A JUSTIÇA TARDOU E FALHOU

Comissão Especial do Impeachment 2016 (CEI2016) realiza reunião para leitura do relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG). (E/D): senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB); senador Lindbergh Farias (PT-RJ) Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Desculpem-me os otimistas, mas esse afastamento, por liminar, de Cunha dos seus cargos não é necessariamente uma boa notícia.

Primeiro, porque veio irreparavelmente tarde. Cunha deu início e comandou o processo de impeachment de modo ilegítimo e irresponsável. A lentidão do STF custou nossa democracia e avalizou o golpe.

Segundo, porque esse afastamento faz parte do plano do golpe, no qual Cunha assumiu o papel de “alvo”, aquele que faz o trabalho sujo sabendo que tem retaguarda para continuar impune.

Para conseguir sair ileso, no entanto, precisa passar por um “julgamento” de fachada. É disso que se trata.
A liminar de Teori tem a mesma eficácia para a democracia brasileira que os reconhecimentos de erro do judiciário depois que o injustiçado já morreu. Traz alento para o grande público mas não faz justiça.

Desde o início, Cunha foi uma cortina de fumaça para confundir nossas avaliações e equilibrar a balança da evidente perseguição seletiva que a mídia, o parlamento e a justiça cometem contra o governo.

O ministro Teori tinha essa petição desde dezembro na gaveta, porém, estranhamente decidiu julgar na mesma semana que Janot pediu investigação de Dilma e Lula.

Vem chumbo pesado por trás dessa cortina do afastamento de Cunha. E será contra Lula, infelizmente.

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