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Texto de Sato do Brasil, jornalistas livres

Censura. Bolsonaro quer silenciar as imagens do inferno criado por ele e transformado em poesia e resistência por Arnaldo Antunes

Arnaldo Antunes manda uma bomba concreta que ensurdece nosso conforto de sofá.

NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO!

É pra sufocar nossa ambígua tranquilidade, nem vírgula pra poder respirar entre a negação e o que se vê a sua frente. Abre a porra da janela, da porta da sua casa, a cortina de seda que esvoaça sinais de fumaça de corpos e árvores queimando.

NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO!

O que você não quer ver são 80 tiros num carro de pai de família, são 9 corpos jovens inertes no barro de Paraisópolis, é Marielle sem resolução em um impasse de país. E somos nós, brasileiros de todos os lugares a colocar nossos fones de ouvido, nossas máscaras hospitalares, nossa venda de aluguel, pra não sentir o gosto da vergonha de não fazer nada. Arnaldo tira a cor do nosso mundo perfeitinho e quando menos você espera, já é a cor do sangue de outros que jorra das frases nervosas e secas de sua poesia. Poesia e vida concreta.

NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO! Miliciano não existe. Torturador não existe. Mas censura resiste. E esse clipe não existe mais na TV Brasil, retirado da programação sem nenhuma explicação, a mando do governo Bolsonaro. Censura das brabas, sequelas de ditaduras e Estados autoritários mas autoritarismo não existe. E funcionários da TV ainda circulam conversas ao pé do ouvido que nem Marielle existe. Para a TV Brasil, Marielle Franco é tabu, assunto proibido, nome riscado, notícia morta. É só pesadelo? Depois passa?

NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO!

Ainda assim, a realidade resiste. E que se possa ver tudo com suas cores e que sejam cores de uma reconstrução de país. Ilusão não!

NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO!

https://www.youtube.com/watch?v=xYzWROwqnbs

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