Quantos mortos temos que ter para que Jair Bolsonaro desista de armar a população?

Homem mata quatro pessoas, fere outras 4 e comete suicídio durante missa na Catedral de Campinas

Euler Fernando Grandolpho, de 49 anos, morador de Valinhos, abriu fogo em uma igreja no centro de Campinas perto das 13h de hoje (11). Segundo o delegado do caso, José Henrique Ventura, Euler era analista de sistema e não tinha antecedentes criminais. As câmeras de segurança da Catedral de Campinas revelaram que o homem entrou na igreja, sentou no último banco, assistiu 10 minutos da missa, levantou e atirou pelo menos 20 vezes. Dois policiais, que estavam em uma base da PM a menos de 200 metros do local, chegaram a trocar tiros com o atirador acertando-o na lateral do corpo, mas o rapaz encerrou a trama dando um tiro em sua própria cabeça. Câmeras de monitoramento da CinCamp registraram a entrada do homem na igreja. O local está isolado pela Polícia Militar e pela Guarda Civil Militar.

Quatro pessoas morreram na hora e outras 4 ficaram feridas. Segundo informações do SAMU e do Corpo de Bombeiros, as vítimas foram levadas para os hospitais Mário Gatti, Beneficência Portuguesa e Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp.

Para repórteres no local, o delegado do 1º Distrito Policial, Hamilton Caviola Filho, disse que a ação foi premeditada pelo atirador. “Ele sentou a uns dez metros para a frente da porta. Ele não entrou atirando, primeiro ele senta em um banco […] Ele usou uma arma, mas estava com duas. Motivação a gente só vai saber quando identificar, para saber o histórico dele. Eu estou me reportando às imagens. Ele [atirador] parou, pensou e executou o plano que tinha na cabeça […] Ele se matou, mas o policial deve ter alvejado ele porque estava com um tiro na costela, depois desse tiro ele caiu e se matou”.

Vítimas

A informação inicial é de que Jandira Prado Monteiro, de 65 anos, teve lesões em uma das mãos e tórax e foi socorrida ao Hospital Mário Gatti, mas está fora de risco. Heleno Severo Alves, de 84, também foi encaminhado para o mesmo hospital. Ele foi atingido por dois disparos nas regiões do tórax e abdômen e passará por cirurgia. O estado dele é grave.

Maria de Fátima Frazão Ferreira, de 68 anos, foi levada ao Hospital de Clínicas da Unicamp após ser baleada em uma das pernas e o quadro de saúde dela é estável, segundo a assessoria de imprensa do Hospital. Um homem de 64 anos foi atingido por dois tiros de raspão e socorrido ao Hospital Beneficência Portuguesa. A assessoria informou que ele já recebeu alta.

Quantos mortos temos que ter para que Jair Bolsonaro desista de armar a população?

No plano de governo do presidente eleito Jair Bolsonaro consta a reformulação do Estatuto do Desarmamento. Em declarações públicas, Bolsonaro disse ser a favor da posse de armas de fogo para garantir o direito à legítima defesa a quem chama de “cidadão de bem”. Sem especificações no plano de governo ou em declarações sobre quais mudanças pretende fazer no Estatuto, informou pelo Facebook que o “cidadão de bem” deve, “com algumas poucas exigências”, ter uma arma em casa.

Atualmente, o Estatuto do Desarmamento permite a compra e, em condições mais restritas, o porte de armas, que é a possibilidade de portá-la fora de casa. Atualmente cabe à Polícia Federal conceder as autoriações. As exigências para compra são as seguintes:

• Ter ao menos 25 anos (igual para porte)
• Ter ocupação lícita (não precisa para porte)
• Justificar a “efetiva necessidade” de ter uma arma
• Não estar respondendo a inquérito policial ou processo criminal
• Não ter antecedentes criminais nas justiças Federal, Estadual (incluindo juizados), Militar e Eleitoral
• Comprovar aptidão psicológica e técnica para usar arma de fogo
• Apresentar foto 3 x 4, cópias autenticadas ou original e cópia de RG e CPF, e comprovante de residência
• Apresentar uma justificativa específica da necessidade de se andar armado

Não queremos essa onda no Brasil

Dados da associação Gun Violence Archive (GVA – ou Arquivo da Violência Armada, em tradução livre), que registra tiroteios em massa desde 2013 a partir de dados do governo e das forças de segurança dos EUA revelou que nos primeiros 275 dias de 2017 (de 1º de janeiro a 2 de outubro) 273 atiradores mataram em massa. Ou seja, até o início de outubro em apenas 2 dias não houveram matassas no Estados Unidos. Ainda segundo o estudo, 11.685 pessoas morreram em 2017, cerca de 42 por dia, por disparos de armas de fogo nos Estados Unidos.

Jornalista, lésbica, feminista e vegana.

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violência
4 comentários:
  • Léo
    11 dezembro 2018 at 22:07
    Comente

    Seus “ignorantes” o atirador assim como a maioria esmagadora que cometeu crime a mao armada, só cometeu o “crime” gracas as armas compradas no mercado negro… Não é uma arma que torna um ser humano num ” assassino” mas sim asua “indole” . Meu deus como um site dessa categoria se mantém, ja que sempre vem trazendo materias bizarras, de conteudo fraco e sem nenhum fundamento? Já sei, é bancados por políticos corruptos pra falar mal fique podem atrapalhar o planos deles de fuder ainda mais essa nação!!!

  • Shy
    11 dezembro 2018 at 23:03
    Comente

    Se vc estivesse armada no exato momento haveria atirado nele evitando o massacre???
    Questionável não???

  • Marcelo
    16 dezembro 2018 at 6:18
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    bom dia. gostaria de acreditar que estarei seguro pelo estado… uma moto roubada, uns tentativa de roubo de celular…E se eu estivesse armado? teria minha defesa? teria morrido? complicado chegamos a real resposta…

  • Ricardo P. Silva
    18 dezembro 2018 at 14:15
    Comente

    Se desejamos ser um país DEMOCRÁTICO devemos aprender a respeitar a opinião contrária. Em 23 Out 2005 quase dois terços da população decidiu num referendo sobre o Art. 35 do Estatuto do Desarmamento. Depois desse instrumento constitucional e democrático, a proibição e o não cumprimento da vontade popular vem sendo desrespeitada seguidamente, fato que condenou 57.549 brasileiros a morte em 2016 e mais 59.103 em 2017, vítimas de latrocínio, sem direito a defesa da própria vida. Como disse o jornalista Igor Fuser deste site em relação a Cesare Battisti: “(…) exercer o direito mais fundamental de todo ser humano: o de preservar, por qualquer meio, sua vida e sua liberdade.” Atenção ao “preservar por qualquer meio, a sua própria vida”.

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