O RITO QUE É MIRA E A VISÃO QUE É MATA

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Helio Carlos Mello – especial para Jornalistas Livres

-Você quer? Você quer te ver com você, um? me pergunta Txana Manah, índio Huni Kuin, de Boa Esperança, no Jordão.

Eu, sem saber se me quero eu, sempre senti que sou o próprio, aceito.
Copinho minúsculo de cerâmica para a dose do líquido pastoso marrom escuro a se tapar dentro da pequena garrafa pet, o ayahuasca. Coisa ruim de beber em sabor amargo e textura indelicada.

Nada sinto, creio

As horas de vida passam rápido e sentado observo beleza em luz de cena, músicas doces, o movimento leve de mulheres em fila, como cobra grande, a dançar com pequenos ramos de palmeiras nas mãos, entoando cantos sob a rala luz de velas e parco gerador.

Nada sinto, me afirmo nos açucares da ilusão, em solidão profunda de miração. Miragens se desvelam aos fios dos dias, entendo agora.

Tateio, ressignifico, homem e natureza se evidenciam. O que se sente é unidade.

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Ilustração Huni Kuin representando o mito criador da jibóia e do cipó.

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