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Deputados aprovam projeto de lei que pode privatizar distribuidoras da Eletrobras

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O Projeto de Lei 10.332/18 que facilita a privatização das seis distribuidoras subsidiárias do complexo Eletrobras, além de apropriar as concessões das usinas termelétricas, passou por resistência no Congresso mas foi aprovado nessa quarta, 04/07, no Plenário da Câmara dos Deputados.

Por 203 votos favoráveis a 123 votos contrários à proposta, o PL passará por mais duas votações nos dias 11 e 12 de julho para destacar as sugestões de mudança do texto original. Após concluir essa etapa o projeto será encaminhado ao Senado e caso seja aprovado, será conduzido para o presidente Michel Temer para sancioná-lo ou vetá-lo.

As distribuidoras Amazonas Energia, Ceron, Eletroacre, Ceal, Cepisa, Boa Vista Energia, estão localizadas no Norte e Nordeste do país e são responsáveis por levar energia a milhares de brasileiros. Elas podem ser vendidas pela bagatela de R$50 mil por unidade e encarregarão a dívida de R$ 11 bi a Eletrobras para garantir maior lucro ao novo proprietário das subsidiárias.

Ainda há indecisões sobre a privatização das subsidiárias, pois o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, decretou a proibição da venda de estatais sem o consentimento do Congresso Nacional.

O projeto é de relatoria do deputado Júlio Lopes (PP/RJ), que é ex-secretário de transporte do estado do Rio durante a gestão de Cabral. Lopes é investigado na CPI dos Transportes e também foi acusado de receber 15,6 milhões da Odebrecht entre 2008 a 2014.

O governo golpista na contramão do mundo

Uma pesquisa publicada em maio pela CUT/Vox, concluiu que 55% dos brasileiros são contra as privatizações das estatais que estão ocorrendo no país. A maioria dos entrevistados alega que os preços dos produtos e serviços podem subir, trabalhadores terão os salários reduzidos, muitos serão demitidos e reconhecem que a esse tipo de comercialização não melhorará a economia.

Enquanto os países com as maiores economias do mundo estão investindo em suas empresas públicas, o Brasil está liquidando todas as estatais que operam em setores estratégicos, como água, energia, petróleo e gás, que geram lucro, produtividade a nação e incentivam projetos sociais que procuram mudar a realidade de toda a população.


* Fontes: As informações foram retiradas dos sites da FNU, Urbanitários DF, Rede Brasil Atual e Brasil de Fato

Confira abaixo como votou cada deputado

Parlamentar Partido Bloco Voto
Roraima (RR)
Abel Mesquita Jr. DEM Não
Carlos Andrade PHS Não
Hiran Gonçalves PP PpPodeAvante Não
Jhonatan de Jesus PRB Não
Maria Helena MDB Não
Remídio Monai PR Não
Total Roraima: 6
Amapá (AP)
André Abdon PP PpPodeAvante Sim
Cabuçu Borges MDB Sim
Euricelia Cardoso PP PpPodeAvante Sim
Jozi Araújo Podemos PpPodeAvante Sim
Marcos Reategui PSD Sim
Total Amapá: 5
Pará (PA)
Arnaldo Jordy PPS Não
Beto Salame PP PpPodeAvante Sim
Delegado Éder Mauro PSD Abstenção
Hélio Leite DEM Sim
Joaquim Passarinho PSD Sim
Júlia Marinho PSC Sim
Nilson Pinto PSDB Sim
Simone Morgado MDB Sim
Total Pará: 8
Amazonas (AM)
Átila Lins PP PpPodeAvante Não
Conceição Sampaio PSDB Não
Pauderney Avelino DEM Não
Prof. Gedeão Amorim MDB Não
Total Amazonas: 4
Rondonia (RO)
Expedito Netto PSD Não
Lucio Mosquini MDB Não
Luiz Cláudio PR Não
Marcos Rogério DEM Não
Total Rondonia: 4
Acre (AC)
Alan Rick DEM Não
Jéssica Sales MDB Não
Leo de Brito PT Não
Total Acre: 3
Tocantins (TO)
Carlos Henrique Gaguim DEM Sim
César Halum PRB Sim
Dulce Miranda MDB Não
Josi Nunes PROS PtbPros Abstenção
Lázaro Botelho PP PpPodeAvante Sim
Professora Dorinha Seabra Rezende DEM Sim
Vicentinho Júnior PR Sim
Total Tocantins: 7
Maranhão (MA)
Aluisio Mendes Podemos PpPodeAvante Não
Cleber Verde PRB Sim
Eliziane Gama PPS Não
Hildo Rocha MDB Sim
João Marcelo Souza MDB Sim
Julião Amin PDT Não
Juscelino Filho DEM Não
Luana Costa PSC Não
Pedro Fernandes PTB PtbPros Sim
Victor Mendes MDB Sim
Weverton Rocha PDT Sim
Zé Carlos PT Não
Total Maranhão: 12
Ceará (CE)
Adail Carneiro Podemos PpPodeAvante Sim
André Figueiredo PDT Não
Cabo Sabino Avante PpPodeAvante Não
Chico Lopes PCdoB Não
Danilo Forte PSDB Sim
Luizianne Lins PT Não
Macedo PP PpPodeAvante Sim
Odorico Monteiro PSB Não
Raimundo Gomes de Matos PSDB Sim
Vaidon Oliveira PROS PtbPros Sim
Vitor Valim PROS PtbPros Não
Total Ceará: 11
Piauí (PI)
Assis Carvalho PT Não
Capitão Fábio Abreu PR Não
Heráclito Fortes DEM Sim
Marcelo Castro MDB Abstenção
Rejane Dias PT Não
Total Piauí: 5
Rio Grande do Norte (RN)
Antônio Jácome Podemos PpPodeAvante Sim
Beto Rosado PP PpPodeAvante Sim
Felipe Maia DEM Sim
Rogério Marinho PSDB Sim
Zenaide Maia PHS Não
Total Rio Grande do Norte: 5
Paraíba (PB)
Aguinaldo Ribeiro PP PpPodeAvante Sim
André Amaral PROS PtbPros Sim
Benjamin Maranhão MDB Sim
Efraim Filho DEM Sim
Luiz Couto PT Não
Marcondes Gadelha PSC Sim
Pedro Cunha Lima PSDB Sim
Veneziano Vital do Rêgo PSB Não
Total Paraíba: 8
Pernambuco (PE)
Adalberto Cavalcanti Avante PpPodeAvante Sim
Augusto Coutinho Solidaried Sim
Betinho Gomes PSDB Sim
Daniel Coelho PPS Sim
Danilo Cabral PSB Não
Fernando Coelho Filho DEM Sim
Jarbas Vasconcelos MDB Sim
Jorge Côrte Real PTB PtbPros Sim
Kaio Maniçoba Solidaried Sim
Mendonça Filho DEM Sim
Pastor Eurico Patriota Não
Sebastião Oliveira PR Sim
Tadeu Alencar PSB Não
Wolney Queiroz PDT Não
Total Pernambuco: 14
Alagoas (AL)
Arthur Lira PP PpPodeAvante Sim
Cícero Almeida PHS Não
JHC PSB Não
Paulão PT Não
Pedro Vilela PSDB Sim
Total Alagoas: 5
Sergipe (SE)
Adelson Barreto PR Não
Fábio Mitidieri PSD Sim
João Daniel PT Não
Valadares Filho PSB Não
Total Sergipe: 4
Bahia (BA)
Alice Portugal PCdoB Não
Antonio Brito PSD Não
Antonio Imbassahy PSDB Sim
Benito Gama PTB PtbPros Sim
Cacá Leão PP PpPodeAvante Sim
Daniel Almeida PCdoB Não
Elmar Nascimento DEM Sim
Félix Mendonça Júnior PDT Não
João Carlos Bacelar PR Sim
José Carlos Aleluia DEM Sim
José Carlos Araújo PR Sim
José Nunes PSD Sim
José Rocha PR Sim
Márcio Marinho PRB Sim
Mário Negromonte Jr PP PpPodeAvante Sim
Nelson Pellegrino PT Não
Paulo Azi DEM Sim
Paulo Magalhães PSD Sim
Roberto Britto PP PpPodeAvante Sim
Ronaldo Carletto PP PpPodeAvante Sim
Valmir Assunção PT Não
Waldenor Pereira PT Não
Total Bahia: 22
Minas Gerais (MG)
Adelmo Carneiro Leão PT Não
Aelton Freitas PR Sim
Bilac Pinto DEM Sim
Dâmina Pereira Podemos PpPodeAvante Não
Delegado Edson Moreira PR Sim
Dimas Fabiano PP PpPodeAvante Sim
Domingos Sávio PSDB Sim
Eduardo Barbosa PSDB Sim
Eros Biondini PROS PtbPros Não
Jô Moraes PCdoB Não
Júlio Delgado PSB Não
Leonardo Monteiro PT Não
Leonardo Quintão MDB Sim
Lincoln Portela PR Não
Luis Tibé Avante PpPodeAvante Sim
Luiz Fernando Faria PP PpPodeAvante Sim
Marcelo Álvaro Antônio PSL Sim
Marcelo Aro PHS Sim
Marcos Montes PSD Sim
Marcus Pestana PSDB Sim
Mauro Lopes MDB Sim
Newton Cardoso Jr MDB Sim
Padre João PT Não
Patrus Ananias PT Não
Paulo Abi-Ackel PSDB Sim
Raquel Muniz PSD Sim
Reginaldo Lopes PT Não
Renato Andrade PP PpPodeAvante Sim
Rodrigo de Castro PSDB Sim
Rodrigo Pacheco DEM Sim
Saraiva Felipe MDB Sim
Stefano Aguiar PSD Sim
Tenente Lúcio PR Sim
Toninho Pinheiro PP PpPodeAvante Sim
Weliton Prado PROS PtbPros Não
Total Minas Gerais: 35
Espírito Santo (ES)
Carlos Manato PSL Sim
Dr. Jorge Silva Solidaried Não
Evair Vieira de Melo PP PpPodeAvante Sim
Givaldo Vieira PCdoB Não
Helder Salomão PT Não
Lelo Coimbra MDB Sim
Marcus Vicente PP PpPodeAvante Sim
Paulo Foletto PSB Não
Sergio Vidigal PDT Não
Total Espírito Santo: 9
Rio de Janeiro (RJ)
Alessandro Molon PSB Não
Alexandre Serfiotis PSD Sim
Alexandre Valle PR Sim
Altineu Côrtes PR Sim
Arolde de Oliveira PSD Sim
Aureo Solidaried Sim
Benedita da Silva PT Não
Cabo Daciolo Patriota Não
Celso Jacob MDB Sim
Chico Alencar PSOL Não
Clarissa Garotinho PROS PtbPros Não
Cristiane Brasil PTB PtbPros Sim
Ezequiel Teixeira Podemos PpPodeAvante Sim
Felipe Bornier PROS PtbPros Obstrução
Francisco Floriano DEM Não
Glauber Braga PSOL Não
Jandira Feghali PCdoB Não
Julio Lopes PP PpPodeAvante Sim
Leonardo Picciani MDB Sim
Luiz Carlos Ramos PR Não
Luiz Sérgio PT Não
Marcelo Matos PSD Sim
Miro Teixeira REDE Obstrução
Otavio Leite PSDB Sim
Paulo Feijó PR Sim
Pedro Paulo DEM Sim
Rodrigo Maia DEM Art. 17
Simão Sessim PP PpPodeAvante Sim
Soraya Santos PR Não
Wadih Damous PT Não
Walney Rocha Patriota Não
Total Rio de Janeiro: 31
São Paulo (SP)
Alex Manente PPS Sim
Alexandre Leite DEM Sim
Ana Perugini PT Não
Andres Sanchez PT Não
Antonio Bulhões PRB Sim
Arlindo Chinaglia PT Não
Arnaldo Faria de Sá PP PpPodeAvante Não
Arnaldo Jardim PPS Sim
Baleia Rossi MDB Sim
Beto Mansur MDB Sim
Capitão Augusto PR Sim
Carlos Sampaio PSDB Sim
Carlos Zarattini PT Não
Eduardo Bolsonaro PSL Sim
Eduardo Cury PSDB Sim
Evandro Gussi PV Sim
Fausto Pinato PP PpPodeAvante Sim
Flavinho PSC Não
Floriano Pesaro PSDB Sim
Gilberto Nascimento PSC Sim
Goulart PSD Sim
Herculano Passos MDB Sim
Ivan Valente PSOL Não
Jefferson Campos PSB Não
João Paulo Papa PSDB Sim
José Mentor PT Não
Junji Abe MDB Sim
Keiko Ota PSB Não
Lobbe Neto PSDB Sim
Luiz Lauro Filho PSB Não
Luiza Erundina PSOL Não
Mara Gabrilli PSDB Sim
Marcelo Ortiz Podemos PpPodeAvante Sim
Marcelo Squassoni PRB Sim
Marcio Alvino PR Sim
Miguel Lombardi PR Sim
Milton Monti PR Sim
Missionário José Olimpio DEM Sim
Nelson Marquezelli PTB PtbPros Sim
Nilto Tatto PT Não
Pr. Marco Feliciano Podemos PpPodeAvante Sim
Ricardo Izar PP PpPodeAvante Sim
Roberto Alves PRB Sim
Roberto de Lucena Podemos PpPodeAvante Sim
Rodrigo Garcia DEM Sim
Samuel Moreira PSDB Sim
Sérgio Reis PRB Sim
Silvio Torres PSDB Sim
Tiririca PR Sim
Valmir Prascidelli PT Não
Vanderlei Macris PSDB Sim
Vinicius Carvalho PRB Sim
Walter Ihoshi PSD Sim
Total São Paulo: 53
Mato Grosso (MT)
Fabio Garcia DEM Sim
Nilson Leitão PSDB Sim
Professor Victório Galli PSL Sim
Ságuas Moraes PT Não
Valtenir Pereira MDB Sim
Total Mato Grosso: 5
Distrito Federal (DF)
Alberto Fraga DEM Sim
Augusto Carvalho Solidaried Não
Erika Kokay PT Não
Izalci Lucas PSDB Sim
Rogério Rosso PSD Sim
Rôney Nemer PP PpPodeAvante Não
Vitor Paulo PRB Sim
Total Distrito Federal: 7
Goiás (GO)
Célio Silveira PSDB Sim
Delegado Waldir PSL Sim
Heuler Cruvinel PP PpPodeAvante Sim
João Campos PRB Sim
Lucas Vergilio Solidaried Sim
Magda Mofatto PR Sim
Marcos Abrão PPS Sim
Pedro Chaves MDB Sim
Roberto Balestra PP PpPodeAvante Sim
Thiago Peixoto PSD Sim
Total Goiás: 10
Mato Grosso do Sul (MS)
Fábio Trad PSD Sim
Mandetta DEM Sim
Tereza Cristina DEM Sim
Vander Loubet PT Não
Zeca do Pt PT Não
Total Mato Grosso do Sul: 5
Paraná (PR)
Alex Canziani PTB PtbPros Sim
Alfredo Kaefer PP PpPodeAvante Sim
Aliel Machado PSB Não
Assis do Couto PDT Não
Christiane de Souza Yared PR Não
Delegado Francischini PSL Sim
Diego Garcia Podemos PpPodeAvante Não
Edmar Arruda PSD Sim
Evandro Roman PSD Sim
Leandre PV Não
Luiz Carlos Hauly PSDB Sim
Luiz Nishimori PR Sim
Nelson Meurer PP PpPodeAvante Sim
Osmar Bertoldi DEM Sim
Osmar Serraglio PP PpPodeAvante Sim
Reinhold Stephanes PSD Sim
Rubens Bueno PPS Sim
Sandro Alex PSD Sim
Sergio Souza MDB Sim
Takayama PSC Sim
Toninho Wandscheer PROS PtbPros Sim
Zeca Dirceu PT Não
Total Paraná: 22
Santa Catarina (SC)
Celso Maldaner MDB Sim
Esperidião Amin PP PpPodeAvante Não
Geovania de Sá PSDB Não
João Rodrigues PSD Sim
Jorginho Mello PR Sim
Osvaldo Mafra Solidaried Não
Pedro Uczai PT Não
Rogério Peninha Mendonça MDB Sim
Ronaldo Benedet MDB Sim
Valdir Colatto MDB Sim
Total Santa Catarina: 10
Rio Grande do Sul (RS)
Afonso Hamm PP PpPodeAvante Não
Alceu Moreira MDB Sim
Bohn Gass PT Não
Carlos Gomes PRB Sim
Covatti Filho PP PpPodeAvante Sim
Danrlei de Deus Hinterholz PSD Não
Darcísio Perondi MDB Sim
Giovani Cherini PR Sim
Giovani Feltes MDB Sim
Heitor Schuch PSB Não
Henrique Fontana PT Não
Jerônimo Goergen PP PpPodeAvante Sim
Márcio Biolchi MDB Sim
Marco Maia PT Não
Marcon PT Não
Maria do Rosário PT Não
Onyx Lorenzoni DEM Sim
Osmar Terra MDB Sim
Paulo Pimenta PT Não
Pompeo de Mattos PDT Não
Renato Molling PP PpPodeAvante Sim
Sérgio Moraes PTB PtbPros Sim
Total Rio Grande do Sul: 22

Resultado da votação

Sim: 203
Não: 123
Abstenção: 3
Total da Votação: 329
Art. 17: 1
Total Quorum: 330
Obstrução: 2

 

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Geral

A satanização do Irã pela mídia ocidental, um processo em desconstrução

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Eduardo Nunes Campos*

Desde 1979, ano da Revolução Islâmica, o Irã e a sociedade iraniana são rotulados mundo afora como símbolos de terrorismo, de crueldade, de violência, de preconceito. Essa imagem foi sendo sistematicamente construída pelo mainstream ocidental, através das grandes mídias e do cinema, sobretudo a partir dos Estados Unidos e da Europa, em especial o Reino Unido, de seus aliados em outros continentes e dos vizinhos árabes da civilização persa.
Para além das mudanças internas promovidas pelas lideranças xiitas que assumiram o poder, o Irã, antes totalmente subjugado aos interesses dos Estados Unidos e da Inglaterra, tornou-se o país mais anti-imperialista do mundo, minando o poder do Império na Ásia Ocidental. A região passou a ser taxada de Oriente Médio a partir do final do século XIX, refletindo a visão eurocêntrica do continente, que se considerava a grande referência histórica e cultural do planeta.
O isolamento do país na região se expressa na criação do Conselho de Cooperação do Golfo, em 1981, constituído pela Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes, Kwait e Omã. O surgimento da instituição reflete a desconfiança desses países em relação à Revolução Islâmica, mas é instigado pelos Estados Unidos. Em 1980 emerge a “Doutrina Carter”, segundo a qual o país usaria força militar para defender seus interesses no Golfo Pérsico, mirando sobretudo o petróleo e em contraposição à invasão do Afeganistão pela União Soviética. A partir da chamada “Guerra do Golfo” (1990-1991), bases estadunidenses foram instaladas em todos os países do Conselho.

Irã Mall Foto: Eduardo Campos

A construção da imagem do Irã como um Estado terrorista contradiz sua história. Desde o final do século XVIII o país não ataca nenhum outro, a não ser revidando agressões sofridas. É oponente declarado das facções islâmicas extremistas e sectárias, como os salafistas, aos quais se vinculam o Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
Essa falsa imagem do país forjada pelo Ocidente atingiu diretamente os iranianos, que passaram a ser vistos como um povo violento, atrasado e preconceituoso. A iranofobia é uma junção de estereótipos, xenofobia e islamofobia. O que a torna mais grave ainda é o fato de ter sido assimilada por parte expressiva do mundo progressista, em função da escassez ou mesmo da inexistência, até recentemente, de canais globais de alcance significativo capazes de fazer uma contraposição efetiva ao mainstream.
Ao contrário da visão propagandeada, os iranianos são muito inteligentes e cultos. Amantes das artes, são historicamente conhecidos por sua tapeçaria única, destacando-se também sua arquitetura, a poesia, a música, a caligrafia como arte visual e a produção de filmes excepcionais. Seu lazer inclui também a prática sistemática dos piqueniques envolvendo familiares e amigos.

Destaca-se ainda em sua cultura a celebração do Ano Novo, o Nowruz, que se inicia entre 20 e 21 de março, quando começa a primavera, e se estende por 13 dias. Na véspera da última quarta-feira do ano persa realiza-se um ritual de fogo por todo o país, chamado “Chaharshanbe Suri”, que tem origem no zoroastrismo. As pessoas acendem fogueiras em espaços abertos ao longo da noite e saltam sobre as chamas para se purificar e afastar o que de negativo aconteceu no ano que se passou e emanar energias positivas e saúde para o ano que se inicia.

Ritual de fogo “Chaharshanbe Suri” Foto: Eduardo Campos

A sociedade apresenta traços de modernidade que contrastam com outros de natureza conservadora. O homem é considerado o provedor da família e tem que oferecer um dote à mulher quando se casam, mas contingente significativo de mulheres já tem seu lugar no mercado de trabalho. As mulheres, a despeito das restrições que lhes são impostas pela República Islâmica, cujas normas têm forte componente machista, ocupam posição de relevo em várias áreas, constituindo cerca de 60% dos estudantes universitários do país, com destaque para sua presença nas áreas de Engenharia e Ciências.

O índice de natalidade é baixo e o de alfabetização próximo dos 90%, sendo de quase 100% entre os jovens. A taxa de divórcio é elevada, superior a 50% em algumas grandes cidades, sendo parte dessa taxa derivada da pressão da mulher sobre o marido para pagar o dote ou aceitar a separação. As taxas de feminicídio não são conhecidas, mas não há indícios de que sejam elevadas. A legislação, contudo, é leniente com o marido que mata a esposa quando o adultério é inequivocamente comprovado, sendo perdoado ou recebendo uma pena leve, pelo fato de a traição da mulher, e apenas dela, ser considerada crime contra a honra.
Um dado curioso é que, apesar de o aborto e a homossexualidade serem vedados, o Irã é um dos países do mundo em que mais se realizam cirurgias de mudança de gênero, parte das quais custeadas pelo Estado. Está também no topo das rinoplastias, cirurgias para remodelar o nariz, percebidas cotidianamente nas ruas de Teerã. Em sentido contrário, raramente se encontra no Irã um homem usando gravata, vista como símbolo de opressão e da influência imperialista ocidental.
Os iranianos são doces, acolhedores e generosos, talvez como nenhum outro povo em todo o planeta. Estrangeiros que visitam o país são frequentemente convidados para jantares e chás em suas casas e, por vezes, até mesmo a se hospedarem nelas. Tratamento especial é dispensado aos visitantes, quaisquer que sejam eles, parentes, amigos ou aqueles até então desconhecidos. São sempre servidos em primeiro lugar e alvos de permanente atenção dos anfitriões.
A origem dessa hospitalidade e simpatia está na cultura persa e se expressa em um gesto de cortesia conhecido como “taarof”. Quando uma pessoa oferece alguma coisa a outra a praxe é inicialmente ouvir um “não, obrigado” como resposta. Se ela insiste é uma demonstração de que não se trata de uma oferta retórica, mas efetiva. Esse gesto polido é comum até mesmo quando se tem que fazer um pagamento de uma compra ou serviço prestado, quando o credor costuma recusar o dinheiro na primeira tentativa de quitação da dívida.
Mas há um fator adicional à cultura persa que ajuda a entender a postura simpática dos iranianos em relação aos estrangeiros que visitam o país: a consciência de que são um povo estereotipado, hostilizado e objeto de profundo preconceito ao redor do mundo. Sentem-se todos extremamente injustiçados com a visão discriminatória de que são vítimas, sejam os apoiadores da República Islâmica sejam seus opositores, que concordam, em maior ou menor grau, com críticas dirigidas ao sistema de poder e não admitem ser confundidos com ele.
Nem tudo, entretanto, são flores na sociedade iraniana para os não nativos no país. Os árabes, com quem são confundidos com frequência, são alvos de um enorme preconceito, cuja origem remonta ao passado de ambas as civilizações. Pertencem a grupos étnicos, linguísticos e culturais distintas, sendo a maioria dos iranianos de origem persa, havendo também um contingente significativo de azeris e curdos e em menor grau de outras etnias. Essa diversidade inclui até mesmo árabes, que constituem cerca de 2% da população nativa.
Adicionam-se às diferenças históricas as religiosas e as disputas pela hegemonia da região. Os iranianos que professam o islamismo são adeptos da corrente xiita, enquanto a maioria dos países árabes são de maioria sunita, exceção feita ao Iraque e ao Bahrein. Há também zoroastristas, judeus e cristãos no país e um número expressivo de seculares e ateus nas camadas mais jovens.
A guerra em curso e a primeira ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o país, em junho de 2025, estão tendo um papel importante na desconstrução dessa falsa imagem do Irã e de seu povo. A mídia convencional do Ocidente já não consegue esconder que o Irã é a vítima e não o algoz, ainda que continue se esforçando para sustentar que, em última instância, o país é o responsável pelos conflitos na região, e não a aliança entre o Império e os sionistas.
A unidade dos iranianos contra as agressões de que são alvos é um outro fator importante de desmascaramento da mídia mainstream. Não se trata de ignorar as contradições do país, o descontentamento de parcela considerável da população com a República Islâmica, mas de defender a sua soberania e da compreensão majoritária de que cabe aos iranianos, e tão somente a eles, resolverem os seus problemas internos.
O expressivo fortalecimento da mídia alternativa tem também cumprido um papel de grande relevo nesse processo. Cresce significativamente o alcance de canais progressistas no youtube, a plataforma substack, os sites contra-hegemônicos. Não por acaso, recente pesquisa feita a partir dos Estados Unidos constatou que Israel é hoje o país mais odiado do planeta, além de ter perdido o apoio da maioria da população estadunidense, o que seria impensável até alguns anos atrás.
O resgate das enormes qualidades do povo iraniano, de sua inteligência, de sua sabedoria e de sua cultura não deve ser visto apenas como uma reparação das injustiças que contra ele têm sido cometidas ao longo das últimas décadas, mas como um aprendizado para os segmentos progressistas da sociedade mundial que se deixaram enganar pelas falácias da mídia convencional do Ocidente. Ao mesmo tempo é imprescindível reconhecer e valorizar as ações anti-imperialistas da República Islâmica do Irã, independentemente de diferenças culturais ou mesmo ideológicas que se possa ter com ela.

(*) Jornalista

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Internacional

IRÃ: A GUERRA DAS CRIANÇAS

Irã se prepara para receber 20 milhões de peregrinos nas cerimônias de despedida do aiatolá Khamenei, que se iniciam na próxima sexta-feira (3)

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O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.

Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.

A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.

O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.

Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.

Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.

Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé.  Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.

Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres

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Geral

O caso Mariana Ferrer, por Honoré de Balzac

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

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O caso Mariana Ferrer por Honoré de Balzac

Por Dirce Waltrick do Amarante*

Quando o escritor francês Honoré de Balzac teve acesso ao vídeo da audiência de Mariana Ferrer, ele decidiu escrever o Código dos homens honestos, isso nos idos de 1875, mas só agora estou tornando públicas suas palavras, que estavam sob segredo de justiça.  

Em uma análise bastante rigorosa, Balzac lembra, em primeiro lugar, que sabemos perfeitamente bem que “em princípio, ficou estabelecido que a justiça seria para todos, mas […]” . A tradução é de Léa Novaes, pois Balzac tinha dificuldade em escrever em português.

Dito isso, ele fala da figura do procurador. Em tempos idos, diz Balzac, os procuradores “levavam tão a sério o interesse de um cliente que chegavam a morrer por eles”. Além disso, eles “nunca frequentavam a sociedade”, e se a frequentassem eram vistos como “monstros”, mas hoje, “hoje tudo está monetarizado: já não se diz que Fulano foi nomeado procurador-geral, vai defender os interesses de sua província […]. Não, nada disso; o senhor Fulano acaba de conquistar um belo posto, procurador-geral, o que equivale a honorários de vinte mil francos […]”.

Balzac ia falar da figura do juiz e do defensor público, mas depois de tudo que assistiu ficou sem as palavras justas para descrevê-los.

Então, o escritor francês decidiu se debruçar sobre o papel do advogado, que “frequenta bailes, festas […] despreza tudo o que não é elegante”. E, diz Balzac, “Justiça seja feita aos advogados […]! São os decanos, os chefes, os santos, os deuses da arte de fazer fortuna com rapidez e com uma sagacidade que os torna merecedores de muitos elogios”.

Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.

Não citei na íntegra o texto do Balzac, porque foram esses os únicos fragmentos aos quais tive acesso, os outros foram apagados.  

*Formada em Direito, em 1992, na Universidade Federal de Santa Catarina

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