitos. Além de Lisboa, as cidades de Coimbra, Porto, Braga, Aveiro, Amarante, Évora, Faro, Viseu, Vila Real e Ponta Delgada tiveram as ruas tomadas pela onda roxa de mulheres marchando juntas por igualdade de direitos.

Cobertura: Clara Luiza Domingos

manifesto da Rede 8 de Março destaca-se que as mulheres em toda sua pluralidade têm se levantado em defesa dos seus direitos, contra a violência, a desigualdade e preconceitos. “As violências que sofremos são múltiplas, a Greve que convocamos também o é. No dia 8 de Março faremos greve ao trabalho assalariado, ao trabalho doméstico e à prestação de cuidados, ao consumo de bens e serviços”

Andreia da Rede 8 de Março explicou os pilares do manifesto e o porquê de acreditarem que este são os próximos passos para a emancipação da mulher em Portugal.

Durante a Greve, a atriz feminista, performer audiovisual e produtora de arte Samara Azevedo, representou o Coletivo Andorinha – Frente Democrática Brasileira de Lisboa. Em sua fala, ela marcou o posicionamento do coletivo em defesa das tantas brasileiras e outras imigrantes de Portugal que são muitas vezes estigmatizadas e vítimas da violência racista e xenofóbica. 

O Coletivo Andorinha – Frente Democrática Brasileira de Lisboa surgiu em 2016 juntamente com as manifestações que aconteceram em todo Brasil e em várias cidades do mundo contra o golpe parlamentar-jurídico-midiático em curso na época, para fazer resistência internacional em defesa da presidenta democraticamente eleita Dilma Rousseff. Assista a fala de Samara Azevedo abaixo:

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"O coletivo andorinha nasceu de um golpe machista contra umá mulher legitimamente eleita, a presidenta Dilma Rousseff " assim Samara Azevedo lembra do Coleitvo andorinha desde sua fundação em 2016 inicia sua intervenção diante do parlamento português em ato feminista organizado pela rede 8 de Março que reuniu milhares de pessoas . "Eu quero ter direito de ser uma representante política na cidade do rio de janeiro e não ser morta por ser mulher , negra ou favelada . "foi outro momento de muitos aplausos durante a intervenção da ativista brasileira é finalizou sua fala convocando a todos para irem na praça de São Domingos no dia 14 de março , dia que faz dois anos do assassinato de Marielle Franco . Por @bruno_bitarelli / Jornalistas Livres

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Diferentes nacionalidades, representações políticas, coletivos, organizações se concentraram no Largo Camões antes de iniciarem a marcha até a Assembleia da República. O fotógrafo e filmaker Guilherme Stein contribuiu com o Jornalistas Livres em Lisboa e produziu um vídeo durante o momento a concentração da Greve Internacional Feminista. Pilar Del Rio, jornalista, escritora, tradutora espanhola e presidente da Fundação José Saramago foi uma das mulheres mandou uma mensagem de resistência via vídeo.

Vídeo e edição: Guilherme Staine

Greve Internacional Feminista em Portugal

O Jornalistas Livres em Portugal também acompanhou os atos da Greve na cidade de Porto e Coimbra. Em Coimbra, a Rede 8 de Março mobilizou mais de 500 pessoas para o ato. A organização liderada pela Rede também contou com o apoio de outros coletivos da cidade, bem como a reivindicação de pautas diversificadas. Coimbra é uma cidade com mais de 4 mil estudantes internacionais, o que proporcionou à Marcha uma variedade de denúncias e reivindicações internacionais.

Cobertura: Luiza Abi Saab

Na Cidade do Porto, PT, também foi a Greve Feminista Internacional que mobilizou as mulheres locais. A marcha celebrou a diversidade. Mulheres e simpatizantes do movimento feminista em busca da melhoria da educação, igualdade social, pela precariedade e desigualdade laboral,  e o não ao feminicídio, que está a crescer em Portugal. Por isso, nas ruas elas pedem: Basta!

Cobertura: Nilce Costa

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