Contra o Aumento da Tarifa do Metrô em Belo Horizonte

Fotografia por Lucas Bois, parte do ensaio Métrica do Tempo.

Análise por André Veloso,
economista e ativista do Tarifa Zero

Bom, o governo Temer acaba de atacar uma das últimas e únicas políticas públicas progressistas na área de mobilidade urbana (e no geral também) que faltavam. Cortou recursos para a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e está acabando com o subsídio tarifário, enfiando nossa goela abaixo um aumento de quase 100%, sob a chantagem de parar o metrô de Belo Horizonte, caso não ocorra. Outras quatro capitais, Recife, João Pessoa, Natal e Maceió, também terão aumento no valor da tarifa de metrô.

É evidente que, assim como tem feito com outras estatais, o governo federal está seguindo a lógica de sucatear para depois privatizar.

É uma merda, mas infelizmente era ingenuidade achar que a CBTU ia passar incólume antes do fim do mandato do temeroso.

O mais cruel, de novo, é que todas as políticas do governo vão na carne dos mais pobres. Em Belo Horizonte, a tarifa do metrô estava congelada desde 2006, a R$1,80. Ainda vou fazer o cálculo detalhado, mas é fácil dizer que em 12 anos o preço real do metrô diminuiu pela metade, enquanto o preço real da tarifa de ônibus aumentou. Isso porque para o busão houve reajustes acima da inflação.

A consequência, pelo menos durante o período de redistribuição de renda dos últimos anos, foi um enorme aumento no uso do transporte e número de viagens realizadas pela população de mais baixa renda (ver tabela). Uma política democrática, de inclusão, que agora está na mira de quem quer ver o pobre longe da cidade.

Essa política pública (que era também uma política de preços) era real e concreta, mudou a vida das pessoas em seu cotidiano. É por isso, que apesar da barbárie crescente, temos que nos organizar, resistir, tomar a política pública para nós na marra.

 

Hoje, 11/05, tem ato unificado contra o aumento tarifário. Às 17h, na Praça Sete. Bora lá, pras ruas, de novo. Resistir e construir.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

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