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O ódio ao pensamento

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Por Durval Muniz de Albuquerque Jr., da agência Saiba Mais

Todas as medidas tomadas no campo da educação, da ciência e tecnologia e da cultura demonstram que o governo Jair Bolsonaro tem verdadeiro ódio ao pensamento. Bolsonaro quer, autoritariamente, impedir que se pense diferente de suas ideias reacionárias e tacanhas. Ao punir com o corte de verbas as universidades que fariam “balbúrdia” e depois generalizar o corte de recursos para todas as instituições de ensino superior e para o ensino fundamental, o governo Bolsonaro deixa claro que educação nunca foi a sua prioridade, já que gente com acesso à educação costuma pensar, costuma ter senso crítico. Como nosso governante e seus seguidores, inclusive as duas figuras medíocres que nomeou para Ministros da Educação, não conseguem pensar além do senso comum, do mais rasteiro discurso ideológico de extrema-direita, todo aquele que questiona a doxa, todo aquele que propõe a reflexão torna-se suspeito e inimigo, torna-se um bagunceiro e comunista.

Para um governo que nomeia de “marxismo cultural” toda forma de pensar apoiada no senso crítico, a educação e a cultura só podem ser inimigas a ser perseguidas e aniquiladas. Nenhuma forma de educação exerce verdadeiramente o seu papel sem que faça o aluno pensar, desconfiar dos discursos do poder, analisar criticamente tudo o que é dito e feito. A sala de aula é o lugar em que o professor propõe aos alunos o desafio de ler, escrever e pensar como nunca fizeram antes. Qualquer professor está sempre pondo em questão as leituras já feitas, a escrita canônica, a rotina e a preguiça do pensamento.

O ataque do governo de extrema-direita e de seus seguidores aos professores, notadamente àqueles que ensinam as ciências humanas é coerente com um governo chefiado por alguém despido de valores humanistas, um homem movido pela brutalidade, pelo desejo de morte, pelo desrespeito aos direitos humanos. Bolsonaro e seus ideólogos sabem que as ciências humanas têm serventia, elas servem para realizar aquilo que não desejam que aconteça ou exista: elas servem para produzir subjetividades humanas, sujeitos humanos comprometidos e formados por valores humanistas, de respeito e valorização da vida humana, de aceitação e acolhimento do outro, do diferente, do diverso; as humanidades são fundamentais na formação de pessoas comprometidas com os valores democráticos e republicanos de convivência respeitosa com o contraditório, com o conflito, com a divergência, com o debate de ideias e com diferentes formas de vida e comportamento. Um governante que faz apologia da violência, que se elegeu à base de um discurso de ódio e desprezo às minorias sociais, um governo cujo líder é um personagem racista, homofóbico, misógino, que não consegue tolerar a existência de oposição, que vê como inimigo a abater todo aquele que não comunga com suas ideias extremistas e desumanizadoras, não pode mesmo achar que tenha algum valor as ciências humanas. Bolsonaro é a encarnação da visão tecnocrática e burocrática do homem, um ser adestrado, disciplinado, robotizado, destinado a execução de tarefas sem que se pergunte pelo sentido ou pela finalidade delas. Ele é o produto mais acabado da educação de caserna, que quer generalizar no país, uma educação bancária, tão criticada por Paulo Freire, não por mero acaso eleito como persona non grata pelo governo de plantão, uma educação formadora de seres adestrados e amestrados, executores autômatos de tarefas, que não questionam ou criticam suas condições de vida ou de trabalho, que não são capazes de ter uma visão crítica de seu presente, de sua sociedade, de sua cultura, das relações sociais em que estão imersos, tarefas precípuas das ciências humanas.

Para alguém que fez sua carreira política e se elegeu através da manipulação de ideias, do uso sistemáticos de bordões e mentiras, qualquer coisa que se pareça com a busca ou o questionamento da verdade, é balbúrdia e subversão. Bolsonaro, como Trump, é um mentiroso compulsivo, alguém que de tanto mentir termina por acreditar no mundo fantasioso que cria. Um candidato que no jornal de maior audiência do país apresenta um kit gay que sabe que não existe, que nunca existiu, que fala numa mamadeira de piroca que sabe que é uma invenção, deixa claro porque todo aquele discurso que impõe como critério a busca da verdade se torna incômodo. Esse é um governo que vive inventando fantasias e fantasmas para justificar seu fracasso e incúria. O desemprego é para o Chefe da Casa Civil culpa da má administração do PT, uma mentira que de tanto ser repetida virou verdade. Ao contrário, durante o primeiro governo Dilma, o país atingiu a mais baixa taxa de desemprego de todos os tempos. O governo do PT acabou faz quase três anos, anos nos quais o desemprego não parou de crescer. Se os combustíveis não param de subir a culpa é da crise na Venezuela, uma mentira que busca encobrir a política de preços praticada desde que o PT saiu do poder e que a Petrobras passou a se comportar como uma empresa privada, repassando seus custos de produção para o consumidor, custos agravados pelos desmontes e privatizações que setores da empresa vêm sofrendo. O país se desindustrializa, o PIB apresenta cada vez mais tendência de queda, a estagnação econômica é visível, e o presidente vai ao twitter comemorar a exportação de abacate para a Argentina, que não terá nenhum significado relevante para a economia brasileira.

Um governo que é uma farsa até do ponto de vista moral não pode gostar de nada que se pareça com conhecimento e informação. Sua aversão aos meios de comunicação não lacaios, sua atitude de hostilidade aos movimentos sociais e a todos os sujeitos políticos que adotam uma postura crítica em relação ao desgoverno que assistimos, denota o DNA autoritário desse governo, incapaz de conviver com o jogo político democrático. A destruição da TV pública, caminha a par com a destruição de todas as políticas de fomento a pesquisa científica e tecnológica. O CNPq, a nossa principal instituição de apoio às atividades científicas, sequer publicou o calendário de abertura e julgamento de editais desse ano, mesmo que já estejamos no mês de maio, pois seu orçamento não dá para honrar nem os compromissos já assumidos. Sem suplementação orçamentária não conseguirá continuar pagando as bolsas de estudo e pesquisa após o mês de setembro desse ano.

O moralismo de classe média que levou essa turma ao poder tem que agora conviver com um governo atolado em relações suspeitas com milícias, com denuncias de práticas de corrupção de alguns de seus ministros e dos filhos do próprio presidente. O presidente viola a legislação para condecorar seu guru e seus próprios filhos, salta a Constituição ao incentivar a morticínio no campo e na cidade, ao desobedecer as leis ambientais, ao interferir em ações de órgãos de fiscalização, ao censurar até propagandas institucionais, colocando seus gostos e interesses pessoais acima das obrigações, regramentos e liturgia do cargo que ocupa, sem que ninguém tenha ainda pedido o seu impeachment.

Bolsonaro gostaria que todo mundo no país tivesse as cabeças e as ideias dos parvos que o seguem com fervor nas redes sociais. Aqueles dispostos a repetir e repercutir qualquer bobagem que diga, qualquer mentira, qualquer dado ou notícia falsa que espalhe nas redes sociais. As universidades, as escolas, as atividades culturais são incômodas porque não se contentam com o achismo, exigem o dado, a investigação, a evidência, a experimentação, a prova; promovem o questionamento, a problematização, a crítica, a suspeita de tudo que quer se passar por fato, informação e verdade sem sê-lo. O professor é incômodo, o artista é incômodo porque faz perguntas, mais do que dá respostas, faz questões impertinentes para aqueles que se pretendem donos do poder e, por isso mesmo, da verdade. Bolsonaro não suporta o questionamento, o debate de ideias, o contraditório, logo transformados por ele em conflito e em xingamento, ele quer ver seus pontos de vista, sem nenhuma base, sem nenhum estudo, sem nenhum conhecimento, uma visão apoiada apenas em preconceito e ideologia reacionária prevalecer nem que para isso tenha que calar seus contendores. Seu governo age tão irresponsavelmente quanto ele ao tomar medidas que terão grande alcance social e repercussão no futuro do país sem que sejam antecedidas de estudos e pesquisas, sem que estejam embasadas em dados e na consulta a especialistas. São medidas tomadas a partir da sua vontade pessoal, porque seus interesses foram contrariados. Ele leva para o Estado suas demandas pessoais: acaba com a fiscalização eletrônica nas rodovias só porque foi multado, praticamente põe fim a fiscalização de crimes ambientais porque sofreu uma multa do Ibama, corta os orçamentos das universidades porque elas não se dobram a seu tacão e continuam sendo uma instância crítica na sociedade, promete aos ruralistas que eles vão poder se armar e matar os sem terra que reivindicarem a realização da reforma agrária. Não adianta que os especialistas nessas áreas digam quão equivocadas e daninhas serão essas medidas, como elas não só não vão resolver o que se propõem a resolver, como vão piorar a situação. Bolsonaro segue cego no seu programa de destruição do pensamento crítico, do conhecimento, da educação, da ciência e da cultura por seu ódio a quem pensa, a quem não se curva a seu discurso tosco e falacioso, às suas ideias de extrema-direita, à sua retórica anti-humanista, anticivilizatória, a quem não adere a sua pregação da barbárie e da truculência ignorante e cínica.

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Geral

A satanização do Irã pela mídia ocidental, um processo em desconstrução

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Eduardo Nunes Campos*

O índice de natalidade é baixo e o de alfabetização próximo dos 90%, sendo de quase 100% entre os jovens. A taxa de divórcio é elevada, superior a 50% em algumas grandes cidades, sendo parte dessa taxa derivada da pressão da mulher sobre o marido para pagar o dote ou aceitar a separação. As taxas de feminicídio não são conhecidas, mas não há indícios de que sejam elevadas. A legislação, contudo, é leniente com o marido que mata a esposa quando o adultério é inequivocamente comprovado, sendo perdoado ou recebendo uma pena leve, pelo fato de a traição da mulher, e apenas dela, ser considerada crime contra a honra.
Um dado curioso é que, apesar de o aborto e a homossexualidade serem vedados, o Irã é um dos países do mundo em que mais se realizam cirurgias de mudança de gênero, parte das quais custeadas pelo Estado. Está também no topo das rinoplastias, cirurgias para remodelar o nariz, percebidas cotidianamente nas ruas de Teerã. Em sentido contrário, raramente se encontra no Irã um homem usando gravata, vista como símbolo de opressão e da influência imperialista ocidental.

Irã Mall Fotos: Eduardo Campos


Os iranianos são doces, acolhedores e generosos, talvez como nenhum outro povo em todo o planeta. Estrangeiros que visitam o país são frequentemente convidados para jantares e chás em suas casas e por vezes até mesmo a se hospedarem nelas. Tratamento especial é dispensado aos visitantes, quaisquer que sejam eles, parentes, amigos ou aqueles até então desconhecidos. São sempre servidos em primeiro lugar e alvos de permanente atenção dos anfitriões.
A origem dessa hospitalidade e simpatia está na cultura persa e se expressa em um gesto de cortesia conhecido como “taarof”. Quando uma pessoa oferece alguma coisa a outra a praxe é inicialmente ouvir um “não, obrigado” como resposta. Se ela insiste é uma demonstração de que não se trata de uma oferta retórica, mas efetiva. Esse gesto polido é comum até mesmo quando se tem que fazer um pagamento de uma compra ou serviço prestado, quando o credor costuma recusar o dinheiro na primeira tentativa de quitação da dívida.
Mas há um fator adicional à cultura persa que ajuda a entender a postura simpática dos iranianos em relação aos estrangeiros que visitam o país: a consciência de que são um povo estereotipado, hostilizado e objeto de profundo preconceito ao redor do mundo. Sentem-se todos extremamente injustiçados com a visão discriminatória de que são vítimas, sejam os apoiadores da República Islâmica sejam seus opositores, que concordam, em maior ou menor grau, com críticas dirigidas ao sistema de poder e não admitem ser confundidos com ele.
Nem tudo, entretanto, são flores na sociedade iraniana para os não nativos no país. Os árabes, com quem são confundidos com frequência, são alvos de um enorme preconceito, cuja origem remonta ao passado de ambas as civilizações. Pertencem a grupos étnicos, linguísticos e culturais distintas, sendo a maioria dos iranianos de origem persa, havendo também um contingente significativo de azeris e curdos e em menor grau de outras etnias. Essa diversidade inclui até mesmo árabes, que constituem cerca de 2% da população nativa.
Adicionam-se às diferenças históricas as religiosas e as disputas pela hegemonia da região. Os iranianos que professam o islamismo são adeptos da corrente xiita, enquanto a maioria dos países árabes são de maioria sunita, exceção feita ao Iraque e ao Bahrein. Há também zoroastristas, judeus e cristãos no país e um número expressivo de seculares e ateus nas camadas mais jovens.

Ritual de fogo “Chaharshanbe Suri” Foto: Eduardo Campos


A guerra em curso e a primeira ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o país, em junho de 2025, estão tendo um papel importante na desconstrução dessa falsa imagem do Irã e de seu povo. A mídia convencional do Ocidente já não consegue esconder que o Irã é a vítima e não o algoz, ainda que continue se esforçando para sustentar que, em última instância, o país é o responsável pelos conflitos na região, e não a aliança entre o Império e os sionistas.
A unidade dos iranianos contra as agressões de que são alvos é um outro fator importante de desmascaramento da mídia mainstream. Não se trata de ignorar as contradições do país, o descontentamento de parcela considerável da população com a República Islâmica, mas de defender a sua soberania e da compreensão majoritária de que cabe aos iranianos, e tão somente a eles, resolverem os seus problemas internos.
O expressivo fortalecimento da mídia alternativa tem também cumprido um papel de grande relevo nesse processo. Cresce significativamente o alcance de canais progressistas no youtube, a plataforma substack, os sites contra-hegemônicos. Não por acaso, recente pesquisa feita a partir dos Estados Unidos constatou que Israel é hoje o país mais odiado do planeta, além de ter perdido o apoio da maioria da população estadunidense, o que seria impensável até alguns anos atrás.
O resgate das enormes qualidades do povo iraniano, de sua inteligência, de sua sabedoria e de sua cultura não deve ser visto apenas como uma reparação das injustiças que contra ele têm sido cometidas ao longo das últimas décadas, mas como um aprendizado para os segmentos progressistas da sociedade mundial que se deixaram enganar pelas falácias da mídia convencional do Ocidente. Ao mesmo tempo é imprescindível reconhecer e valorizar as ações anti-imperialistas da República Islâmica do Irã, independentemente de diferenças culturais ou mesmo ideológicas que se possa ter com ela.

(*) Jornalista

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Internacional

IRÃ: A GUERRA DAS CRIANÇAS

Irã se prepara para receber 20 milhões de peregrinos nas cerimônias de despedida do aiatolá Khamenei, que se iniciam na próxima sexta-feira (3)

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O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.

Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.

A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.

O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.

Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.

Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.

Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé.  Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.

Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres

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Geral

O caso Mariana Ferrer, por Honoré de Balzac

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

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O caso Mariana Ferrer por Honoré de Balzac

Por Dirce Waltrick do Amarante*

Quando o escritor francês Honoré de Balzac teve acesso ao vídeo da audiência de Mariana Ferrer, ele decidiu escrever o Código dos homens honestos, isso nos idos de 1875, mas só agora estou tornando públicas suas palavras, que estavam sob segredo de justiça.  

Em uma análise bastante rigorosa, Balzac lembra, em primeiro lugar, que sabemos perfeitamente bem que “em princípio, ficou estabelecido que a justiça seria para todos, mas […]” . A tradução é de Léa Novaes, pois Balzac tinha dificuldade em escrever em português.

Dito isso, ele fala da figura do procurador. Em tempos idos, diz Balzac, os procuradores “levavam tão a sério o interesse de um cliente que chegavam a morrer por eles”. Além disso, eles “nunca frequentavam a sociedade”, e se a frequentassem eram vistos como “monstros”, mas hoje, “hoje tudo está monetarizado: já não se diz que Fulano foi nomeado procurador-geral, vai defender os interesses de sua província […]. Não, nada disso; o senhor Fulano acaba de conquistar um belo posto, procurador-geral, o que equivale a honorários de vinte mil francos […]”.

Balzac ia falar da figura do juiz e do defensor público, mas depois de tudo que assistiu ficou sem as palavras justas para descrevê-los.

Então, o escritor francês decidiu se debruçar sobre o papel do advogado, que “frequenta bailes, festas […] despreza tudo o que não é elegante”. E, diz Balzac, “Justiça seja feita aos advogados […]! São os decanos, os chefes, os santos, os deuses da arte de fazer fortuna com rapidez e com uma sagacidade que os torna merecedores de muitos elogios”.

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

Não citei na íntegra o texto do Balzac, porque foram esses os únicos fragmentos aos quais tive acesso, os outros foram apagados.  

*Formada em Direito, em 1992, na Universidade Federal de Santa Catarina

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