EXCLUSIVO! Doria demite empregada doméstica durante tratamento médico

O candidato está sendo processado. Na ação constam também denúncias de horas extras não pagas e de sobrecarga laboral.

João Doria demitiu a empregada doméstica durante licença médica.

Por Henrique Cartaxo, com colaboração de Martha Raquel e Cesar Locatelli, dos Jornalistas Livres

O ex-prefeito e candidato ao governo de São Paulo João Dória Jr. está sendo processado por demissão ilegal da empregada doméstica, a senhora Josefa Gomes dos Santos, de 66 anos, que cumpria licença médica.

Após 12 anos de serviço, dona Josefa Gomes dos Santos foi demitida enquanto fazia um tratamento médico por danos causados pela dura rotina de trabalho na casa de João Agripino da Costa Doria Jr., aquele que se denomina João Trabalhador, mas que deveria ter o apelido de João Explorador, ou Sinhozinho João Escravocrata, como eram seus antepassados, donos de centenas de escravos.

Essas informações constam da reclamação trabalhista que ela ajuizou contra o empresário por danos morais e por horas extras não pagas, advindas do longo trabalho braçal que desenvolvia sem ajuda na ampla casa da família Doria. A ação também pede que o Ministério Público investigue o caso e tome as devidas providências contra João Doria Jr. e que sejam acionados a Delegacia Regional do Trabalho, o INSS e o Sindicato das Empregadas e Trabalhadoras Domésticas da Grande São Paulo, o SINDOMÉSTICA-SP.

Doria pediu segredo de justiça sobre o processo.

Os Jornalistas Livres obtiveram cópia do processoenquanto não foi decidido sobre seu sigilo pela autoridade judiciária. Nele consta que dona Josefa cuidava de uma casa com ambientes amplos e extensos, com muitos itens a serem limpos e que a carga de trabalho era extremamente pesada. Com o passar dos anos, os serviços aumentaram ainda mais, uma vez que, João Doria Jr. passou a exigir que dona Josefa, além de passar e lavar todos os tecidos da casa, incluindo cortinas e tapetes de todos os cômodos, deveria ainda guardar a roupa no ‘closet’, localizado no andar superior da casa, de cada integrante da família separadamente, tendo como ordem expressa do ex-prefeito de São Paulo de que não poderia ter ajuda das arrumadeiras.

Além das demandas da casa, João Doria Jr. passou a trazer toalhas, cortinas, e outros tecidos de suas propriedades localizadas em Campos do Jordão. Até os guardanapos que eram usados em seu jatinho particular e jogos americanos que eram usados em seu escritório eram de responsabilidade de dona Josefa.

Segundo o documento, o grande fluxo de trabalho fazia com que ela ultrapassasse as horas determinadas no contrato de trabalho, que iam das 8h as 18h, com uma hora de almoço, de segunda a sexta-feira.

O processo de 100 páginas detalha como o excesso de peso fez com que dona Josefa desenvolvesse dores intensas no braço esquerdo, uma vez que ela era responsável, sozinha, pela lavagem de cortinas e tapetes extremamente pesados quando molhados. Um desgaste na cartilagem foi diagnosticado por um médico, que recomendou a diminuição do trabalho braçal. Mesmo com indicações médicas para que o trabalho fosse mais leve, João Doria Jr. se recusou a contratar uma ajudante para a empregada.

Como consequência da rotina insana de dona Josefa, pouco tempo depois seu quadro de saúde se agravou ainda mais. Um problema na bexiga, chamado prolapso da bexiga, foi constatado por um novo médico. Por conta do trabalho pesado, a bexiga de dona Josefa deslizou da sua posição anatômica e o quadro só poderia ser revertido com um processo cirúrgico.

No dia 15 de fevereiro deste ano, 2018, dona Josefa foi submetida a uma cirurgia para correção do problema e teve de ficar de repouso por 15 dias por orientação de seu médico, o especialista Dr. José Vicente C. Kosmiskas, que lhe forneceu um atestado médico. No dia 1º de março, um novo atestado de 11 dias foi expedido para dona Josefa, aumentando sua licença médica. No dia 5 do mês de março, mesmo em licença com atestado médico, a funcionária foi demitida por João Doria Jr., ex-prefeito de São Paulo e pré-candidato a governador do estado, de forma ilegal.

A ação tramita na justiça do trabalho desde Maio de 2018 e pede o pagamento das horas extras, que totalizam cerca de 23 mil reais, reintegração imediata de dona Josefa ao seu posto de trabalho e pagamento de idenização de R$27.800,00.

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