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12 provas de que Bolsonaro não é patriota, nem honesto, muito menos cristão

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Do Brasil Feliz de Novo

O deputado Jair Bolsonaro criou uma imagem de patriota, honesto e cristão, que vai moralizar o país em nome de Deus e da família.

Mas quer saber de uma coisa? Sua longa vida pública (afinal, são 27 anos só como deputado) mostra exatamente o contrário. Veja só:

 

1. Bolsonaro quer vender a Amazônia

O candidato que não cansa de dizer “Brasil acima de tudo” quer vender a Amazônia!

Bolsonaro já afirmou que vai buscar “parcerias” com países como os Estados Unidos para explorar as riquezas minerais da floresta.

E, sempre que pode, o deputado critica o “uso” da Amazônia pelos indígenas.

 

 

2. Votou pela entrega do pré-sal

Bolsonaro foi um dos deputados que votou favoravelmente à exploração do NOSSO pré-sal por petroleiras estrangeiras.

A gente sabe que quem defende o país não entrega suas riquezas. Cadê o patriotismo?

 

 

3. Já passou pelo partido mais investigado por corrupção

Bolsonaro, ao longo de sua carreira, foi filiado a nove partidos políticos, entre eles o PP, partido mais investigado pela Operação Lava Jato.

E, ao ser questionado sobre isso afirmou: “O partido recebeu propina sim, mas qual partido não recebe propina?”.

 

 

4. Foi expulso do exército por ato terrorista

O deputado apareceu na lista da JBS por ter recebido R$ 200 mil para sua campanha de 2014. Bolsonaro disse ter

5. Presta continência à bandeira dos Estados Unidos

 

6. Admitiu que seu partido recebeu propina

https://youtu.be/S5CS08R2u9U

O deputado apareceu na lista da JBS por ter recebido R$ 200 mil para sua campanha de 2014.

Mas fez questão de esclarecer: “Em 2014, ninguém falava em propina ilegal”.

7. Citado na Lista de Furnas

Bolsonaro aparece na “Lista de Furnas” por ter recebido R$ 50 mil em propina.

Ele foi acusado e nunca conseguiu explicar o que seu nome fazia ali. Mas de uma coisa temos certeza: a lista é autêntica e a Polícia Federal já atestou isso.

 

 

8. Conversa suspeita flagrada no WhatsApp

A foto de uma conversa do parlamentar com seu filho Eduardo Bolsonaro pelo WhatsApp causou certa “estranheza”.

Revelada pelo fotógrafo Lula Marques, a foto mostra Jair dizendo para o filho comprar “merdas por aí”. Mas deixa claro: “não vou te visitar na Papuda”.

E termina: “Se a imprensa te descobrir aí, o que está fazendo, vão comer meu fígado”.

 

 

9. Quer distribuir armas, menos para fiscais ambientais

Bolsonaro é autor de um decreto legislativo para proibir o uso de armas por fiscais ambientais.

Sim, esse candidato que tanto quer que todo cidadão saia armado não quer que aqueles que exploram ilegalmente madeira, criam gado em áreas de proteção ambiental ou caçam animais silvestres corram perigo nas mãos de um fiscal ambiental armado.

Deu para entender?

 

 

10. Já foi flagrado em ato ilegal

Bolsonaro já foi pego praticando pesca ilegal em Angra dos Reis (RJ). Até enfrentou processo no STF.

 

 

11. Gosta de empregar parentes

Em 1999 Bolsonaro contratou para trabalhar em seu gabinete e de seus filhos uma de suas ex-mulheres, um de seus ex-sogros e uma de suas ex-cunhadas.

É claro que adora o nepotismo e votou contra o projeto que proibia a prática.

Sem dúvida, Bolsonaro é o candidato da família. A dele!

 

 

12. É contrário aos valores cristãos

O padre Julio Lancellotti, em uma de suas pregações, criticou Bolsonaro, pois ele “propõe a violência, o assassinato e o extermínio de seres humanos, […] [propõe] que o homem é melhor do que a mulher e que a mulher tem que ser submissa ao homem, isso é inaceitável no tempo em que nós vivemos”. Já defendeu a tortura inúmeras vezes e não tem vergonha de pregar violência e ódio.

 

O MITO É, NA VERDADE, UM GRANDE FARSANTE POPULISTA

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18 Comments

18 Comments

  1. emsmoel

    13/07/19 at 0:54

    voces acham que o que ele falou para o filho nao comprar merdas, nao seria uma alusao direta sobre a coca no aviao. Ele era o unico parente qye estava na comitiva. E o Carluxa rapidinho pos culpa no terraplanmista Heleno.
    Estou so esperando a publicacao dodepoimento do mula.

  2. Sebastiao Caranhas

    13/07/19 at 3:06

    Fechando o pacote o bostanaro é o maior mentiroso e corrupto da atualidade!

  3. Elias Mariucio Aranha

    13/07/19 at 17:28

    Assino embaixo de todo o texto nós que somos as pessoas honestas e honradas do Brasil sempre soubemos que este elemento é uma farsa ou seja um tremendo 171 de alta periculosidade e na essência é um nazifascista que está destruindo o País dos verdadeiros brasileiros patriotas que realmente amam esta Pátria chamada Brasil 🇧🇷!

  4. Fatima

    14/07/19 at 19:10

    Como um homem com tantas provas de maldades com a vida humana e a natureza, provas de roubo, e ainda se torna presidente?

  5. Marilton Francisco José Rodrigues

    18/11/19 at 21:50

    Culpa do incauto eleitor que acreditou em mentiras!

  6. Cleuza Nascimento

    19/11/19 at 7:13

    🧐🧐🧐🧐 Precisamos ficar atentos. Os planos sinistros dos inimigos do povo, empoderados pela ignorância e pelas FRAUDES vão muito além do que se pensa…

    🤔 Em conluio com os traidores da pátria, esse congresso recheado de corruptos que compram e vendem votos para lesar o povo, cogita trocar a nossa Constituição inclusiva e cidadã por uma autoritária, FASCISTA que atendo os interesses deles.
    NÃO têm MORAL nenhuma e nem legitimidade para propor nova constituição que atenda interesses FASCISTAS.

    Esses deputados e senadores, assim como todos os cidadãos têm que respeitar e não PROSTITUIR a C.F como estão fazendo.

    Estão conspirando contra o povo.
    Eles foram eleitos para cumprir e não para derrubar a NOSSA CONSTITUIÇÃO

    🧐🧐🧐 “A gente podia fazer uma nova [Assembleia Nacional] Constituinte. Todo mundo renunciava aos mandatos e a gente fazia uma nova Constituinte. Estou disposto a fazer. Se for para o bem do Brasil, a gente faz uma Constituinte”,
    Disse o presidente do Senado, Davi Alcolumbre

    https://www.brasil247.com/brasil/sob-pressao-por-pec-da-prisao-em-2-instancia-alcolumbre-propoe-nova-constituinte?fbclid=IwAR2RlDOhiGm9Xou1YLSSuyP2sVOSbvOrcnqhcg7Q4cg6J48ylsazAQWaQxg

  7. Maria Beatriz Gonçalves Ferreira

    19/11/19 at 14:32

    O miliciano de Brasília, o cramunhao da casa 58 do condomínio vivendas da barra pesada, nunca me enganou!

  8. Therezinha de Carvalho Alves

    20/11/19 at 10:02

    Sem palavras, já foi dito tudo, agora é quem votou nele reconhecer que foi enganado. Inocente útil e sair às ruas pedindo o Impechamts

  9. Rk

    21/11/19 at 1:39

    Bolsonario e um traficante $

  10. Ivo semkiw

    28/11/19 at 9:41

    Não condeno quem votou nele só no segundo turno, o mau está em quem votou nele no primeiro turno.

  11. Luiz António Almeida

    15/12/19 at 16:11

    Ninguém foi enganado, é gente ruim como ele.
    Não tem desculpa todos sabiam do lixo que ele é.

  12. Kátia Campos

    16/12/19 at 21:07

    Foi por causa da piroca da mamadeira do caralho ou por causa do caralho da mamadeira de piroca…

  13. José Roberto Anderson

    10/03/20 at 20:14

    Ele não passa de um trapaceiro e mentiroso de 5ª categoria

  14. Paulo Roberto Soares Torres

    10/03/20 at 20:20

    Esse CANALHA representa uma parte da população machista, homofóbica, raivosa, rancoroso, extremamente careta e violenta. Ele deu voz a esses IDIOTAS. O medo é se esse grupo é maioria ou minoria no país. Se eles forem maioria, o país entrará num atraso tenebroso e isso que temo pro nosso povo.

  15. Mauro Garcia Dutra

    10/03/20 at 23:37

    Brasil: Anatomia da Traição

    O nosso Brasil está entregue nas mãos de centenas de milhares de TRAIDORES DA PÁTRIA. Eles traem o seu próprio povo e o seu próprio país; eles assim o fazem pois têm o poder concedido por milhões de brasileiros que os idolatram. Nós podemos nos trair uns aos outros; se pedirmos perdão a Deus ele nos perdoará. Mas a quem iremos pedir perdão se nós estivermos traindo o único Deus Vivo o nosso Pai Eterno? É a adoração de falsos ídolos que está levando o nosso povo a perdição. Acorda povo de Deus! Abandonem a sua adoração a políticos corruptos e falsos profetas.

    1 João 1:5-10
    Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma.
    Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.
    Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.
    Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.
    Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.
    Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

    https://www.bibliaonline.com.br/nvi/1jo/1/5-10+

  16. Mauro Garcia Dutra

    10/03/20 at 23:51

    Mateus 7:15-20
    “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.
    Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?
    Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins.
    A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons.
    Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo.
    Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!

    https://www.bibliaonline.com.br/nvi/mt/7/15-20+

  17. Rose

    11/03/20 at 7:47

    O grande problema e a cegueira do povo.
    Tudo que a gente fala, acha que é por proteção ao PT, como se não existissem mais ninguém no mundo a não ser “Lula e Ele”
    Torço por um País melhor…. (seja ele quem for e qual partido for) tudo que a mídia diz sobre ele e a família dele e mentira??? E isso mesmo???
    Pessoal vamos acordar, nenhum ser humano merece idolatria.
    ” Vamos ouvir mais e falar menos”

  18. Antonio Alves Pereira

    17/03/20 at 21:06

    Eu estou já a muito tempo aguardando, qual vai ser o destino do Sargento Mula.
    Deixaram este pobre militar segurando os 39 quilos de cocaína sozinho, sendo que esse mula é inocente, os verdadeiros culpados estão em liberdade rindo da cara do militar, que foi vítima de uma sabotagem.

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Geral

A satanização do Irã pela mídia ocidental, um processo em desconstrução

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Eduardo Nunes Campos*

Desde 1979, ano da Revolução Islâmica, o Irã e a sociedade iraniana são rotulados mundo afora como símbolos de terrorismo, de crueldade, de violência, de preconceito. Essa imagem foi sendo sistematicamente construída pelo mainstream ocidental, através das grandes mídias e do cinema, sobretudo a partir dos Estados Unidos e da Europa, em especial o Reino Unido, de seus aliados em outros continentes e dos vizinhos árabes da civilização persa.
Para além das mudanças internas promovidas pelas lideranças xiitas que assumiram o poder, o Irã, antes totalmente subjugado aos interesses dos Estados Unidos e da Inglaterra, tornou-se o país mais anti-imperialista do mundo, minando o poder do Império na Ásia Ocidental. A região passou a ser taxada de Oriente Médio a partir do final do século XIX, refletindo a visão eurocêntrica do continente, que se considerava a grande referência histórica e cultural do planeta.
O isolamento do país na região se expressa na criação do Conselho de Cooperação do Golfo, em 1981, constituído pela Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes, Kwait e Omã. O surgimento da instituição reflete a desconfiança desses países em relação à Revolução Islâmica, mas é instigado pelos Estados Unidos. Em 1980 emerge a “Doutrina Carter”, segundo a qual o país usaria força militar para defender seus interesses no Golfo Pérsico, mirando sobretudo o petróleo e em contraposição à invasão do Afeganistão pela União Soviética. A partir da chamada “Guerra do Golfo” (1990-1991), bases estadunidenses foram instaladas em todos os países do Conselho.

Irã Mall Foto: Eduardo Campos

A construção da imagem do Irã como um Estado terrorista contradiz sua história. Desde o final do século XVIII o país não ataca nenhum outro, a não ser revidando agressões sofridas. É oponente declarado das facções islâmicas extremistas e sectárias, como os salafistas, aos quais se vinculam o Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
Essa falsa imagem do país forjada pelo Ocidente atingiu diretamente os iranianos, que passaram a ser vistos como um povo violento, atrasado e preconceituoso. A iranofobia é uma junção de estereótipos, xenofobia e islamofobia. O que a torna mais grave ainda é o fato de ter sido assimilada por parte expressiva do mundo progressista, em função da escassez ou mesmo da inexistência, até recentemente, de canais globais de alcance significativo capazes de fazer uma contraposição efetiva ao mainstream.
Ao contrário da visão propagandeada, os iranianos são muito inteligentes e cultos. Amantes das artes, são historicamente conhecidos por sua tapeçaria única, destacando-se também sua arquitetura, a poesia, a música, a caligrafia como arte visual e a produção de filmes excepcionais. Seu lazer inclui também a prática sistemática dos piqueniques envolvendo familiares e amigos.

Destaca-se ainda em sua cultura a celebração do Ano Novo, o Nowruz, que se inicia entre 20 e 21 de março, quando começa a primavera, e se estende por 13 dias. Na véspera da última quarta-feira do ano persa realiza-se um ritual de fogo por todo o país, chamado “Chaharshanbe Suri”, que tem origem no zoroastrismo. As pessoas acendem fogueiras em espaços abertos ao longo da noite e saltam sobre as chamas para se purificar e afastar o que de negativo aconteceu no ano que se passou e emanar energias positivas e saúde para o ano que se inicia.

Ritual de fogo “Chaharshanbe Suri” Foto: Eduardo Campos

A sociedade apresenta traços de modernidade que contrastam com outros de natureza conservadora. O homem é considerado o provedor da família e tem que oferecer um dote à mulher quando se casam, mas contingente significativo de mulheres já tem seu lugar no mercado de trabalho. As mulheres, a despeito das restrições que lhes são impostas pela República Islâmica, cujas normas têm forte componente machista, ocupam posição de relevo em várias áreas, constituindo cerca de 60% dos estudantes universitários do país, com destaque para sua presença nas áreas de Engenharia e Ciências.

O índice de natalidade é baixo e o de alfabetização próximo dos 90%, sendo de quase 100% entre os jovens. A taxa de divórcio é elevada, superior a 50% em algumas grandes cidades, sendo parte dessa taxa derivada da pressão da mulher sobre o marido para pagar o dote ou aceitar a separação. As taxas de feminicídio não são conhecidas, mas não há indícios de que sejam elevadas. A legislação, contudo, é leniente com o marido que mata a esposa quando o adultério é inequivocamente comprovado, sendo perdoado ou recebendo uma pena leve, pelo fato de a traição da mulher, e apenas dela, ser considerada crime contra a honra.
Um dado curioso é que, apesar de o aborto e a homossexualidade serem vedados, o Irã é um dos países do mundo em que mais se realizam cirurgias de mudança de gênero, parte das quais custeadas pelo Estado. Está também no topo das rinoplastias, cirurgias para remodelar o nariz, percebidas cotidianamente nas ruas de Teerã. Em sentido contrário, raramente se encontra no Irã um homem usando gravata, vista como símbolo de opressão e da influência imperialista ocidental.
Os iranianos são doces, acolhedores e generosos, talvez como nenhum outro povo em todo o planeta. Estrangeiros que visitam o país são frequentemente convidados para jantares e chás em suas casas e, por vezes, até mesmo a se hospedarem nelas. Tratamento especial é dispensado aos visitantes, quaisquer que sejam eles, parentes, amigos ou aqueles até então desconhecidos. São sempre servidos em primeiro lugar e alvos de permanente atenção dos anfitriões.
A origem dessa hospitalidade e simpatia está na cultura persa e se expressa em um gesto de cortesia conhecido como “taarof”. Quando uma pessoa oferece alguma coisa a outra a praxe é inicialmente ouvir um “não, obrigado” como resposta. Se ela insiste é uma demonstração de que não se trata de uma oferta retórica, mas efetiva. Esse gesto polido é comum até mesmo quando se tem que fazer um pagamento de uma compra ou serviço prestado, quando o credor costuma recusar o dinheiro na primeira tentativa de quitação da dívida.
Mas há um fator adicional à cultura persa que ajuda a entender a postura simpática dos iranianos em relação aos estrangeiros que visitam o país: a consciência de que são um povo estereotipado, hostilizado e objeto de profundo preconceito ao redor do mundo. Sentem-se todos extremamente injustiçados com a visão discriminatória de que são vítimas, sejam os apoiadores da República Islâmica sejam seus opositores, que concordam, em maior ou menor grau, com críticas dirigidas ao sistema de poder e não admitem ser confundidos com ele.
Nem tudo, entretanto, são flores na sociedade iraniana para os não nativos no país. Os árabes, com quem são confundidos com frequência, são alvos de um enorme preconceito, cuja origem remonta ao passado de ambas as civilizações. Pertencem a grupos étnicos, linguísticos e culturais distintas, sendo a maioria dos iranianos de origem persa, havendo também um contingente significativo de azeris e curdos e em menor grau de outras etnias. Essa diversidade inclui até mesmo árabes, que constituem cerca de 2% da população nativa.
Adicionam-se às diferenças históricas as religiosas e as disputas pela hegemonia da região. Os iranianos que professam o islamismo são adeptos da corrente xiita, enquanto a maioria dos países árabes são de maioria sunita, exceção feita ao Iraque e ao Bahrein. Há também zoroastristas, judeus e cristãos no país e um número expressivo de seculares e ateus nas camadas mais jovens.
A guerra em curso e a primeira ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o país, em junho de 2025, estão tendo um papel importante na desconstrução dessa falsa imagem do Irã e de seu povo. A mídia convencional do Ocidente já não consegue esconder que o Irã é a vítima e não o algoz, ainda que continue se esforçando para sustentar que, em última instância, o país é o responsável pelos conflitos na região, e não a aliança entre o Império e os sionistas.
A unidade dos iranianos contra as agressões de que são alvos é um outro fator importante de desmascaramento da mídia mainstream. Não se trata de ignorar as contradições do país, o descontentamento de parcela considerável da população com a República Islâmica, mas de defender a sua soberania e da compreensão majoritária de que cabe aos iranianos, e tão somente a eles, resolverem os seus problemas internos.
O expressivo fortalecimento da mídia alternativa tem também cumprido um papel de grande relevo nesse processo. Cresce significativamente o alcance de canais progressistas no youtube, a plataforma substack, os sites contra-hegemônicos. Não por acaso, recente pesquisa feita a partir dos Estados Unidos constatou que Israel é hoje o país mais odiado do planeta, além de ter perdido o apoio da maioria da população estadunidense, o que seria impensável até alguns anos atrás.
O resgate das enormes qualidades do povo iraniano, de sua inteligência, de sua sabedoria e de sua cultura não deve ser visto apenas como uma reparação das injustiças que contra ele têm sido cometidas ao longo das últimas décadas, mas como um aprendizado para os segmentos progressistas da sociedade mundial que se deixaram enganar pelas falácias da mídia convencional do Ocidente. Ao mesmo tempo é imprescindível reconhecer e valorizar as ações anti-imperialistas da República Islâmica do Irã, independentemente de diferenças culturais ou mesmo ideológicas que se possa ter com ela.

(*) Jornalista

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Internacional

IRÃ: A GUERRA DAS CRIANÇAS

Irã se prepara para receber 20 milhões de peregrinos nas cerimônias de despedida do aiatolá Khamenei, que se iniciam na próxima sexta-feira (3)

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O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.

Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.

A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.

O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.

Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.

Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.

Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé.  Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.

Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres

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Geral

O caso Mariana Ferrer, por Honoré de Balzac

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

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O caso Mariana Ferrer por Honoré de Balzac

Por Dirce Waltrick do Amarante*

Quando o escritor francês Honoré de Balzac teve acesso ao vídeo da audiência de Mariana Ferrer, ele decidiu escrever o Código dos homens honestos, isso nos idos de 1875, mas só agora estou tornando públicas suas palavras, que estavam sob segredo de justiça.  

Em uma análise bastante rigorosa, Balzac lembra, em primeiro lugar, que sabemos perfeitamente bem que “em princípio, ficou estabelecido que a justiça seria para todos, mas […]” . A tradução é de Léa Novaes, pois Balzac tinha dificuldade em escrever em português.

Dito isso, ele fala da figura do procurador. Em tempos idos, diz Balzac, os procuradores “levavam tão a sério o interesse de um cliente que chegavam a morrer por eles”. Além disso, eles “nunca frequentavam a sociedade”, e se a frequentassem eram vistos como “monstros”, mas hoje, “hoje tudo está monetarizado: já não se diz que Fulano foi nomeado procurador-geral, vai defender os interesses de sua província […]. Não, nada disso; o senhor Fulano acaba de conquistar um belo posto, procurador-geral, o que equivale a honorários de vinte mil francos […]”.

Balzac ia falar da figura do juiz e do defensor público, mas depois de tudo que assistiu ficou sem as palavras justas para descrevê-los.

Então, o escritor francês decidiu se debruçar sobre o papel do advogado, que “frequenta bailes, festas […] despreza tudo o que não é elegante”. E, diz Balzac, “Justiça seja feita aos advogados […]! São os decanos, os chefes, os santos, os deuses da arte de fazer fortuna com rapidez e com uma sagacidade que os torna merecedores de muitos elogios”.

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

Não citei na íntegra o texto do Balzac, porque foram esses os únicos fragmentos aos quais tive acesso, os outros foram apagados.  

*Formada em Direito, em 1992, na Universidade Federal de Santa Catarina

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