Pessoal, aquilo não é uma suruba

Por Por Alana Moraes

Vamos chamar pelo nome certo. Trata-se de um homem branco rico pagando para que mulheres encenem um prazer que ele só consegue ter quando fala sobre “exterminar adversários”, reparem.

Ali não tem desejo, não tem ação, é apenas uma encenação para a masculinidade impotente – como já vínhamos comentando a respeito do fascismo. Os homens pagam para expropriar a sexualidade das mulheres no casamento; os homens pagam para que mulheres encenem para eles um resquício de desejo fora do casamento. A “familia tradicional brasileira” é uma mentira bem contada para que mulheres encenem: esposas, prostitutas, as duas operárias da fábrica mais importante do capitalismo: a família heteropatriarcal. Uma oferece trabalho doméstico e reprodutivo gratuito, a outra oferece a ficção de uma virilidade dominante.

Reich dizia sobre o nazi-fascismo lá no final da década de 1940: “A mulher sexualmente consciente, que se afirma e é reconhecida como tal, significaria o colapso completo da ideologia autoritária”.

Aquilo não é uma sex tape, aquilo é o colapso triste e miserável da masculinidade autoritária que não sabe mais o que fazer com sua impotência e desejo de morte.

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