Dilma e Lula estão em Cuba para homenagear Fidel Castro

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Dilma Rousseff e Lula chegaram a Santiago de Cuba, cidade onde a revolução cubana se sagrou vitoriosa em 1959 e onde as cinzas de Fidel Castro serão sepultadas. Dilma publicou nas redes sociais a imagem de seu encontro com Evo Morales, presidente da Bolívia, e Lula disponibilizou o áudio de uma conversa com jornalistas cubanos. Segundo um repórter, todo o povo cubano assistiu a imagem do ex-presidente pintando “Viva Fidel”.

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Ouça o audio e leia a transcrição:

É a segunda vez que eu venho a Santiago de Cuba. A primeira vez que eu vim aqui, o companheiro Fidel emprestou um avião para que eu conhecesse Santiago de Cuba e várias outras cidades cubanas. E eu venho aqui com muita tristeza porque eu sei o que Fidel representava de inspiração para o povo pobre do mundo inteiro, para as pessoas que lutam por justiça social, para as pessoas que lutam por dignidade.

Eu tive o prazer de conviver quase 30 anos com o companheiro Fidel, antes de ser presidente, depois de ser presidente durante a presidência. E poucas vezes eu conheci uma pessoa com o comportamento e a dignidade do Fidel e um povo com a dignidade do povo cubano.

Certamente durante o período de revolução, sobretudo a partir do embargo, havia interesse para que Cuba não conseguisse fazer muito mais do que fez. Cuba com a qualificação profissional do seu povo, com a escolaridade do seu povo, Cuba poderia ter dado um salto de qualidade extraordinário, industrializado, ser um país de indústria de ponta, um país muito avançado cientificamente e psicologicamente, do ponto de vista científico, do ponto de vista tecnológico, com a formação cultural do povo cubano, seria certamente um dos países mais avançados do mundo.

Lamentavelmente o bloqueio não permitiu. Espero que com os acordos que o presidente Obama fez com o governo Raul, eu espero que daqui pra frente Cuba possa ter a oportunidade de mostrar a competência e a capacidade total do povo cubano. Não apenas para guerrear, não apenas pra cuidar da educação e da saúde, não apenas pra formar homens dignos. Mas sobretudo para formar oportunidades de desenvolvimento para o povo cubano, porque o povo merece.

E eu não poderia faltar nesse último momento do Fidel. Não poderia. Estive pensando em vir aqui há vários meses, tinha vontade de ver o Fidel antes dele morrer, mas não foi possível porque ele morreu antes. Mas de qualquer forma, esteja onde estiver ele sabe do carinho que eu tenho por ele, do respeito que tenho por ele, pelo que ele fez ao povo cubano.

Repórter – Todos os cubanos vimos seu gesto quando pintou na parede “Viva Fidel”. Esse é o sentimento de muitos brasileiros?

Eu estava muito nervoso porque a imprensa brasileira não tratou Fidel com o respeito que ele merece. Qualquer um tem o direito de discordar, mas as pessoas não podem perder o respeito. Eu acho que uma parte da imprensa brasileira perdeu o respeito por Fidel. E eu estava limpando a parede e me veio a ideia de escrever com o jato d’água de escrever “Viva Fidel”. E aí fiquei muito orgulhos do sucesso que teve aquela imagem, com milhões de pessoas que assistiram no Brasil e no mundo inteiro. Se eu pudesse, teria feito mais. Mas foi o que me ocorreu no momento. Estou triste pela morte do Fidel. Creio que perdemos umas pessoas mais significativas do século 20, eu dizia sempre: “era o último mito vivo.”

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