O solo infértil das falsas notícias

 

Indígenas Xavante denunciam fakenews
NOTA DE REPÚDIO

 

 

 

 

 

 

A Associação Xavante Warã vem a público repudiar a matéria veiculada no Canal Rural no dia 03 de Junho de 2019 e replicada posteriormente em diversos sítios virtuais, com o objetivo de promover o arrendamento ilegal de terras indígenas para o agronegócio. A ofensiva impulsionada pelo atual governo federal contra as Terras Indígenas, ao tratá-las como “fronteira última” à expansão do agronegócio, sinaliza o retrocesso a um projeto integracionista datado do início do século passado e superado pela pactuação dos artigos 231 e 232 na Constituição Federal de 1988, além de mal ocultar o intento de usufruto destes territórios para exploração financeira por agentes externos. A matéria veiculada no Canal Rural explora também o caso do Povo indígena Pareci, abordagem reproduzida por outros canais de comunicação.

 

 

Se há “fome e miséria” nos territórios indígenas esta ocorre antes em função do desmatamento, da redução da flora e da fauna que impacta diretamente a nossa alimentação, nossas atividades de extrativismo, caça e coleta, além de poluir os rios e matar os peixes. Portanto, este projeto que nos apresentam como alternativa para “a fome e a miséria” foi exatamente o que nos trouxe até aqui. A TI Sangradouro apontada na matéria, assim como as outras TI’s Xavante e a maioria dos povos indígenas brasileiros, orienta o seu desenvolvimento para projetos de futuro pautados em suas culturas e modos próprios de organização e subsistência, sendo plenamente possível e desejável conciliar projetos de geração de renda com preservação ambiental e fortalecimento cultural, sem ter que recorrer a práticas ilegais. Projetos pautados no desenvolvimento sustentável devem ser apoiados e estimulados pelo Estado e pela sociedade de forma geral, visto que se mostram importantes não somente para os povos indígenas, como para a humanidade.

 

Aldeia Abelhinha (Idzô uhu)/ foto: Associação Xavante Warã

 

O cerrado brasileiro é dos biomas mais ameaçados do mundo. O bioma abriga as nascentes de 8 das 12 regiões hidrográficas brasileiras e responde por um terço da biodiversidade do Brasil, com 44% de endemismo de plantas, mas está ameaçado, tendo perdido cerca de 50% de sua área original. Estimativas apontam que, se mantido o mesmo padrão de destruição do Cerrado observado entre 2003 e 2013, até 2050 serão extintas 480 espécies de plantas e até 34% do Cerrado existente hoje estará perdido. Imagens de satélite demonstram que a Terra Indígena Sangradouro representa uma ilha de cerca 100 mil hectares de Cerrado preservado. E nem toda a sua população está de acordo com o arrendamento desta área para terceiros. São muitos os exemplos de projetos de desenvolvimento ambiental e socialmente sustentáveis entre os povos indígenas que podem ser replicados em áreas de maior vulnerabilidade e a Associação Xavante Warã trabalha neste sentido. Cabe ressaltar, por fim, que a Constituição Federal de 88 determina que “as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes”.

Barra do Garças, 07 de junho de 2019

 

https://canalrural.uol.com.br/programas/informacao/rural-noticias/fome-e-miseria-indios-xavantes/

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