1ª Teia Latino Americana de Pontos de Cultura e Memória Rurais

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Por Thiago Nozi, colaborador Jornalistas Livres

A 1ª Teia Latino Americana de Pontos de Cultura e Memória Rurais aconteceu de 13 a 15 de junho no Sobrado Cultural Rural, localizado em Santo Antônio, Município de Bom Jardim, no interior do Estado do Rio de Janeiro, organizado pela Rede Nacional de Pontos de Cultura e Memória Rurais, composta por organizações de cultura de base comunitária presente nas cinco regiões do país.

Em um ambiente de montanhas, rios, animais e culturas, compartilhamos a realidade das diversas comunidades e ações comunitárias presentes no encontro. Da Amazônia brasileira para os pampas e Patagônia na Argentina, passando pelo Maule no Chile, o deserto colombiano e as fazendas uruguaias. Em uma miscigenação onde os povos originários, afro, quilombolas e migrantes dialogam para defender o modo de vida rural das organizações camponesas, indígenas e da agricultura familiar, buscando o bem viver em harmonia com a natureza.

Representantes de organizações de cultura de base comunitária de todas as regiões da vasta geografia do Brasil estavam presentes, de norte a sul e de leste a oeste. E também de representantes de organizações da Argentina, Colômbia, Chile, Uruguai e Colômbia que participaram do Edital I Teia Latino Americana de Pontos de Cultura e Memória Rurais que contou com o apoio do Ibercultura Viva.

No encontro, compartilhamos nossos alimentos, sementes, histórias, nossas canções, nossos jogos e dinâmicas artísticas. E também nossos sofrimentos e nossas lutas diárias atravessadas pela criminalização e morte de líderes ambientalistas, sindicalistas e povos indígenas e afrodescendentes, pela ampliação do agronegócio e ameaça dos grandes empreendimentos, especulação imobiliária, da paralisação na demarcação das terras quilombolas, terras indígenas e dos assentamentos da reforma agrária, entre outros.

Foram três dias em que discutimos que políticas culturais para territórios rurais não podem ser elaboradas sem considerar a importância da educação do campo, da sustentabilidade, da memória oral e da oralidade, do turismo de base comunitária, da cultura popular, da importância dos espaços educativos de cultura, dos mestres e mestras populares, dos povos originários da floresta, das águas e do campo, da soberania e cultura alimentar. Defendendo políticas públicas que promovam experiências culturais comunitárias que sejam desenvolvidas em um contexto rural para que o campo tenha seus direitos garantidos. Um dos resultados deste encontro foi a criação da Rede Latino Americana que visa fortalecer nossas diversas identidades rurais em uma perspectiva emancipatória, gerando raízes no campo, e contribuir à reflexão de políticas de cultura para os territórios rurais e para a garantia do direito à cultura em sua dimensão simbólica, cidadã e econômica.

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Resistência
Um comentário
  • Angelim de Icó
    20 junho 2019 at 19:58
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    Uma Teia tecida com os fios da Consciência e do respeito a vida!
    Viva a Lei Cultura Viva!

    Angelim de Icó

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