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    Dia da Visibilidade Lésbica e a luta por dignidade no ambiente de trabalho

    O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica foi escolhido durante a realização do I Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE), que ocorreu em 29 de agosto de 1996. A funcionária pública Marcelle Fonseca esteve presente em algumas edições do seminário que, posteriormente, se tornou um encontro. Ela explica que as discussões eram pensadas de acordo com a conjuntura política. 

    Publicada originalmente no Brasil de Fato

    “Cada SENALE teve uma programação própria, construída de acordo com o cenário atual, mas de forma geral, sempre houveram debates sobre saúde lésbica; direitos civis (a questão do casamento e da adoção, inclusive quando a Cássia Eller morreu e teve aquele acordo entre a Eugênia e o pai da Cássia, nós tivemos uma mesa apenas para falar sobre judicialização); violência estatal em razão da imensa resistência/dificuldade de gerar números sobre casos de estupros corretivos e de lesbocídio no país”, conta. 

    Ela explica que o fortalecimento do feminismo e o enfrentamento da lesbofobia, em suas diversas faces, também eram pautas fixas. “Tínhamos também uma preocupação com o registro das nossas histórias, de não permitir que nossa memória fosse apagada. No final, fazíamos uma grande plenária, com todas as participantes, para apresentar as propostas produzidas pelos grupos, para votar qual seria a próxima cidade e outras questões que acabavam surgindo, como por exemplo, a votação para alteração do nome de SENALE para SENALESBI”, finaliza.  

    Ainda hoje, um ambiente em que essa violência é vivenciada constantemente é o profissional. O Brasil de Fato conversou com quatro mulheres que sofreram diretamente essa violência em seus ambientes de trabalho e, para protegê-las de uma sociedade que já despreza lésbicas, seus nomes serão fictícios nesta publicação. 

    Rosangela se assumiu lésbica aos 23 anos, mesmo tendo consciência da própria sexualidade há quase uma década. Na infância, ela foi vítima de um estupro por um amigo da família e, após a saída do armário, foi novamente estuprada, desta vez de forma “corretiva”, com a promessa de que “o estupro iria curá-la desses pensamentos de macho de querer beijar e namorar meninas”. Já adulta ganhou uma bolsa de estudos no exterior e só então pode se descobrir e viver sua sexualidade sem medo dos julgamentos. Quando retornou ao Brasil, acabou cortando laços com a família, mantendo contato apenas com a mãe hoje. 

    Os conflitos no ambiente familiar também foram experimentados por Lourdes. Por ser uma lésbica que, de acordo com os padrões patriarcais impostos pela sociedade, se veste com roupas que são consideradas masculinas e que não adere aos estereótipos da feminilidade – como o uso de maquiagem, saias, saltos, ter o cabelo comprido, se comportar de forma doce, submissa-, Lourdes conta que sofreu muito com esse processo de auto-aceitação por causa dos conflitos vivenciados no ambiente familiar. 


    Ilustração especial Visibilidade Lésbica / Sophia Andreazza / @sophiandreazza

    Larissa Caroline Silva de Souza, psicóloga clínica, integrante dos coletivos Psicopretas e Visibilidade Lésbica Campinas, diz que a experiência da lesbianidade impacta todos os âmbitos da vida da mulher. “Nós sofremos lesbofobia quase todos os dias e em diferentes ambientes, isso significa estar de cara com a não aceitação e negação dos nossos corpos pela sociedade, e consequentemente isso impacta de diferentes formas e em todos os âmbitos da nossa existência enquanto ser lésbica. Impacta, por exemplo, na forma como nos vemos e como somos enxergadas, na invisibilidade das nossas pluralidades (negras, pobres, gordas, pessoas com deficiência, mais velhas, mais novas, etc), impacta em como nos portamos frente às dificuldades e possibilidades, impacta na forma como nos relacionamos afetiva e sexualmente entre nós e, principalmente, impacta na nossa saúde mental e na maneira de sentir e existir no mundo”, explica. 

    Sobre a questão familiar, Larissa explica que é um dos primeiros ambientes em que as lésbicas enfrentam o preconceito e vivenciam a violência, seja ela física, verbal ou psicológica. “Impacta na invisibilização do ser mulher, pois muitas vezes a nossa sexualidade é interpretada como uma tentativa de ser homem, e isso impacta na forma como somos tratadas, principalmente quando não se é reproduzida a feminilidade. E ainda impacta na tentativa de aniquilamento da nossa existência através da morte desses corpos, feito em sua maioria por homens, sendo eles da família ou não”, acrescenta.

    Valéria conseguiu contar para a família que estava em um relacionamento com uma mulher apenas depois de se formar na faculdade. Segundo ela, a saída do armário aconteceu depois que ela fez “tudo que havia sido projetado para si”. A reação familiar não foi das melhores e ela chegou a ter que sair de casa para poder viver o relacionamento. 

    A lesbofobia foi experimentada muito cedo por todas as entrevistadas e se expressava desde apelidos masculinos até o isolamento. “As outras meninas não queriam ficar perto da ‘sapatão’, me tratavam com desprezo, com nojo. De um dia para o outro pessoas que eu achava que eram minhas amigas não queriam mais nem me dar oi, não queriam ser vistas comigo porque tinham medo que outras pessoas achassem que elas também eram lésbicas”, contou Lourdes.

    A lesbofobia no mercado de trabalho 

    Rosa não enfrentou conflitos no contexto familiar, mas no ambiente de trabalho. “Entrou uma funcionária nova na empresa e tínhamos interesses em comum. Começamos a trocar dicas de livros e logo surgiram piadinhas sobre a ‘sapatão não perde tempo e já está em cima da menina’. Eu respondi à altura na hora, mas nada foi feito pela direção da empresa”, contou.

    “Sou jornalista e uma vez fui acusada, em um dos meus trabalhos, de entrevistar apenas mulheres lésbicas para as minhas reportagens. Que eu soubesse, nunca tinha entrevistado uma mulher lésbica, até porque quando fazemos entrevistas não perguntamos a sexualidade se não for a pauta, mas a acusação veio porque duas pessoas que eu havia entrevistado no dia anterior tinham o cabelo curto ou colorido”, finaliza. Na ocasião, ela foi advertida, mas se recusou a assinar.  

    No início de 2019, um caso de lesbofobia em Campinas tomou conta dos noticiários. Thais Cyriaco foi impedida de usar o banheiro feminino em seu ambiente de trabalho por cinco meses até conseguir liminar favorável na Justiça. Ela trabalhava como auxiliar de limpeza da rede de supermercado atacadista Makro. Depois de três meses trabalhando, foi comunicada pela empresa que a contratou, a Elofort Serviços, que, a partir daquele momento, estava proibida de usar e limpar os banheiros femininos da unidade. O motivo era o lesbianismo e sua aparência, já que não performava feminilidade. Hoje, Thais não trabalha mais nesta empresa e deixou a cidade. 


    Thais se veste com roupas que são consideradas masculina de acordo com os padrões patriarcais impostos pela sociedade / Arquivo pessoal

    Rosangela e Valéria trabalham na área da educação. Elas contam que a lesbofobia nesse ambiente acontece de uma forma sutil, mas muito violenta. Rosangela conta que uma mãe pediu para que sua filha fosse trocada de turma porque “ter uma professora machinho não seria bom para o desenvolvimento da criança”. Valéria conta que, mesmo quando se relacionava com homens, não comentava sobre a vida pessoal na escola em que dava aulas, mas que depois que começou a namorar uma garota foi procurada pela direção com o pedido de que não deixasse transparecer a lesbianidade e não comentasse sobre isso com as crianças. Um ponto importante levantado por ela sobre como as lésbicas são vistas como ameaça é que, nesta mesma escola, há um professor gay assumido e isso é visto como algo incrível pela direção, enquanto ela precisa se calar e esconder a sexualidade. “Tenho medo de estar na rua andando de mãos dadas com a minha namorada e cruzar com alguma aluna ou com sua mãe e isso não é justo”, explica Valéria.

    Há alguns anos, Rosangela trabalhou em uma grande empresa multinacional, fora da área da educação. Ela conta que as mulheres se incomodavam de usar o banheiro se ela estivesse no ambiente. “Houve um episódio com a minha chefia direta, em que eu estava saindo e ela entrando no banheiro, ela tomou um susto com a minha imagem e se desviou. Estilo Matrix, com uma cara muito assustada, quando percebeu que era eu, se desculpou, e disse que achava que era um homem”, relembra. 

    A mesma sensação foi vivida por Lourdes. “Reparo também que as mulheres heterossexuais parecem ter medo de ficar sozinhas numa sala com uma lésbica, como se a gente fosse pular em cima delas a qualquer momento. Mantêm distância, ficam de longe”, conta. 

    A “aparência profissional” também é lembrada como algo usado contra as lésbicas. “Se você não se feminiliza, não se maquia, não usa salto, etc, você leva chamada de atenção por ser ‘desleixada’ e ‘mal-vestida’, mesmo que os homens do local possam trabalhar de jeans e camiseta sem nenhum problema”, explica Lourdes. 

    “A lesbofobia impacta no nosso não acesso ao mercado de trabalho (muitas de nós estão desempregadas) ou apenas a trabalhos subalternos e que não necessita interação com público. Então, quando estamos inseridas no mercado de trabalho, é despertada e reforçada a insegurança, o medo de rejeição, o não-lugar, o silenciamento e o tratamento diferenciado entre as mulheres héteros. Isso tudo pode e geralmente impacta em como nos sentimos em outros âmbitos da nossa vida, seja na vida social, amorosa ou familiar”, explica a psicóloga que trabalha diretamente com essa população.  

    Quando o assunto é inclusão por parte das empresas, as entrevistadas acreditam que pouco é feito na prática. “Muitas empresas fazem um ‘showzinho’ sobre o quanto são diversas e inclusivas, mas você vai ver os cargos de chefia e só têm homens brancos. Você vai ver o quadro de funcionários e é todo mundo parecido, as mulheres todas de saltinho, de cabelo alisado, embonecadas. Você vai fazer uma entrevista e eles ainda esperam que você seja feminina, que esteja maquiada, ainda perguntam se você tem filhos ou pretende ter. Fiz entrevista onde perguntaram até a data da minha última menstruação para ‘confirmar que eu não estava grávida’. Se você [consegue a vaga e] tenta apontar algum caso de discriminação que acontece lá dentro, você é acusada de ‘não trabalhar bem com a equipe’”, conta Lourdes. 

    Rosangela vivenciou coisas parecidas. “Na prática pouco é feito para a educação e a mudança de comportamento de outros trabalhadores e das chefias. E, mesmo quando dizem que ensinam, é nítido perceber como existe um preconceito velado ainda, que não se expressa verbalmente, mas os comportamentos se expressam naquela cobrança maior em cima da lésbica. O tratamento masculinizado que nos oferecem, na forma como por vezes dizem que somos mais fortes, não somos delicadas. Já aconteceu de chefes e colegas me dizerem que comigo eles “mandam a real” sobre as coisas porque sabem que eu não sou tão delicada quanto outras colegas mulheres”.  

    Lourdes acabou deixando o trabalho presencial por conta das diversas situações enfrentadas. “Tenho bastante dificuldade de conseguir e manter emprego formal. Por causa da minha aparência, tendo a preferir trabalho remoto. Querendo ou não, as pessoas te tratam melhor quando não sabem que você é uma lésbica “butch“, “caminhoneira”. Você deixa sua aparência a critério da imaginação das pessoas, é mais fácil. Existe esse estereótipo de que a lésbica é agressiva, que é turrona, barraqueira, e as pessoas projetam isso em você.

    “Tudo que você fala é interpretado dessa forma. Quando você não é feminina, as pessoas interpretam isso como uma infantilidade ou rebeldia ou desleixo. Já perdi oportunidade de emprego porque o contratador achou que eu tinha “cara de que ia arrumar encrenca com os homens da equipe.”

    “A gente acaba caindo muito pra informalidade, pros freelas, pros bicos. Eu trabalho como [serviços através de Pessoa Jurídica] PJ faz muito tempo e a informalidade deixa a gente estressada, né. A gente nunca sabe quando vai ter dinheiro, morre de medo de quebrar alguma coisa em casa numa época de vacas magras e não poder substituir, de acontecer alguma emergência e não ter uma renda previsível. Eu vejo muitas lésbicas trabalhando na informalidade e passando esse mesmo stress constante de nunca saber como vai ser o dia de amanhã”, desabafa. “Se puder contratar ou escolher uma profissional lésbica para fazer algum serviço, tem muita mina por aí fazendo trabalhos super legais, de maneira autônoma. Vale a pena buscar”. 

    “Vivenciar esses episódios de lesbofobia me marcou de maneira muito negativa. Eu desenvolvi alguns problemas psicológicos que ainda hoje trabalho em terapia para superar. São lutas diárias para me entender como um corpo que não está errado, como alguém que merece ser feliz e ser bem tratada e até mesmo de refletir sobre quando eu sinto uma imensa gratidão ao ser tratada bem, o quanto isso é de fato gratidão e o quanto é a surpresa de, em um raro momento, ser tratada com dignidade. Hoje eu tenho a alegria de trabalhar em um ambiente de qualidade, com pessoas que me respeitam e me valorizam, mas infelizmente isso não é algo que está disponível para todas as lésbicas”, conta Rosangela. 

    A psicóloga explica que essas violências podem deixar impactos durante toda a vida das lésbicas. “As marcas deixadas pela lesbofobia podem ser consideradas um trauma pois tratam-se de lésbicas que experienciam ansiedade, depressão, baixa autoestima, insegurança, constante sentimento de culpa, inadequação, sensação de inferioridade, negação de si, medo de rejeição, abuso de álcool e drogas, distúrbio alimentares, idealização suicida. Isso pode impactar, mas não é determinante, na dificuldade de estabelecer relacionamentos afetivos e criar vínculos, dificuldade de pôr em prática os desejos e planos, reprodução e internalização de estereótipos para ser aceita, entre outros.” 

    “Considero o acompanhamento psicológico como uma das possibilidades de cuidado, assim como estar em coletivo com outras lésbicas, pois a grupalidade auxilia muito no fortalecimento de si e de outras lésbicas, no sentimento de pertencimento, na construção de identidade, pois é ter contato com outras referências de existir e, principalmente, na possibilidade de se enxergar enquanto um corpo político”, completa Larissa. 

    A lesbofobia é vivenciada por todas as mulheres lésbicas, mas pode se manifestar de diferentes formas. A não-feminilidade expressada por algumas mulheres pode ser um fator a mais para o alvo dessas violências.  “Estamos falando de uma sociedade machista e misógina que define qual o padrão aceitável de existência e classifica os seres a partir da dualidade (homem e mulher), já impondo as característica esperadas por essas duas possibilidade que eles mesmo definem e que exclui totalmente outras expressões de gênero e sexualidade. Então se a mulher não performa feminilidade, não tem seu afeto direcionado ao homem hétero, ela se torna uma ameaça a essa sistema todo que depende dos lugares sociais impostos para manter seu funcionamento”, explica a psicóloga. 


    Ilustração especial Visibilidade Lésbica / Sophia Andreazza / @sophiandreazza

    A importância da Visibilidade Lésbica no combate à discriminação

    A criação do Dia da Visibilidade Lésbica propiciou que o debate fosse colocado em diversas áreas da sociedade. Para as entrevistadas, a data é importante para que a existência lésbica seja normalizada. “A lésbica é vista como um ser aberrante, uma desviante, e por isso mesmo encaixada em estereótipos. A visibilidade é importante para que sejamos entendidas como pessoas que têm uma vida interior própria. A mulher já é desumanizada e objetificada, tem um papel social que é construído como receptáculo do desejo do outro. A lésbica é vista como um receptáculo quebrado, uma mulher que não funciona. A visibilidade é dar voz às lésbicas num processo humanizador. Nós não somos mulheres quebradas, ou barraqueiras frustradas, somos seres humanos, temos nossas próprias histórias e precisamos ser vistas e ouvidas”. 

    “É por meio da visibilidade que, pouco a pouco, a gente consegue transformar o imaginário coletivo de quem somos enquanto lésbicas, a cada movimento novo de visibilidade é um próximo passo que a gente tenta dar rumo a uma transformação das realidades das próximas gerações. Eu espero que o mundo seja mais acolhedor para as lésbicas que vão vir e o Dia da Visibilidade Lésbica contribui pra isso. Além disso, marca um momento importante na história das lutas por direitos, por transformação social e é uma data importante politicamente porque rompe com o véu da ignorância, inclusive do movimento LGBT+, de dizer que lésbicas nunca estiveram ativas politicamente, de que mulheres não constroem política”, explica Rosangela. 

    Para a psicóloga, é preciso lembrar, todos os anos, que as lésbicas existem o ano todo. “É visibilidade, para olhar nossa pluralidade, reivindicar respeito, acessos, humanidade. É celebrar todos os corpos lésbicos que são resistência, revolução, que têm voz, têm potência, e que vai contra o patriarcado, o machismo, o racismo e todas outras formas de opressões. É o rompimento da invisibilidade do nosso existir, é mostrar que estamos na luta há muito tempo e, além disso, relembrar toda a caminhada histórica trilhada por mulheres lésbicas que vieram antes de nós. É pensar outras formas de viver em menos sofrimento, pensar outras possibilidade de caminhos, principalmente se for em coletivo, e deixar uma estrada para outras que irão vir depois de nós”. 

    Quando questionada sobre como avançar no combate às violências, Lourdes é assertiva “com mais lésbicas tendo espaço!”. E continua “Em todas as áreas, em todos os lugares, numa posição de protagonismo. Precisamos ter nossas lutas e nossas histórias contadas. E não apenas numa forma de ‘representatividade’  com histórias meia-boca sobre lésbicas de mentira sendo contadas por homens ou por mulheres heterossexuais, mas realmente dar espaço para a nossa voz. Na mídia, no mercado de trabalho, nos círculos feministas, na legislação, em todo lugar”. 

    Combater a lesbofobia diariamente passa por humanizar lésbicas e reafirmar que, assim como todas as demais pessoas existentes, elas também são merecedoras de acessar políticas públicas. “Combater a lesbofobia é a disponibilidade de pensar ações para tudo que é nos é negado – como o acesso à saúde especializada, ginecologia lésbica, programas de saúde mental -, ações de acesso ao trabalho que nos ajudem a permanecer, pois falamos de um ambiente capitalista e competitivo. Disposição de repensar os estereótipos atribuídos e as atitudes direcionadas a nós, repensar ações para a sobrevivência das lésbicas nos presídios e em situação de rua também. É também enfrentar lesbocídio, que é o homicídio direcionado a mulheres lésbicas. Enfim, é pensar formas de a gente poder ter uma existência mais plena e por mais tempo”, finaliza Larissa.  

    Rosangela encerra a entrevista pedindo “que o Dossiê Lesbocídio [primeiro e único levantamento sobre assassinato de mulheres lésbicas no Brasil] não seja o único que se preocupa em contar nossos corpos, que nossas vidas sejam valorizadas por todos os poderes e que sejamos mais que corpos assassinados e suicidados, que sejamos vida também”.

    Dia do Orgulho Lésbico: 19 de agosto, a revolta no Ferro’s Bar

    Localizado próximo à avenida 9 de Julho, no centro da capital paulista, o Ferro’s Bar era um conhecido ponto de encontro de lésbicas a partir dos anos 60. A polícia fazia investidas violentas no estabelecimento e as frequentadoras eram expulsas do bar, além de terem seus panfletos e materiais impressos apreendidos. 


    Jornal “Chana com Chana”, vendido no Ferro’s Bar, local do primeiro levante lésbico no Brasil / Reprodução

    Nesta época, o que mais circulava entre essas mulheres era o jornal não-permitido “Chana com Chana”, produzido de 1981 a 1987, que trazia troca de cartas, poesias, resenhas, entrevistas, dicas de livros, depoimentos, além de tratar questões como legislação, trabalho e família. 

    Depois de muito resistir às expulsões violentas e à proibição dos materiais, no dia 19 de agosto de 1983, as militantes resolveram dar um basta em toda essa violência. Um manifesto contra a repressão e pelo direito das lésbicas foi lido diante da polícia e da imprensa. O protesto resultou em um pedido de desculpas e na liberação da venda dos panfletos. 

    O levante do Ferro’s Bar foi um marco histórico da primeira manifestação lésbica brasileira, incentivando outros grupos a se erguerem contra a repressão também. 


    Levante no Ferro’s Bar, em 19 de agosto de 1983 / Reprodução

    Confira abaixo o conteúdo do panfleto distribuído em julho que mobilizou o levante em agosto. 

    PRA VOCÊ QUE FREQUENTA O FERRO’S 

    BEM, GENTE, ACHO QUE CHEGOU A HORA DE FALARMOS ABERTAMENTE. CHEGA DE SUBTERFÚGIOS. E VOCÊ QUE É UMA PESSOA INTELIGENTE HÁ DE CONVIR COMIGO QUE TEMOS QUE NOS UNIR, POIS SÓ A UNIÃO FAZ A FORÇA. NÃO QUEREMOS QUE VOCÊ EMPUNHE A BANDEIRA DE HOMOSSEXUAL CONTRA A SUA VONTADE, MAS GOSTARÍAMOS QUE VOCÊ OLHASSE PARA DENTRO DE VOCÊ E VISSE O QUANTO GENTE VOCÊ É, QUE SER HUMANO MARAVILHOSO SE ESCONDE ATRÁS DE UMA MÁSCARA, BRINCANDO DE FAZ DE CONTA. 

    FAZ DE CONTA QUE SOU TRATADA IGUALMENTE COMO TODAS AS PESSOAS. 

    FAZ DE CONTA QUE O RESTAURANTE QUE EU FREQUENTO ME RESPEITA COMO EU MEREÇO. 

    FAZ DE CONTA QUE A SOCIEDADE ME ENCARA SEM PRECONCEITO. 

    FAZ DE CONTA ATÉ QUANDO? 

    VOCÊ SABIA QUE COLEGAS SUAS, SERES HUMANOS COMO VOCÊ, SÃO POSTAS PARA FORA DE NOSSO MEIO COMO SERES LEPROSOS? 

    VEJA, POR EXEMPLO, O QUE ACONTECEU NA NOITE DO SÁBADO PASSADO, DIA 23 DE JULHO, SÓ PORQUE UMAS MENINAS ESTAVAM VENDENDO SEU BOLETIM O CHANACOMCHANA, NUM CERTO BAR QUE CONHECEMOS, O DONO DO BAR E OS SEGURANÇAS QUERIAM EXPULSÁ-LAS À FORÇA SÓ PORQUE O BOLETIM FALA DAS NOSSAS VIDAS CLARAMENTE, SEM VERGONHA OU MEDO E ATÉ COM MUITO ORGULHO. E É SÓ POR ISSO MESMO, JÁ QUE, NO MESMO DIA, O EXÉRCITO DA SALVAÇÃO ESTAVA VENDENDO SEU JORNAL PARA NOS LIVRAR DO “PECADO” E NINGUÉM O INCOMODOU. 

    NESSA NOITE, QUISERAM EXPULSAR AS COLEGAS, MAS NÓS NÃO DEIXAMOS E ELAS FICARAM, JANTARAM E PAGARAM A CONTA COMO SEMPRE COSTUMAM FAZER, POIS, PRA UNS E OUTROS, EMBORA NÃO PASSEMOS DE CÃES SARNENTOS, NOSSO DINHEIRO NÃO TRANSMITE NOSSA DOENÇA. E ELES SABEM FAZER BOM USO DELE, NA COMPRA DO CARRO ZERO KM, NO ESTUDO DO FILHO NO EXTERIOR, ETC. QUEREMOS TER OS MESMOS DIREITOS DAS OUTRAS PESSOAS, NÃO SÓ SEUS DEVERES. 

    E PRECISAMOS COMEÇAR A BATALHAR POR ISSO A PARTIR DOS LUGARES QUE FREQUENTAMOS E SUSTENTAMOS. OU NÓS NOS UNIMOS OU CENAS COMO A DO SÁBADO PASSADO CONTINUARÃO A OCORRER E PODERÁ SER COM QUALQUER UMA DE NÓS POR QUALQUER MOTIVO. 

    NOSSAS COLEGAS ESTÃO PROIBIDAS DE ENTRAR NO FERRO’S PORQUE QUEREM VENDER UM BOLETIM QUE TAMBÉM É NOSSO E PORQUE QUEREM CONVERSAR CONOSCO. VAMOS ADMITIR ESSA PROIBIÇÃO?

    GUARDE E PENSE COM CALMA, EM CASA. REFLITA, FAÇA UMA AUTO-ANÁLISE, SE POSSÍVEL RELEIA ESTE TEXTO COM BASTANTE ATENÇÃO E, SE VOCÊ NÃO SE IMPORTA CONSIGO MESMA, JOGUE FORA E FAÇA DE CONTA QUE NADA LEU. 

    CASO CONTRÁRIO NOS PROCURE. NOSSO ENDEREÇO É RUA AURORA, 736, APTO 10. 

    E DEIXE O SEU RECADO. CASO CONTRÁRIO, PROTESTE CONTRA A PROIBIÇÃO DE NOSSA ENTRADA COM O DONO DO BAR. 

    E, CASO CONTRÁRIO, NOS APOIE QUANDO FORMOS VENDER O BOLETIM CHANACOMCHANA. 

    PARTICIPE NA LUTA CONTRA O PRECONCEITO QUE NOS DISCRIMINA, POIS TODA MANEIRA DE AMOR VALE A PENA. 

    GRUPO AÇÃO LÉSBICA FEMINISTA CX.POSTAL 62,618, CEP 01000, SP JULHO DE 1983

    (texto digitalizado do folheto original distribuído no Ferro’s Bar– acervo Rede de Informação Um Outro Olhar, contido na publicação “Quando o preconceito fecha as portas, lute para abrí-las”, de Miriam Martinho)

    Veja também: Eu Sou A Próxima: como morrem as mulheres lésbicas no Brasil

  • Um, em cada quatro brasileiros, tem sua força de trabalho subutilizada

    Um, em cada quatro brasileiros, tem sua força de trabalho subutilizada

    Embora pequenos, os aumentos recentes no emprego, no Brasil, deveriam gerar um otimismo maior do que temos verificado. As vendas no varejo continuam apresentando volumes decepcionantes: o trimestre terminado em setembro ficou estável em relação ao trimestre anterior, ou seja, as vendas não cresceram, nem caíram. Em 12 meses, o varejo ainda cai 0,6%.

    Da mesma forma, o setor de serviços não traz boas novas: caiu em julho (0,8%), em agosto (1,0%) e em setembro (0,3%), além de acumular queda de 3,7% no ano de 2017. Como explicar o desânimo revelado por esses números do varejo e do setor de serviços?

    O gráfico acima nos dá uma ideia precisa: embora os dados do IBGE venham indicando pequenas quedas no desemprego, há um contingente expressivo de pessoas, acima da casa dos 6 milhões, que trabalha menos horas do que poderiam e gostariam. Há, ainda, 7,5 milhões de pessoas, que compõem a força de trabalho potencial, cuja força de trabalho é igualmente subutilizada.

    Vamos destrinchar os indicadores que compõem esse gráfico

    A Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda que os países utilizem três indicadores para que consigamos visualizar um quadro mais completo da situação do trabalho e da subutilização da força de trabalho.

    O primeiro indicador já é bastante conhecido entre nós: pessoas desocupadas. São pessoas, de 14 anos ou mais, que estavam sem trabalho na semana pesquisada, mas que estavam disponíveis para trabalhar e tentaram conseguir um trabalho. No terceiro trimestre de 2017 (julho-agosto-setembro), havia 12 milhões e 961 mil pessoas desocupadas no Brasil.

    O segundo indicador é composto por aquelas pessoas que gostariam de trabalhar 40 horas por semana, mas só conseguem trabalho por períodos menores. São pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas. Havia, no Brasil, 6 milhões e 276 mil pessoas nessa condição, no 3o trimestre de 2017.

    O terceiro indicador, recomendado pela OIT, é chamado de força de trabalho potencial são pessoas que gostariam de trabalhar, estavam disponíveis, mas não procuraram trabalho, somadas às pessoas que buscaram trabalho, mas não estavam disponíveis para trabalhar na semana pesquisada. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo IBGE nesse 3o trimestre de 2017, revelou que a força de trabalho potencial era composta por 7 milhões e 525 mil pessoas.

    No quadro abaixo podemos identificar os três indicadores os desocupados (letra D), os subocupados por insuficiência de horas (letra H) e a força de trabalho potencial (letra E). Ao somarmos os três indicadores chegamos à subutilização da força de trabalho: 26 milhões e 762 mil pessoas.

    Somando o número de ocupados, de desocupados e a força de trabalho potencial chegamos à Força de Trabalho Ampliada, que nessa pesquisa somou 111 milhões e 783 mil pessoas.

    A Taxa Composta da subutilização da Força de Trabalho é a divisão da subutilização da força de trabalho (subocupados por insuficiência de horas + desocupados + força de trabalho potencial) pela Força de Trabalho Ampliada. A pesquisa do IBGE revela, assim, que 23,9% dos trabalhadores brasileiros estão desocupados, subocupados ou fazem parte da força de trabalho potencial.

    Em resumo, a economia brasileira não está sendo capaz de utilizar a força de trabalho total disponível de um em cada quatro trabalhadores ou trabalhadoras.

    Nota:

    1 Para ver o relatório do IBGE: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/18012-pnad-continua-taxa-de-subutilizacao-da-forca-de-trabalho-fica-em-23-9-no-3-trimestre-2017.html

    2 Para ver os dados do varejo: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2013-agencia-de-noticias/releases/17935-em-setembro-vendas-no-varejo-crescem-0-5.html

    3 Para os dados do setor de serviços: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/18014-em-setembro-setor-de-servicos-varia-0-3-frente-a-agosto.html

  • A briga não é Über versus taxistas. A briga é tecnologia versus trabalhadores

    A briga não é Über versus taxistas. A briga é tecnologia versus trabalhadores

    Por Eduardo Afonso

    Nos últimos meses, uma polêmica já conhecida lá fora chegou atrasada no Brasil — tal como dita o complexo de inferioridade do brasileiro: ‘tudo chega atrasado no Brasil’ — o Uber. Uber é um aplicativo de celular, tipo WhatsApp ou Instagram. Os aplicativos de celular tornaram-se ferramentas obrigatórias do nosso dia-a-dia.

    Eles tendem a deixar os meios de trabalho básicos do ser humano mais efetivos, confortáveis e, em casos como o do Netflix e do WhatsApp, mais baratos. Eles estão tomando conta de diversos setores — os canais de televisão e rádio, por exemplo, não tem outra alternativa a não ser migrar para as redes sociais, a forçar seus telespectadores a interagir com aquilo que estão assistindo ou ouvindo, pois essa é a tendência de nossa geração. Tudo está ficando muito mais dinâmico por causa desse tipo de aplicativo, que é um fruto da internet, que veio pra revolucionar o mundo assim como vieram as máquinas na revolução industrial. A internet tornou-se uma poderosa ferramenta de troca de informações, sejam elas fúteis ou não, e somente isso já aumenta a porcentagem de participação ativa de cada um dos membros de qualquer sociedade. A internet atingiu até os locais mais pobres do mundo, e fez desses lugares, lugares íntimos em uma questão de segundos pra qualquer um que tenha acesso à ela. Anos à frente nossos filhos estudarão a revolução da internet na escola, se é que a internet não vai encontrar também uma alternativa para as escolas até lá. Um dos principais motivos pra isso ser chamado de revolução são os tais dos aplicativos. O caso do Uber é um grande exemplo disso.

    Foto: Mídia NINJA

    O Uber é um aplicativo de celular que ajuda você a encontrar um motorista, do Uber, pra te levar onde você precisa por um valor específico. O serviço apresentado é bem parecido com o famoso taxi, que existe em massa por todo o Brasil e por todos os países que seguiram o molde europeu de civilização. A diferença é que o Uber é um serviço colaborativo — qualquer um que tiver os requisitos mínimos pra ser um motorista Uber pode ser um motorista Uber, inclusive você e eu. As exigências não são muito complicadas de se agradar — a pessoa precisa ter apenas uma carteira profissional com licença pra exercer atividade remunerada, seguro que cubra o passageiro e um sedã comprado após 2009. Os candidatos a motorista do Uber passam também por uma série de entrevistas antes de se tornar um, mas se você não for um psicopata ou algo parecido dificilmente vai ser rejeitado. O serviço torna-se, então, mais confortável e efetivo, mais ‘direto ao ponto’, por assim se dizer, e em certas horas do dia, mais barato. Além disso, o serviço é melhor que o dos taxistas, apesar de sair um pouco mais caro nas outras horas do dia. O serviço dos taxistas, porém, nunca foi barato no Brasil. Só se move de taxi pelas grandes cidades aqueles que tem o mínimo de dinheiro sobrando pra isso. Quem ganha menos de mil reais, que é o caso da maioria da população brasileira, não utiliza o taxi, utiliza o transporte público, que ainda não tem uma alternativa cibernética.

    Os taxistas estavam confortáveis em suas posições, muitas vezes pegando o caminho mais longo pra ganhar uns trocados a mais, sem oferecer nenhum luxo para o passageiro que muitas vezes era, inclusive, tratado como um problema, como um incômodo a se carregar numa madrugada meio preguiçosa, e agora terão que modificar seu modo de trabalho se quiserem se manter no mercado. A tecnologia veio pra dominar, e todos os lugares onde ela começar a ser utilizada, substituirá qualquer prática que seja considerada abusiva ou inefetiva. Ela começou afetando áreas como a comunicação entre as pessoas, em seguida derrubou o mercado fonográfico com os mp3s e o streaming, e agora começa a atacar mercados mais arriscados como o do transporte.

    Por outro lado…

    Os taxistas se invocaram com o aplicativo pelo que ele representa no futuro, sentindo-se ameaçados com o avanço da tecnologia. Muitas áreas estão sofrendo com isso, e acredito eu que parte da crise mundial seja consequência do avanço tecnológico. Nas fábricas de carros, por exemplo, as pessoas começaram a ser substituídas por robôs anos atrás. A linha amarela do metrô de São Paulo não tem operador, tudo é controlado remotamente. A tendência é que isso aconteça mais e mais, e quem estiver ligado à mudança do mercado terá como se adaptar. Aqui entra também a discussão do livre mercado, defendido pelos liberalistas como uma opção mais efetiva na evolução da sociedade e de nossa espécie. Eles erram em acreditar que as regras têm poder de frear esse avanço, ou de achar que uma prática ou organização específica ditará o avanço de nossa espécie. O ser humano tem fome de evolução instintivamente, e não importa o quanto seu mercado for regrado ele sempre encontrará uma forma mais barata e efetiva de lucrar nesse mercado. Ele sempre procurará caminhos pra evolução. Não importa quantos sites de torrent sejam derrubados, sempre surgirá um outro em seguida pra tomar o lugar do que fora derrubado. A questão a se pensar pelo lado progressista da coisa é a do ataque do avanço tencológico no mercado de trabalho. Os progressistas deveriam estar defendendo os trabalhadores, os taxistas, que querem nada mais que se cumpra as regras pré-estabelecidas do mercado brasileiro. Há de se deixar que os aplicativos existam, pois não há como freiá-los, mas há também de adaptar o mundo internético dos aplicativos às regras de nosso mercado pra que nossos trabalhadores, mesmo que autônomos, não sofram bruscamente com a mudança que a internet vêm provocando no mercado mundial.

    A forma como os taxistas trabalham teria que mudar e no processo diversos empregos seriam perdidos caso o Uber não se enquadre nas exigências do mercado. O custo de trabalho aumentaria e a renda diminuiria. Muitas famílias que dependem do sustento do pai ou mãe taxista ficariam sem ter o que comer caso o pai ou mãe não fizesse algo pra reverter a situação. Há de se pensar no trabalhador, acima de tudo, e do que o conforto da classe média que utiliza de tais serviços realmente significa para os que estão noite e dia nas ruas a servi-los. A teoria do livre mercado, defendida pelos liberalistas, não pode ser o discurso dos progressistas — estamos aqui pra defender o trabalhador. Se o mercado indica uma mudança brusca na forma de trabalhar, há de ser adaptar as novas práticas ao mercado e não de se destruir toda uma classe somente por questões de eficácia. E também não devemos apoiar as tecnologias pois elas nos trazem conforto. O conforto de uns é a catástrofe de outros. Essa é a grande lição que deveríamos tirar do sistema capitalista que nos rege.

    A internet veio pra ficar, e assim vieram também os aplicativos, que tendem a facilitar nossas vidas. Ela pode e deve ser usada como ferramenta pra derrubar diversas coisas — a mídia manipuladora, os políticos mentirosos, a hipocrisia de nossos líderes religiosos, mas nunca a internet deve atacar os trabalhadores e o cidadão comum. Ela deve ser uma aliada, não uma ameaça, ela deve ser a voz do povo e não a destruição de empregos. Que fique para os taxistas a lição do motivo dos sindicatos existirem, pra proteger o trabalhador quando as empresas ou o mercado quer esmagá-los. Filie-se a seu sindicato, corra atrás de seus direitos e defendam seus empregos. No que depender de mim, estarei sempre com vocês.