Greve de alunos da FESPSP pelo direito de estudar

Alunos organizam greve geral na faculdade de Sociologia mais antiga da América Latina e fazem apelo contra medida autoritária da diretoria.

* Da Comissão de Comunicação de Alunos

Na última quarta-feira, dia 14/03, foi votada em assembleia de alunos uma greve geral pela paralização dos cursos de graduação na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP); faculdade precursora da cadeira de Sociologia no Brasil e na América Latina.

As reivindicações começaram por conta de um e-mail recebido nas primeiras semanas de aula, comunicando que, diante de uma troca de sistemas da secretaria, as matrículas e rematrículas da graduação só poderiam ser feitas até o dia 28 de fevereiro.

Com uma política de bolsas e descontos defasada, a instituição oferecia aos alunos com dificuldades financeiras uma série de acordos individuais de parcelamento da taxa semestral, de modo que todo o conjunto das mensalidades era agendada para um pagamento fixo de prazo máximo ao longo do ano. Este foi um direito conquistado pelos estudantes diante de um erro da instituição por adotar um sistema de bolsas e descontos que não condiz com a realidade dos alunos: sem cotas, sem FIES e sem bolsa por renda.

O estabelecimento de um prazo para a matrícula foi justamente pensado para que os alunos que estivessem em débito com a faculdade não voltassem a se matricular, tendo em vista que os acordos organizados entre os estudantes e a instituição não acabariam de ser pagos até o dia 28 de fevereiro. O e-mail dizia que depois da data, os alunos não-regularizados não poderiam mais receber presenças ou participar das avaliações.

Diante dessa medida, os afetados e sensibilizados começaram a se movimentar para que fossem pensadas, de maneira conjunta, formas de auxílio para os alunos inadimplentes da faculdade. Foram levantadas uma série de demandas em reuniões, assembleias e encontros até que, enfim, foram levadas para a coordenação do curso de Sociologia e Política. Neste encontro as demandas foram filtradas para três pontos essenciais.

Os alunos organizaram um pedido para que essas três demandas fossem discutidas na próxima reunião com a direção. Para que os alunos em risco de trancamento se mantivessem na instituição seria necessário um aumento desse prazo final da matrícula por pelo menos trinta dias. As medidas mais duradouras indicadas pelos envolvidos foram de isenção da matrícula pelos afetados ou a incorporação do valor da matrícula na mensalidade.

No dia 28, o último dia do prazo, o conjunto dos alunos organizados obteve uma resposta da direção ditando que nenhuma das propostas teria sido aceita e que a data final continuaria sendo aquela.

Na busca por medidas mais radicais, os alunos decidiram por greve em assembleia de forma unanime, reivindicando a necessidade de um aumento do prazo das matrículas até tempo indeterminado, uma revisão nas políticas de bolsas, cotas e descontos e maior transparência das atividades financeiras da fundação.

Os estudantes engajados seguem neste ato político e recusam o comprometimento da instituição com essa atitude de base racista e classista, que segrega claramente uma parcela dos alunos determinada por esses marcadores. A FESPSP constantemente se coloca como engajada num processo orgânico e heterogêneo de ensino e acolhimento dos alunos, mas observando através dos fatos podemos enxergar claramente que o buraco é mais embaixo.

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