Liderança jovem do MST faz política com responsabilidade no Nordeste

“Como camponês e sem-terra pretendo adentrar na política para fazer a diferença para o povo do campo, pois entendemos que é necessário termos representantes no legislativo e no executivo no estado do Sergipe”

Ronaldo Pereira com a bandeira do MST ao fundo Foto de Gustavo Oliveira

Por Gustavo Oliveira 

Nascido no sertão sergipano, de uma família de agricultores, Ronaldo Pereira (27), natural de Canindé do São Francisco, é o sétimo filho de oito irmãos. Aos oito anos de idade teve seu primeiro contato com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), através de seu pai José Rinaldo no ano de 1996.

Foto de Gustavo Oliveira

Em sua adolescência já morando em um Assentamento, Ronaldo junto com companheiros do MST, MPA e Levante Popular, encabeçaram o que seria sua primeira grande luta, levar um campus da Universidade Federal do Sergipe (UFS) para o sertão sergipano, aonde se teria cursos superiores destinados a agricultura.

Durante uma ocupação sobre reivindicações agrárias no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária(INCRA), se discutia os rumos que a juventude Sem-Terra tomaria dentro do movimento, quando surge o desafio dos dirigentes, a juventude deveria realizar uma ocupação de terra. Eis que surge o nome de Ronaldo para que seja realizada essa tarefa. Mudou-se para a capital sergipana,e pouco tempo depois parte para o município de São Cristóvão, zona metropolitana de Aracaju, e assim deu início aos trabalhos para realização dessa ocupação sugerida.

Ronaldo cita que um companheiro conhecia uma área para fazer a ocupação, fizeram a vistoria da área, o trabalho de base e um mês depois com trinta famílias a aérea foi ocupada. Nascia o Acampamento Emília Maria.

A notícia que o MST havia ocupado uma área na zona metropolitana de Aracaju correu rápido, e logo as trinta famílias se tornaram aproximadamente duzentas e cinquenta famílias.

O acampamento é composto por barracos, não possuem água encanada, luz, saneamento básico. Porém é nítido a satisfação dos acampados em pertencer ao movimento. Devido a quantidade de acampados, os barracos foram divididos por grupos, são oito, cada grupo conta com dois coordenadores, que ajudam Ronaldo na tomada de decisões e na resolução de problemas.

Foto de Gustavo Oliveira

Ronaldo nos conta que as decisões são tomadas em assembleias, aonde são votadas as pautas que são colocadas em debate, ele gosta de frisar que “todos tem direito de falar, pois aqui há democracia”.

Com lutas importantes na militância, Ronaldo planeja dar um salto maior — “Em 2018 me filiei ao Partido dos Trabalhadores, devemos ocupar o executivo e o legislativo para caminhar com nossas pautas”, conta ele. Pergunto se a filiação ao partido político tem relação com uma possível candidatura para o ano 2020, e ele responde — “Estamos estudando essa possibilidade, estou me organizando para tornar mais esse desafio realidade, sabemos o quanto seria importante um representante sem-terra na Câmara dos Vereadores, seria ótimo para acampamento também”, acrescenta Ronaldo.

Muito querido no acampamento Emília Maria, por onde passa recebe comprimentos dos acampados, alguns o chamam para uma conversa, outros oferecem um cafézinho em seu barraco — “Aqui é sempre assim, todos se tratam com respeito e cordialidade, assim torna a morada em baixo da lona um pouco mais fácil, respeito” conta ele.

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