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MANIFESTO #PERIFERIASCONTRAOGOLPE

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MANIFESTO #PERIFERIASCONTRAOGOLPE – Articulação autônoma e apartidária de artistas, ativistas, coletivos, movimentos, organizações e cidadãos em geral, moradoras e moradores das periferias contra o golpe e por uma real democracia. Não apoiamos políticos nem partidos ESPECÍFICOS.

MANIFESTO

Nós, moradoras e moradoras das periferias, que nunca dormimos enquanto o gigante acordava, estamos aqui pra mandar um salve bem sonoro aos fascistas: somos contra mais um golpe que está em curso e que nos atinge diretamente!

Nós, que não defendemos e continuamos apontando as contradições do governo petista, que atendeu poucas das nossas demandas reais enquanto se aliou com quem nos explora. Nós, que também nos negamos a caminhar lado a lado de quem representa a Casa Grande.

Nós, periféricas e periféricos, que estamos na luta não é de hoje. Nós, que somos descendentes de Dandara e Zumbi, sobreviventes do massacre de nossos antepassados negros e indígenas, filhas e filhos do Nordeste, das mãos que construíram as grandes metrópoles e criaram os filhos dos senhores.

Nós, que estamos à margem da margem dos direitos sociais: educação, moradia, cultura, saúde.

Nós, que integramos movimentos sociais antes mesmo do nascimento de qualquer partido político na luta pelo básico: luz instalada, água encanada, rua asfaltada e criança matriculada na escola.

Nós, que enchemos laje em mutirão pra garantir nosso teto e conquistar um pedaço de chão, sem acesso à terra tomada por latifundiários e especuladores, que impedem nosso direito à moradia e destroem o meio ambiente e recursos naturais com objetivo de lucro.

Nós, que sacolejamos por três, quatro horas por dia, espremidos no vagão, busão, lotação, enfrentando grandes distâncias entre nossas casas aos centros econômicos, aos centros de lazer, aos centros do mundo.

Nós, que resistimos a cada dia com a arte da gambiarra – criatividade e solidariedade. Nós, que fazemos teatro na represa, cinema na garagem e poesia no ponto de ônibus.

Nós, que adoecemos e padecemos nos prontos-socorros e hospitais sem maca, médico, nem remédio.

Nós, que fortalecemos nossa fé em dias melhores com os irmãos na missa, no culto, no terreiro, com ou sem deus no coração, coerentes na nossa caminhança.

Nós, domésticas, agora com carteira assinada. Nós, camelôs e marreteiros, que trabalhamos sol a sol para tirar nosso sustento. Nós, trabalhadoras e trabalhadores, que continuamos com os mais baixos salários e sentimos na pele a crise econômica, o desemprego e a inflação.

Nós, que entramos nas universidades nos últimos anos, com pé na porta, cabeça erguida, orgulho no peito e perspectivas no horizonte.

Nós, que ocupamos nossas escolas sem merenda nem estrutura para ensinar e aprender. Nós, professoras e professores, que acreditamos na educação pública e não nos calamos e falamos sim de gênero, sexualidade, história africana e história indígena – ainda que tentem nos impedir.

Nós, que somos apontados como problema da sociedade, presas e presos aos 18, 16, 12 anos, como querem os deputados.

Nós, cujos direitos continuam sendo violados pelo Estado, levamos tapa do bandeirante fardado, condenados sem ser julgados, encarcerados, esquecidos, quando não assassinados – e ainda dizem: “menos um bandido”.

Nós, mulheres pretas da mais barata carne do mercado, que sofremos a violência doméstica, trabalhista, obstétrica e judicial, e choramos por filhos e filhas tombados pelo agente do Estado.

Nós, gays, lésbicas, bissexuais, travestis, homens e mulheres trans, que enfrentamos a a violência e invisibilidade, e não aceitamos que nos coloquem de volta no armário.

Nós, que não aceitamos nossa história contada por uma mídia que não nos representa e lutamos pelo direito à comunicação. Nós, que estamos construindo, com nossa voz, as próprias narrativas: poesia falada, cantada, escrita.

Nós, que sempre estivemos nas ruas, nas redes, nas Câmaras, na cola dos politiqueiros de plantão e que agora somos taxados de terroristas por causa de nossas lutas. Nós, que aprendemos a fazer até leis para continuar lutando por nossos direitos. Nós, que garantimos a duras penas o mínimo de escuta em espaços de poder, não aceitamos dar nem um passo atrás.

Nós, que somos de várias periferias, nos manifestamos contra o golpe contra o atual governo federal promovido por políticos conservadores, empresários sem compromisso com o povo e uma mídia manipuladora.

Não compactuamos com quem vai às ruas de camisa amarela com um discurso de ódio, fascista, argumentando o justo “combate à corrupção” mas motivado por interesses privados. Não compactuamos com quem defende a quebra da legalidade para beneficiar a parcela abonada da população, em troca do enfraquecimento do Estado Democrático de Direito pelo qual nós dos movimentos sociais periféricos lutamos ontem, hoje e continuaremos lutando amanhã.

Nós, que sabemos que a democracia real será efetiva apenas com a ampliação de direitos e conquistas de nosso povo preto, periférico e pobre, a partir da esquerda e de baixo pra cima.

Nós, que conquistamos só uma parte do que sonhamos e temos direito, não admitimos retrocesso. Reivindicar o respeito à soberania das urnas e a manutenção do Estado Democrático de Direito. Reivindicamos as ruas enquanto espaço de diálogo, debate e fazer político, mas nunca como território do ódio. Reivindicamos nossa liberdade de expressão, seja ela ideológica, política ou religiosa. Reivindicamos a desmilitarização das polícias, da política e da vida social. Reivindicamos o avanço das políticas públicas, dos direitos civis e sociais.

Não vai ter golpe. Não vai ter luto. Haverá Luta.

Assinam:
#VILAMARUMBICONTRAOGOLPE
A Melhor da Cidade Cia Teatral
A.L.M.A. Associação de Luta por Moradia de Americanopolis
Abayomi Ateliê
Ação Educativa
África Plus Size Brasil
Africanamente Escola de Capoeira Angola
Afro Hooligans
AfroeducAÇÃO
Agencia Popular Solano Trindade
Agenda Preta
AGENDES Agencia de Desenvolvimento Social
Ago Lona
Aláfia
Algodão de Fogo
Aliança de Responsabilidades por Sociedades Sustentáveis
Aliança Negra Posse
AllaCoci
Alunos da Pedagogia Ufscar
Amigos da Terra Brasil
Anomia Coletivo
APSP – coletivo de gênero
Arebeldia – BH – MG
Arquitetos Sem Fronteiras Brasil
Artesãos de bteailia
Articulação Brasileira de Gays
As 10 Graças de Palhaçaria
Assoc. Moradores Vale dos Canudos
Associação A BANCA
Associação amigos do basquete do Riviera
Associação Beneficente Camargo Novo e Adjacências
Associação Brasileira de Pesquisadores da Economia Solidária – ABPES
Associação Coletivo Cinemateus
Associação Comunitária de Ação Social do Bairro Tupi ASCOMASBT
Associação Cultural CONPOEMA
Associação Cultural Fábrica de Cinema
Associação cultural História em Construção
Associação Cultural José Marti da Baixada Santista
Associação Cultural Literatura no Brasil
Associação de Arte e Cultura Periferia Invisível
Associação de povos e comunidades Tradicionais de matrizes africanas e Afro brasileira Katina da Silva
Associação dos Moradores do Caranguejo
Associação dos Moradores do Jardim Casa Branca e Adjascências
Associação dos Pacientes Renais de Presidente Epitácio e Região
Associação Esportiva Araguaia
Associação Franciscana DDFP
Associação H² M.O.R Hip Hop Movimento Organizado de Rua
Associação Participe de Comunicação Social
Associação Prosa na Serra
Associação Ritmo Urbano e Arte – ARUA
Associação Sou Andreense
Ateliê aberto Sagrado Interior
Ateliê Azu
atelier mata adentro
Audácia – Q.I. Alforria
Azulmata #SouPeriferia
Baciada das Mulheres do Juquery
Banco Comunitário União Sampaio
Baobá Arte e Educação
BIBLIOTECA CAROLINA MARIA DE JESUS
Bloco do Beco
Bloco do Hercu
Bloco do Padreco
Bloco Saci da Bixiga
Blog Combate Racismo Ambiental
Blog do Ivanovitch 2
Blog Ecos da Periferia
Blog Inspiração Sustentável
Blog NegroBelchior
Blog Sarau Para Todos
Blogueiras Negras
Bocada Forte
Brava Companhia
Brechoteca Biblioteca Popular
Brigadas Populares
Cagebê
Cais – Cultura, Arte e interação Social
Candaces Organização de Mulheres Negras e Conhecimento de Juiz de Fora -MG
Capulanas Cia de Arte Negra
Casa da Imaginação
Casa das Crioulas
Casa de Cultura do Campo Limpo
Casa Dharma
Casa do Hip Hop de Bauru
Casa do Hip Hop Sanca e Movimento Hip Hop de São Carlos
Casa do Menor Trabalhador-RJ
Casa Frida – Casa Popular de Cultura de Rua Frida Kahlo
Casa Popular de Cultura de M’Boi Mirim
Casadalapa
Ccaass
CCB – Centro Cezar Baiano de Cultura e Educação Popular
Cedeca Interlagos
Centro comunitario do taquaril
Centro Cultural Marcelo Breunig
Centro Cultural Monte Azul
Centro de Apoio as Atividades Populares – CAAP
Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Colinas
Centro de Educação e Assessoria Popular-CEAP
Chorinho no Monte
Cia Brasílica
CÍA DOS PRAZERES
Cia Enchendo Laje & Soltando Pipa
Cia Humbalada de Teatro
Cia Janela do Coletivo
Cia La Leche
CIA PATAQUADA
Cia Sansacroma
Cia São Jorge de Variedades
Cia Teatral Língua de Trapo – Ponto de Cultura
Cia Teatral Cabras
Cia Teatro Balgan
Cia Treme Terra e Ponto de Cultura Afrobase
Cia. Ópera Brasília
Cia. Os Fofos Encenam
Cia. Teatral Aos Quatro Ventos
CicloZN
Cidade Hip Hop
Cine Campinho
Cine da quebrada
Cine grilo
CineBecos
Cinequanon Cultural/ Projeto Nêga Rosa / Coletivo Juventude Sem Fronteirass
Círculo Palmarino
Claudias,Eu?Negra!
CNLB – CONSELHO NACIONAL DO LAICATO DO BRASIL
Cojira/SP: Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial
Coleta Filmes
Coletiva de Vadias de Campinas
Coletiva Estamira de Mulheres Psicólogas
Coletive Friccional
Coletive Zoooom
coletivo +culturaarapongas
Coletivo ABAYOMI ABA
Coletivo Advogados para a Democracia (www.coade.net.br)
Coletivo ArteFato
Coletivo Brincantes Urbanos
Coletivo Cafuzas
Coletivo Canal Motoboy
Coletivo Candeia
Coletivo Cidadania LGBT Embu das Artes
Coletivo Claudias, Eu? Negra!
Coletivo Coletores
Coletivo Cravo Branco
COLETIVO CRONOTOPO
Coletivo Cultural Estado de Poesia
Coletivo Cultural Marginaliaria
Coletivo Cultural Ouvido Médio
Coletivo Cultural Pic Favela
Coletivo Cultural Sankofa
Coletivo Cutucar
Coletivo DasPrê
Coletivo de Comunicação Desenrola E Não Me Enrola
Coletivo de fotógrafos Lente Quente/Jornalismo UEPG
Coletivo de Galochas
Coletivo de Mulheres Negras Louva Deusas
Coletivo de Negras e Negros EACH
Coletivo Dente de Leão
Coletivo Eletro Tintas
Coletivo em Silêncio, Reage Artista
Coletivo Encontro de Utopias
Coletivo Estudantes de Luta
Coletivo FABCINE
Coletivo Feminista Baré
Coletivo Fezozine
Coletivo Fora de Frequência
Coletivo Garrafas Térmicas
Coletivo Juventude Ativa
Coletivo Laço Clã
Coletivo Levante Mulher
Coletivo LGBTTs Santo Ângelo – RS
Coletivo literario Sarau Elo da Corrente
Coletivo Livros ao Vento
Coletivo Maloqueria Fortaleza
Coletivo Malungo
Coletivo Merlino
Coletivo Mjiba
Coletivo Modtrip
Coletivo MOJUBÁ -Minha Ancestralidade te incomoda?
Coletivo Muros que Gritam…
Coletivo Negro Afromack
Coletivo novos poetas da vila nhocune
Coletivo Oralidade Poética
Coletivo Pé na Massa
Coletivo Pedala-se
Coletivo Perifatividade
Coletivo Periferia Resiste
Coletivo Pretas Peri
Coletivo R.U.A.
Coletivo R5
Coletivo Religare
Coletivo Sasso
Coletivo Sistema Negro
Coletivo Socializando Saberes
Coletivo sócio-educativo Quilombo do Morro
Coletivo Tenda Literária
Coletivo Transformar
Coletivo Verde América
Coletivo Vie La En Close
Coletivo VOZ
Coletivo Voz Ativa
Coletivo Voz da Leste
Coletivo-Movimento de Moradia- Sapopemba
ColetivoFilhas da Luta
comitê de mulheres do territórios da borborema pb
Comitê Juventude e Resistência Z/S – SP
Comitê Popular de Santos pela Verdade, Memória e Justiça
Companhia dos Atores do Rei
Companhia Teatral Sama Elyon
Companhiadanaoficcao
Compostela (Galiza)
Comunidade Cidadã
Comunidade Cultural Quilombaque
Congresso Nacional Unitário de Capoeira
Conjunto Coisa da Antiga
CONSELHO TUTELAR DE ÁGUAS CLARAS
Contadores de Incompletudes
Cooperifa
COOPERSOL
CORDÃO CARNAVALESCO BOCA DE SEREBESQUE
Correspondência Poética
CUME
Cursinho Popular TRANSformação
DCE Novo Mané – Diretório Central dos Estudante da UTFPR – Campus Londrina
Debate Progressista
Descompan(h)ia demo_lições artísticas iLTDAs
DiCampana
Docentes,Setvidores e Estudantes UFBA
Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes
DRE Campo Limpo
Duplalêlê – Contação de historias
ECLA – Espaço Cultural Latino Americano
Editora Essencial
EITA AÇÃO CULTURAL
EITA! Sarau
Engenho Teatral
Ensaio Para Um Coletivo
Equipe EJA/MOVA Osasco
ERRO Grupo (Florianópolis/SC)
Espaço Comunidade
Espaço Cultural CITA
Espaço Gnu Lab
Espaço Popular Teresa de Benguela
Estudantes Pela Legalidade
Eu Amo Baile Funk
Expo Comunidade
Favela, uma foto por dia
FECEB RN
Federacao das Associações de Moradores do Estado de Minas Gerais _ FAMEMG
Fiandeiras Real Parque
Fome Noise
Forro da Quebrada
Fórum de Cultura São Mateus
Fórum Direito à Verdade à Memória e à Justiça
Fórum Municipal de Trabalhadores do SUAS – Belo Horizonte
Fragmento Urbano Dança
Frente Antifascista de Pernambuco
Frente de Resistência Samba do Congo
Frente Feminina de Hip Hop de Bauru
Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop
Fuck City Crew
GEDS grupo de estudos drogas e sociedade
Gelateca
GEMAPP: grupo de elaboração, monitoramento e avaliação de projetos sociais
GeoGrafit
GOMA – Casa de Comunicação e Arte
Grêmio kami Thanatos Y Hypnos
GREMIO RECREATIVO CULTURAL E BENEFICENTE ESCOLA DE SAMBA EM CIMA DA HORA PAULISTANA
Grupo 011
Grupo Arruaça
Grupo candearte
Grupo Clarianas
Grupo Clariô de Teatro
Grupo de Coco Semente Crioula
Grupo de Pesquisas Ufológicas Ufo-Gênesis
Grupo doBalaio
Grupo Livre Ameaça
Grupo Nóis de Teatro
Grupo noroeste
Grupo Pandora de Teatro
Grupo Parthos
Grupo Pés Esquerdos de Teatro Feminista
Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo
Grupo Transformar
Grupo Tufo de Diadema
Guardiões Griô
Guerra Urbana banda punk
Haphirma Coletivo cultural – Trepe Origens
Hip Hop Mulher (Assoc. A Mulher e o Movimento Hip Hop)
Hip Hop No Monte
Homems de Saia – Coletivo Bicho Solto
IACOREQ – Instituto de Assessoria as Comunidades Remanescentes de Quilombos RS
IAJUM
Illumina Imagens e Memória
Ilú Obá de Min
Imaginaria Cultural
Imargem
Iniciativa Negra por Uma Nova Política de Drogas – INNPD
Instituto Amazônico de Comunicação e Educação Popular – IACEP Amazônia
Instituto Bela Flor de Lis
Instituto Bem Estar Brasil
Instituto Conviver
Instituto GG5 de Desenvolvimento Comunitário
Instituto Hoju
Instituto Kairós
Instituto Nangetu
Instituto Orbis de Proteção e Conservação da Natureza
Instituto Palmas
Instituto Pombas Urbanas
IPAC – Instituto de Pesquisas e Ação Comunitária
IPDM – Igreja Povo de Deus em Movimento
Irmandade dos Martires da Caminhada
Jardim Miriam Arte Clube – JAMAC
Jazz da Comunidade
Jequitibá Cultural
Jongo da Serrinha
Jornada pela Democracia
Jornal Vozes da Vila Prudente
jornalistas livres
Juventude Libre Cotia
Juventude Politizada Parelheiros
Juventude Revolução
K-Tchal Produções
Kalandis
Kilombagem
Kiwi Companhia de Teatro
La Plataformance
Lab Fantasma
labExperimental.org
Laboratório de Corpo e Arte UNIFESP
Lado (B)lack
Laia Periférica
Leão de Judah
Leela Grupo Teatral
Lentes Periféricas
Levante Popular da Juventude
Levante Popular da Juventude maranhao
Liga dos Invasores
Liga Panelladexpressão
LiteraRUA
luau7
Malditos Dramaturgos!
MAP (Movimento Aliança da Praça)
Maracatumba – RJ
Marcha Mundial das Mulheres
Maria Gal
MASSAPEARTS
MDM Movimento pelo direito a Moradia
Me Parió Revolução – Selo Editorial Feminino/Periférico
Medicos pela democracia
menor slam do mundo
Mesoperiferia
Mídia Lunar
Midia Periferica
Minas Acepusp
Mixtura
MNCCD – Movimento Nacional Contra Corrupção e pela Democracia
Movimento #semprenaluta! Manaus
Movimento Artístico Cultural e Ambiental de Caeté – Macaca
Movimento Cultural Ermelino Matarazzo
Movimento Cultural Grajau
Movimento Cultural Penha
Movimento de mulheres negras
MOVIMENTO FORA DA ORDEM
Movimento Hip-Hop Organizado (MH2O)
Movimento Independente Mães de Maio
Movimento Mudança
Movimento Nossa Itaquera
Movimento Ocuparte
MOVIMENTOS EM REDE
MQG
MSU Movimento dos Sem Universidades
MTD – Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos
MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
MUDA SP/ Boraplantar/ Zona da Mata
Mudança de Cena
Mulheres de Pedra – RJ
Mundicoisa
Na Função Produções Artísticas
Nação Hip-Hop Brasil
NaMargem – Núcleo de Pesquisas Urbanas
Negras e negros contra o retrocesso
Nenhum
NEPAIDS-USP – Nucleo de Estudos para a Prevenção da Aids da Universidade de São Paulo
Ninguém Lê
Nós, Madalenas
Núcleo Bartolomeu de Depiimentos
Núcleo de Consciência Negra da USP
Núcleo de Direitos Humanos da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo
Núcleo de Economia Solidária da Universidade de São Paulo (NESOL-USP)
Núcleo de ensino, pesquisa e extensão Conexões de Saberes na UFMG
Núcleo Mulheres Negras
Núcleo Negro Unifesp Guarulhos
Núcleo Poder e Revolução
Núcleo Reflexos de Palmares – UNIFESP Baixada Santista
Núcleo Teatral Filhos da Dita
Nuraaj – núcleo de referência em atenção à adolescência e à juventude – Instituto Sedes Sapientiae
O Estopim – Coletivo Nacional de Juventude
O SONO SOLO
Observatório da Juventude – Zona Norte
Observatório da Juventude da UFMG
Observatório Permanente dos Conflitos Urbanos de Campinas/SP
Observatório Popular de Direitos
Oca Materna Arte educação e Sustentabilidade
OCUPE-SE: A LUTA ENTRE O LÁPIS E A BORRACHA
ONG – ORGANIZAÇÃO ARTÍSTICA SOCIAL
ONG DEFESA DE DIREITOS
ONG_OAS – Alpinópolis – MG.
Onze Horas Cia. de Teatro
Oriashé Org.Mulheres Negras- Cohab Cidade Tiradentes/SP
Os Joncas -Piaui
Ótica Marginal
Panaméricas Diásporas
Parceiros em Luta
Pastoral da Juventude do Meio Popular
Pastoral operaria diocese de campina grande pb
Periaferia Ativa
Periferia Cultura e Resgate
Periferia em Movimento
Phábrika de Arthes
Piratas Urbanos
PJMP
Pode Pá Perus: Hiphopnaação
Poesia Coletiva
Poesia Maloqueirista
Poetas Ambulantes
Poetas do Tietê
Ponto de Cultura Acesso Hip Hop
Portal Flores no Ar
Portal Mulheres no Hip Hop
Praçarau
Programa Empoderadas
Projeto 100 Histórias Negras
Projeto Comunidade Samba do Monte
Projeto Espremedor
Projeto Tipo Ubuntu
Protesto Materno
Quebrada de Coco
Quilombação
Quilombo do Morro
Radicais Livres S/A
Rádio Cirandeira
Raiz criola
Reciclados Artisticos
Rede Liberdade
Rede Pipa
Rede Popular de Cultura Mboi Campo Limpo
Rede popular solidaria
Rede Sem Fronteiras de Teatro da/o Oprimida/o
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
rede vencer juntos
Reduto do Rap
Refundação Comunista
Revista FaveLê
RNP Núcleo RN
Rodas de leitura
Role de Bike
Rua de Fazer
Rumos Consultoria em Desenvolvimento Sustentável
SAJU UFSC (Serviço de Assessoria Jurídica Universitária Popular)
Samba do Bulle
SAMBAQUI
Sanatório Produções
São Mateus em Movimento
Sarau Comungar
Sarau D’Quilo
Sarau do Binho
sarau do burro
Sarau do Grajaú
Sarau do Pira
Sarau Itinerante
Sarau na Quebrada
Sarau O que dizem os Umbigos?!
Sarau Preto
SARAU QUINTA EM MOVIMENTO
Sarau Sem Poetas
Sarau Sobrenome Liberdade
Sarau Suburbano
Sarau Verso em Versos
Sarauzim Mesquiteiros
selo do burro
Sessão de Fatos
Setenta vezes sete
Shabazz Empire
Sindicato de Engenheiros/RJ
Sindicato dos Economistas de Minas Gerais
Sinttel
Sítio da Cultura Popular
Slam da Guilhermina
Slam da Ponta
Slam do Grito
Slums
Só Com Vinil
Sociedade Sem Prisões
SOU DANDARA
Soul Rueiro
SóZine
SP Invisível
SUATITUDE (Sindicato Urbano de Atitude)
Tafari Sound System
Teatro da Vertigem
Teatro Girandolá
Teatro União e Olho Vivo
Toca do Lobo Produções – Complexo do Alemão
TRÓPIS iniciativas socioculturais
Trupe na RUA
Turma D’ Raiz – Essência Velha Escola
Turnê SaraÔnica
UNAS Heliópolis
Uneafro Brasil
União Brasileira de Mulheres
UNIÃO DA JUVENTUDE BRASILEIRA
Uniao de mulheres de SP
União Nacional por Moradia Popular
Unidade Produtiva TERRA ZINE
Unisol Brasil
Universidade da Correria
Vila 57 – Feira da Mata-Ba
Visão Soluções Sociais
Zumaluma
Zumbiblioteca
Também assinam individualmente este manifesto mais de 2.400 cidadãs e cidadãos, artistas, militantes, que moram nas periferias. Acesse a lista em: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1690mdt16LZbO_N6Pzrr6YSUNuBkmj3lbBrH0NrDK7mI/edit?usp=sharing
Para assinar individual ou coletivamente, preencha o formulário no link: http:/http://goo.gl/forms/ZK6G0QS1xY.

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Geral

A satanização do Irã pela mídia ocidental, um processo em desconstrução

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Eduardo Nunes Campos*

Desde 1979, ano da Revolução Islâmica, o Irã e a sociedade iraniana são rotulados mundo afora como símbolos de terrorismo, de crueldade, de violência, de preconceito. Essa imagem foi sendo sistematicamente construída pelo mainstream ocidental, através das grandes mídias e do cinema, sobretudo a partir dos Estados Unidos e da Europa, em especial o Reino Unido, de seus aliados em outros continentes e dos vizinhos árabes da civilização persa.
Para além das mudanças internas promovidas pelas lideranças xiitas que assumiram o poder, o Irã, antes totalmente subjugado aos interesses dos Estados Unidos e da Inglaterra, tornou-se o país mais anti-imperialista do mundo, minando o poder do Império na Ásia Ocidental. A região passou a ser taxada de Oriente Médio a partir do final do século XIX, refletindo a visão eurocêntrica do continente, que se considerava a grande referência histórica e cultural do planeta.
O isolamento do país na região se expressa na criação do Conselho de Cooperação do Golfo, em 1981, constituído pela Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes, Kwait e Omã. O surgimento da instituição reflete a desconfiança desses países em relação à Revolução Islâmica, mas é instigado pelos Estados Unidos. Em 1980 emerge a “Doutrina Carter”, segundo a qual o país usaria força militar para defender seus interesses no Golfo Pérsico, mirando sobretudo o petróleo e em contraposição à invasão do Afeganistão pela União Soviética. A partir da chamada “Guerra do Golfo” (1990-1991), bases estadunidenses foram instaladas em todos os países do Conselho.

Irã Mall Foto: Eduardo Campos

A construção da imagem do Irã como um Estado terrorista contradiz sua história. Desde o final do século XVIII o país não ataca nenhum outro, a não ser revidando agressões sofridas. É oponente declarado das facções islâmicas extremistas e sectárias, como os salafistas, aos quais se vinculam o Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
Essa falsa imagem do país forjada pelo Ocidente atingiu diretamente os iranianos, que passaram a ser vistos como um povo violento, atrasado e preconceituoso. A iranofobia é uma junção de estereótipos, xenofobia e islamofobia. O que a torna mais grave ainda é o fato de ter sido assimilada por parte expressiva do mundo progressista, em função da escassez ou mesmo da inexistência, até recentemente, de canais globais de alcance significativo capazes de fazer uma contraposição efetiva ao mainstream.
Ao contrário da visão propagandeada, os iranianos são muito inteligentes e cultos. Amantes das artes, são historicamente conhecidos por sua tapeçaria única, destacando-se também sua arquitetura, a poesia, a música, a caligrafia como arte visual e a produção de filmes excepcionais. Seu lazer inclui também a prática sistemática dos piqueniques envolvendo familiares e amigos.

Destaca-se ainda em sua cultura a celebração do Ano Novo, o Nowruz, que se inicia entre 20 e 21 de março, quando começa a primavera, e se estende por 13 dias. Na véspera da última quarta-feira do ano persa realiza-se um ritual de fogo por todo o país, chamado “Chaharshanbe Suri”, que tem origem no zoroastrismo. As pessoas acendem fogueiras em espaços abertos ao longo da noite e saltam sobre as chamas para se purificar e afastar o que de negativo aconteceu no ano que se passou e emanar energias positivas e saúde para o ano que se inicia.

Ritual de fogo “Chaharshanbe Suri” Foto: Eduardo Campos

A sociedade apresenta traços de modernidade que contrastam com outros de natureza conservadora. O homem é considerado o provedor da família e tem que oferecer um dote à mulher quando se casam, mas contingente significativo de mulheres já tem seu lugar no mercado de trabalho. As mulheres, a despeito das restrições que lhes são impostas pela República Islâmica, cujas normas têm forte componente machista, ocupam posição de relevo em várias áreas, constituindo cerca de 60% dos estudantes universitários do país, com destaque para sua presença nas áreas de Engenharia e Ciências.

O índice de natalidade é baixo e o de alfabetização próximo dos 90%, sendo de quase 100% entre os jovens. A taxa de divórcio é elevada, superior a 50% em algumas grandes cidades, sendo parte dessa taxa derivada da pressão da mulher sobre o marido para pagar o dote ou aceitar a separação. As taxas de feminicídio não são conhecidas, mas não há indícios de que sejam elevadas. A legislação, contudo, é leniente com o marido que mata a esposa quando o adultério é inequivocamente comprovado, sendo perdoado ou recebendo uma pena leve, pelo fato de a traição da mulher, e apenas dela, ser considerada crime contra a honra.
Um dado curioso é que, apesar de o aborto e a homossexualidade serem vedados, o Irã é um dos países do mundo em que mais se realizam cirurgias de mudança de gênero, parte das quais custeadas pelo Estado. Está também no topo das rinoplastias, cirurgias para remodelar o nariz, percebidas cotidianamente nas ruas de Teerã. Em sentido contrário, raramente se encontra no Irã um homem usando gravata, vista como símbolo de opressão e da influência imperialista ocidental.
Os iranianos são doces, acolhedores e generosos, talvez como nenhum outro povo em todo o planeta. Estrangeiros que visitam o país são frequentemente convidados para jantares e chás em suas casas e, por vezes, até mesmo a se hospedarem nelas. Tratamento especial é dispensado aos visitantes, quaisquer que sejam eles, parentes, amigos ou aqueles até então desconhecidos. São sempre servidos em primeiro lugar e alvos de permanente atenção dos anfitriões.
A origem dessa hospitalidade e simpatia está na cultura persa e se expressa em um gesto de cortesia conhecido como “taarof”. Quando uma pessoa oferece alguma coisa a outra a praxe é inicialmente ouvir um “não, obrigado” como resposta. Se ela insiste é uma demonstração de que não se trata de uma oferta retórica, mas efetiva. Esse gesto polido é comum até mesmo quando se tem que fazer um pagamento de uma compra ou serviço prestado, quando o credor costuma recusar o dinheiro na primeira tentativa de quitação da dívida.
Mas há um fator adicional à cultura persa que ajuda a entender a postura simpática dos iranianos em relação aos estrangeiros que visitam o país: a consciência de que são um povo estereotipado, hostilizado e objeto de profundo preconceito ao redor do mundo. Sentem-se todos extremamente injustiçados com a visão discriminatória de que são vítimas, sejam os apoiadores da República Islâmica sejam seus opositores, que concordam, em maior ou menor grau, com críticas dirigidas ao sistema de poder e não admitem ser confundidos com ele.
Nem tudo, entretanto, são flores na sociedade iraniana para os não nativos no país. Os árabes, com quem são confundidos com frequência, são alvos de um enorme preconceito, cuja origem remonta ao passado de ambas as civilizações. Pertencem a grupos étnicos, linguísticos e culturais distintas, sendo a maioria dos iranianos de origem persa, havendo também um contingente significativo de azeris e curdos e em menor grau de outras etnias. Essa diversidade inclui até mesmo árabes, que constituem cerca de 2% da população nativa.
Adicionam-se às diferenças históricas as religiosas e as disputas pela hegemonia da região. Os iranianos que professam o islamismo são adeptos da corrente xiita, enquanto a maioria dos países árabes são de maioria sunita, exceção feita ao Iraque e ao Bahrein. Há também zoroastristas, judeus e cristãos no país e um número expressivo de seculares e ateus nas camadas mais jovens.
A guerra em curso e a primeira ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o país, em junho de 2025, estão tendo um papel importante na desconstrução dessa falsa imagem do Irã e de seu povo. A mídia convencional do Ocidente já não consegue esconder que o Irã é a vítima e não o algoz, ainda que continue se esforçando para sustentar que, em última instância, o país é o responsável pelos conflitos na região, e não a aliança entre o Império e os sionistas.
A unidade dos iranianos contra as agressões de que são alvos é um outro fator importante de desmascaramento da mídia mainstream. Não se trata de ignorar as contradições do país, o descontentamento de parcela considerável da população com a República Islâmica, mas de defender a sua soberania e da compreensão majoritária de que cabe aos iranianos, e tão somente a eles, resolverem os seus problemas internos.
O expressivo fortalecimento da mídia alternativa tem também cumprido um papel de grande relevo nesse processo. Cresce significativamente o alcance de canais progressistas no youtube, a plataforma substack, os sites contra-hegemônicos. Não por acaso, recente pesquisa feita a partir dos Estados Unidos constatou que Israel é hoje o país mais odiado do planeta, além de ter perdido o apoio da maioria da população estadunidense, o que seria impensável até alguns anos atrás.
O resgate das enormes qualidades do povo iraniano, de sua inteligência, de sua sabedoria e de sua cultura não deve ser visto apenas como uma reparação das injustiças que contra ele têm sido cometidas ao longo das últimas décadas, mas como um aprendizado para os segmentos progressistas da sociedade mundial que se deixaram enganar pelas falácias da mídia convencional do Ocidente. Ao mesmo tempo é imprescindível reconhecer e valorizar as ações anti-imperialistas da República Islâmica do Irã, independentemente de diferenças culturais ou mesmo ideológicas que se possa ter com ela.

(*) Jornalista

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Internacional

IRÃ: A GUERRA DAS CRIANÇAS

Irã se prepara para receber 20 milhões de peregrinos nas cerimônias de despedida do aiatolá Khamenei, que se iniciam na próxima sexta-feira (3)

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O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.

Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.

A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.

O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.

Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.

Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.

Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé.  Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.

Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres

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Geral

O caso Mariana Ferrer, por Honoré de Balzac

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

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O caso Mariana Ferrer por Honoré de Balzac

Por Dirce Waltrick do Amarante*

Quando o escritor francês Honoré de Balzac teve acesso ao vídeo da audiência de Mariana Ferrer, ele decidiu escrever o Código dos homens honestos, isso nos idos de 1875, mas só agora estou tornando públicas suas palavras, que estavam sob segredo de justiça.  

Em uma análise bastante rigorosa, Balzac lembra, em primeiro lugar, que sabemos perfeitamente bem que “em princípio, ficou estabelecido que a justiça seria para todos, mas […]” . A tradução é de Léa Novaes, pois Balzac tinha dificuldade em escrever em português.

Dito isso, ele fala da figura do procurador. Em tempos idos, diz Balzac, os procuradores “levavam tão a sério o interesse de um cliente que chegavam a morrer por eles”. Além disso, eles “nunca frequentavam a sociedade”, e se a frequentassem eram vistos como “monstros”, mas hoje, “hoje tudo está monetarizado: já não se diz que Fulano foi nomeado procurador-geral, vai defender os interesses de sua província […]. Não, nada disso; o senhor Fulano acaba de conquistar um belo posto, procurador-geral, o que equivale a honorários de vinte mil francos […]”.

Balzac ia falar da figura do juiz e do defensor público, mas depois de tudo que assistiu ficou sem as palavras justas para descrevê-los.

Então, o escritor francês decidiu se debruçar sobre o papel do advogado, que “frequenta bailes, festas […] despreza tudo o que não é elegante”. E, diz Balzac, “Justiça seja feita aos advogados […]! São os decanos, os chefes, os santos, os deuses da arte de fazer fortuna com rapidez e com uma sagacidade que os torna merecedores de muitos elogios”.

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

Não citei na íntegra o texto do Balzac, porque foram esses os únicos fragmentos aos quais tive acesso, os outros foram apagados.  

*Formada em Direito, em 1992, na Universidade Federal de Santa Catarina

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