Governos de Alckmin em SP tiveram dez homens para cada 0,94 mulher no 1º escalão

Tucano afirmou que, se for eleito presidente, fará um ministério com "o máximo possível" de mulheres à frente. Recorde de representação feminina no governo federal é do governo Dilma Rousseff. Em segundo lugar, está o governo Lula

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin; poucas mulheres em suas administrações e em pastas com os menores orçamentos

As mulheres representam 8,6% das pessoas que ocuparam cargo de primeiro escalão durante os mandatos do ex-governador de São Paulo e pré-candidato a presidente da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin. O, número, embora acanhado, é superior ao de Michel Temer (MDB) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que, à frente do Palácio Planalto, têm ou tiveram em seu primeiro escalão 5% e 2,04% de mulheres, respectivamente.

Já o recorde histórico de representação feminina no alto comando do governo federal se deu com a presidenta Dilma Rousseff (PT), com 16,1% do ministeriado ocupado por mulheres. O segundo lugar é ocupado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 10,47%

O pré-candidato tucano afirmou nesta quinta-feira (26) que, se for eleito, terá “o máximo possível” de mulheres em seu gabinete ministerial. Proferiu a declaração ladeado por lideranças – todos homens – do chamado “Centrão”, partidos que vão do PR de Valdemar Costa Neto ao SD de Paulinho da Força, que estavam ali para manifestar apoio à sua pré-candidatura.

Bom, qualquer que seja o significado para o tucano de “o máximo possível”, não deve ser muito. Não se for levado em consideração o número de mulheres que comandaram secretarias de Estado enquanto Alckmin esteve à frente de São Paulo. Ele foi governador em dois períodos: de 6 de março de 2001 a 31 de dezembro de 2006 e de 1º de janeiro de 2011 a 6 de abril de 2018. Em nenhuma das duas vezes, em nenhuma oportunidade ou por qualquer período de tempo, as mulheres chegaram a representar ao menos 10% de seus secretários.

Em seu primeiro governo, Alckmin era vice de Mário Covas (PSDB), que deixou o cargo por problemas de saúde no início de 2001. O atual presidenciável, então, herdou um secretariado composto por 21 pastas, sendo nada menos do que 20 delas ocupadas por homens.

Alckmin promoveu uma reforma no secretariado em dezembro de 2002, depois que foi eleito para o governo pela primeira vez. Trocou dois terços do primeiro escalão, como informou, à época, o jornal Folha de S.Paulo. A partir daí, seu governo passou a ter duas secretárias e 19 secretários. Com esta marca, o percentual de mulheres no governo chegou ao recorde do tucano: 9,5% do total. As pastas assumidas pelas mulheres foram, curiosamente, as de menor dotação orçamentária: a da Cultura (Cláudia Costin) e a da Assistência e Desenvolvimento Social (Maria Helena Guimarães de Castro).

Já na segunda vez que o pré-candidato comandou o Estado, herdou um secretariado, em janeiro de 2011, vindo do governo anterior, de José Serra (PSDB), formado por 26 pastas, das quais duas eram ocupadas por mulheres. A principal reforma que fez na equipe foi em 2016, conforme informou a revista Veja. Extinguiu algumas pastas, criou outras, mas o número total foi mantido, assim como o de mulheres ocupando esses cargos. Continuaram sendo duas mulheres e 24 homens no primeiro escalão, ou 7,69% do total.


As mulheres nos últimos governos federais

Extraindo, então, a média dos dois períodos em que Geraldo Alckmin esteve à frente do governo de São Paulo, constata-se que, de cada 10 membros do primeiro escalão do tucano, 0,94 era mulher. Se é este “o máximo possível” do tucano, ele é maior ou menor do que as dos ocupantes do Palácio do Planalto nos últimos 35 anos? A Resposta: é menor do que as médias de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e maior do que a de Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.

Este último, que tenta governar o país desde que foi alçado ao posto de presidente em 2016, teve 60 ministros até a publicação desta reportagem, dos quais apenas três são mulheres, ou 5% do total.

Antes dele, a presidenta Dilma Rousseff, que comandou o Brasil de 2011 a 2016, teve um total de 118 ministros. Deste total, 19 eram mulheres, ou 16,1%. Trata-se do recorde absoluto da história brasileira de representação feminina no primeiro escalão do governo federal.

E quem está em segundo lugar no ranking de governos federais da história do Brasil com mais mulheres no primeiro escalão? Exatamente o mandatário anterior a Rousseff: Lula, também pré-candidato nas eleições deste ano. O ex-presidente, que governou o país de 2003 a 2009, teve 105 ministros. Deles, 11 eram mulheres, ou 10,47% do total. Ou seja: Lula é o presidente do sexo masculino da história do Brasil que mais mulheres colocou em seu primeiro escalão.

Por fim, na lanterna do ranking, vem o tucano Fernando Henrique Cardoso, que ocupou o Palácio do Planalto entre os anos de 1995 a 2002. Ele teve 98 ministros. Quantas mulheres? Duas, ou 2,04% do total

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