Facebook ajuda site neonazista a espalhar ódio depois de Charlottesville

O Daily Stormer não recebe cem mil cliques por conta própria

Foto por independent.co.uk

Por Liz Posner / AlterNet – tradução por César Locatelli

Se você está seguindo os acontecimentos com o Daily Stormer, você sabe que o site neonazista de “direita-alternativa” está em maus lençóis. Depois que Heather Heyer foi morta em um ataque terrorista doméstico, após a manifestação dos “supremacistas brancos” e após a revolta em Charlottesville durante o fim de semana, o Daily Stormer publicou um artigo venenoso que denuncia Heyer como uma “Vadia Gorda, Sem Filhos de 32 Anos”. A GoDaddy cancelou o nome de domínio do site e o Google também o puniu. Até aqui tudo bem, mas você pode não ter atentado para o enorme papel que teve o Facebook ajudando a viralizar essa matéria.

[N. do T. veja abaixo a cópia da tela do Daily Stormer]

Durante o fim de semana, o artigo estava entre os principais resultados nas buscas do Facebook na categoria “Notícias”, ganhando uma enorme número de compartilhamentos. Uma leitora relatou no Twitter que a peça havia sido compartilhada no Facebook 90 mil vezes a partir de segunda-feira à noite.

[N. do T. – Também se você está querendo saber como um lixo como o Daily Stormer é disseminado, essa história tem 65 mil compartilhamentos no @facebook e está listada em “Notícias”.]

O Daily Stormer é um site que se autoproclama “supremacista branco”, que rotineiramente alveja afro-americanos, judeus e árabes, promove o uso da hashtag #HitlerWasRight [#HitlerEstavaCerto] e endossa o uso da eugenia, entre inúmeras outras ofensas. É vil, extrapolando os sites Breitbart e Daily Caller [N. do T. sites de extrema direita].

Não é novidade que o algoritmo do Facebook tenha um enorme impacto nos leitores do Daily Stormer (e de todos os outros editores). Em 2016, Gizmodo informou que os curadores de Notícias do Facebook admitiram a supressão de histórias de direita, impactando muito o tráfego para esses sites. A plataforma de mídia social voltou a ser criticada por impulsionar notícias falsas durante as eleições de 2016 e, desde então, está em uma cruzada contra notícias falsas com a ajuda de organizações de verificação de fatos como Poynter e Snopes. Para reverter o dano que ajudou a causar, o Facebook agora está excluindo links para o artigo da Daily Stormer sobre Heather Heyer. Mas é muito pouco, muito tarde.

Sempre haverá pessoas maldosas e agressivas, como os escritores e editores do Daily Stormer, que converterão uma tragédia como Charlottesville em dinheiro. Mas, o perigo real reside no poder concentrado em veículos de mídia, como o Facebook, promovendo o trabalho dessas pessoas. Certamente, o site fez um trabalho muito melhor do que o Twitter ao obstruir o discurso de ódio na internet. Mas muitos milhares de leitores só encontraram aquela peça do Daily Stormer porque o Facebook automaticamente e inconscientemente caracterizou-a como “Notícia”.

Na mídia digital, onde as visualizações de páginas, mesmo das fontes mais odiosas, significam receitas publicitárias, o Daily Stormer provavelmente rirá todo o caminho até o banco. Ou seja, supondo que eles ainda tenham um site na próxima semana.

Liz Posner é editora associada da AlterNet. Seu artigo está em: http://www.alternet.org/media/facebook-gave-neo-nazi-website-huge-assist-spreading-hate-after-charlottesville

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