Jornalistas Livres

Dia: 6 de outubro de 2018

  • Lula: “Urna não é lugar para digitalizar ódio”

    “Companheiros e companheiras, 

    Urna não é lugar para digitalizar ódio, mas sim esperança. Dia 7 o povo vai decidir o futuro do Brasil

    votando para presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. 

    De todos os partidos, o PT é o que tem a experiência mais bem sucedida de governar o Brasil,

    com a mais forte política de inclusão social. 

    Por isso, vote em Haddad para presidente. Haddad é Lula, Haddad é 13. 

    Um grande abraço de Lula, 

    Sem medo de ser feliz”

  • Valores humanos em risco

    Valores humanos em risco

    Essa conversa, entre três amigos, Turco, Zé e Terto, é absolutamente imaginária. É ao mesmo tempo real por conter trechos que, de fato, aconteceram.

    “Ele nunca!” Não precisou dizer Terto, pois há muito tempo deixa bem clara sua posição política.

    O Turco manda um parágrafo em que Milan Kundera, ao admirar a fotografia do poeta da resistência francesa, René Char, com o filósofo nazista Heidegger, disse que não há nada mais estúpido do que sacrificar uma amizade por razões políticas.

    O próprio Turco que, ao ler Ricardo Semler afirmar que estremece a cada vez que ouve que qualquer coisa é melhor que o PT, diz: “Faz pensar. Oscilo todos os dias!!!”

    Zé complementa: “Faz pensar sim! Não vou fugir de votar, mas tendo a não dar nova chance a PT e associados com seus líderes atuais.”

    Terto, o terceiro amigo, escandalizado com a dúvida de Turco e Zé, pensa em não se manifestar. Não adiantará nada, pensa. Mas não se contém e exclama bem alto:

    O cara ofereceu o voto, favorável ao impeachment de Dilma na Câmara, a um torturador facínora, disse que vai liberar armas e autorizar a PM a atirar para matar. Se os caras já matam sem essa ordem explícita, imaginem quando liberar geral. Acho um absurdo completo vocês terem dúvidas.
    Apontem um “dos erros”, que vocês julgam que o PT cometeu, que se equipare a essas ideias fascistas?
    Vocês também não olharam o desemprego, o salário-mínimo e quantos saíram da miséria durante os governo Lula e Dilma, né?
    Se os partidos, nos quais vocês votaram, não tivessem apoiado o golpe contra Dilma, ela estaria no final de seu mandato e, muito provavelmente, não sobraria um fascista de um lado e um petista do outro.

    A revista The Economist, conforme matéria dos Jornalistas Livres, opinou que “as reformas necessárias para o Brasil tornar saudável sua democracia não são fáceis nem rápidas”. E conclui: “O sr. Bolsonaro não é o homem para promover isso”.

    A revista sublinha o risco de se eleger um candidato que: “i) disse que não estupraria uma deputada porque ela era ‘muito feia’, ii) disse que preferiria um filho morto a um filho gay, iii) sugeriu que aqueles que vivem em uma comunidade fundada por escravos que escaparam são gordos e preguiçosos e iv) dedicou seu voto pelo impeachment de Dilma Rousseff ao comandante de uma unidade responsável por 500 casos de tortura e 40 mortes durante a ditadura militar.”

    Voltando ao Kundera e à amizade. O poeta, René Char, que resistiu firmemente ao nazismo revelou:

     

    Compreenda bem isto: Heidegger era para mim um amigo. Ele tinha errado, tinha sido nazista durante dez meses, não mais. Ele queria redimir-se. Na França, Beaufret e eu o ajudamos, por razões justas. Não se pode traçar linhas entre os Resistentes e os outros: alguns resistentes cometeram o crime água acima.

    Compreendem que ele julgava que o filósofo havia errado e se corrigido? Ele não relevou que o amigo era fascista, mas sim que o amigo tinha sido fascista e queria se redimir. Bem, a história ainda tomou outro curso, muito tempo depois, quando foi provado que a participação de Heidegger no nazismo não se restringiu a um curto espaço de tempo e vieram à tona muitos indícios de seu antissemitismo.

    Em que pese contrariar a opinião de Kundera, há certos conflitos de valores que impossibilitam a amizade. Não estamos diante de opções ou gostos partidários. A história do nazismo e do fascismo na Europa está aí para quem não quiser arriscar repeti-la.

  • DEFEAT FASCISM, WITH FERNANDO HADDAD AND MANUELA D’ÁVILA!

    DEFEAT FASCISM, WITH FERNANDO HADDAD AND MANUELA D’ÁVILA!

    Editorial Free Journalists

    Army captain Jair Bolsonaro is a political adversary, but he is much more (or less) than that. If elected, he has already promised to machine-gun the Rocinha favela and the PTs (whom he calls “petralhas”). Bolsonaro has treated women as result of “weaknesses.” And referred to black people as “reproducers”, to be weighted in arrobas (like animals).

    Bolsonaro honours torturers, such as Brilliante Ustra. He has already said that he would have killed 30,000 opponents of the 1964 dictatorship regime, including Fernando Henrique Cardoso (former Brazil’s president).

    Bolsonaro is fascism. He is Nazism itself, taking advantage of an abyssal economic and political crisis to gain power through the vote.

    Let us never forget that Adolf Hitler was elected chancellor by the democratic vote of the German people. His first act – and of his gang of thugs – was to set fire to the Germanic Parliament, the Reichstag. He blamed the communists for this, triggering furious repression against all those he despised: Jews, blacks, gypsies, gays, physically and mentally handicapped, feminists, and, of course, the left-wing parties.

    The democratic forces cannot afford to play tug of war at this very moment. The enemy is too much threatening for that.

    Right now, it is important to remember the phenomenon observed today in Brazilian Northeast region, where more than half of voters vote for Lula and now for his candidate. Fernando Haddad intends to keep the social programs that guarantee the worker’s child at the University, the chance for the poor to visit their hometown and relatives on a plane trip, to have refrigerator and TV indoors, after the “Light for All” program.

    In addition to being the first in the fight against fascism in electoral polls, Haddad is now representing the spectacular legacy of inclusion begun by Lula, and the PT, which resists as a popular and electoral force.

    Bolsonaro binds both summits of the Brazilian Army and the Armed Forces together, including the Military Police. He gathers together economic power, the coup’s judiciary, the oligopolistic media. All against PT. Just like before, at the time of Hitler, when all forces were against communism.

    It’s no longer about Lula against Bolsonaro. Enough of this stupid polarization, so tasteful to the mainstream media, that predicted days of glory for the post-impeachment of Dilma Rousseff!

    The result is clear – Brazil is back to the maps of misery, with record numbers of unemployment and despair.

    Enough of playing “paneleiros” against petistas. What is at stake now is the life or death of millions of people economically disadvantaged, humiliated by the coup, who have returned to cooking with wood stoves or alcohol.

    Now it is a question of defending the idea of a plural society against the united orders of military barracks.

    We know that Brazil accumulates centuries of murderous oppression over black and indigenous people. We know the burden that machismo placed on the shoulders of women, treated as mere sexual objects for all sadisms and twisted fetiches, or as mere reproducers. We know of the loads of pain that gays, lesbians and transvestites bear, when expelled from home and from their families, thrown into abject marginality simply because of proclaiming their right to that love that dares to say its name.

    We cannot risk seeing a moral monster like Bolsonaro, who proclaims murder, persecution and torture as methods of improving Brazil, rule the country.

    It scares us to see Christians longing for Bolsonaro victory. When did Jesus Christ ever stand for torture, persecution, and murder?

    Please answer, bishop Edir Macedo!

    No! Christ never preached torture. On the contrary, he was tortured and murdered for the crime of defending the poor against the Imperial Rome system.

    Today, whoever is silent consents! That is why Free Journalists feel themselves compelled to say and declare very loudly that a serious risk is placed upon the future of Brazil. And that risk is Bolsonaro. The meaning of choosing him would be that we, as people, would turn ourselves into partners to the worst crimes.

    The German people are penitent until today due to the concentration camps and crematory ovens in which millions of human beings have been sent to die. It is not possible that the Brazilian people, marked by suffering, mean to agree with such a hideous vote decision.

    Bolsonaro does not hide who he is; never did. And all the powerful in Brazil already nest under the shady wings of this bird of prey. It is astonishing that the Democrats do not realize the immense historical responsibility that is placed upon each of them.

    We are four days away from the presidential elections. A gesture by Guilherme Boulos, Ciro Gomes, Marina Silva, and other competitors, stating support for what could stop the victory of fascism, the death of the poorest and the presidency of a man that a country like Brazil does not deserve, a gesture to support Fernando Haddad, would have enormous psychological effect at this moment in which Bolsonaro surfs the waves of a possible victory in the first round.

    Marina, as a black woman, would automatically be defending her own people, a sentence so often repeated by her. Ciro, a very clever man, would have the opportunity to fight alongside what seems to have marked his political history: the protection of the North-eastern people. Boulos then would have the chance to bring up, once and for all, his spirit of compassion for the poorest, and the daily struggles of the most suffering workers.

    Bolsonaro did not face debates, he is not in the streets to debate with the contradictory. So far, he has been hiding inside hospitals, by means of a life-threatening attack for all effects very badly explained. And it did a disservice to people who did not have the chance to hear him directly, declaring his animosity towards the suffering of the poorest.

    The (in) justice of Judge Sérgio Moro released to the buzzards of the corporate press the “rewarded accusation” of Antonio Palocci, a former PT who has been jailed for a year and has since offered to help destroy PT and Lula.

    Uselessly.

    Not even the Federal Public Ministry embarked on Palocci’s infamous accusations. Because they lack a single element of proof! So, it is clear the release of Palocci’s delation by Sérgio Moro obeyed only the purpose of “smashing” the PT, to pave the way for any anti-PT candidate.

    Fernando Haddad has been campaigning for 15 days. Well less than Ciro Gomes, Guilherme Boulos and Marina Silva, who have already been able to show their gifts and proposals. If instead of Haddad it had been Ciro Gomes the anti-Bolsonaro leader, we would be calling vote for him. If it would have been Boulos, ditto. For Marina, the same. We would make the defense of any democratic candidate who would have the chance to fight and win the elections against Bolsonaro.

    But it is Fernando Haddad that emerges as the first of the opponents of Jair Bolsonaro. We, Free Journalists, won’t let go of our historical responsibility.

    It is necessary to defeat the “coiso” (“the thing”). We must shout out loud “#EleNão” (“NotHim”).

    It is necessary to halt the aggravation of the genocide of the blacks, the poor and the favelas’ people … The worsening rates of feminicide and rape.

    It is necessary to talk to those who are on our side, to those who want to turn Sunday, October 7, a day for useful vote and say that we need to be alive for the next round. We need to be together and strong against everything Bolsonaro represents.

    Because of all this, it is Fernando Haddad for now. The rest is division between us, that the right-wing political parties love so much!

    After defeating the torturer, the Nazi, the Brilhante Ustra, the anti-woman, anti-gay Bolsonaro, we will be together again to charge for anti-racist and inclusive guideline policies, from a winning Fernando Haddad!

    Fernando Haddad and Manuela! Gorgeous and awesome! So, Brasil can Be Happy Again!

    And Free Lula!

  • Está confuso, mas eu sonho _ Leonardo Boff_

    Está confuso, mas eu sonho _ Leonardo Boff_

    “Faz escuro mas eu canto porque a manhã vai chegar”,proclamou o poeta Thiago de Mello na época sombria da ditadura civil-militar de 1964.
    ”Está confuso mas eu sonho” digo eu, nestes tempos não menos sombrios. O sonho ninguém pode prender. Ele antecipa o futuro e anuncia o amanhã.
    Ninguém pode dizer o que vai ser deste país após o golpe parlamentar-jurídico-mediático de 2016. Faz escuro e tudo está confuso, mas eu sonho. Este sonho está rodando em minha cabeça há muitos dias e resolvi expressá-lo para alimentar a nossa inarredável esperança.
    Sonho ver um Brasil construído de baixo para cima e de dentro para fora, forjando uma democracia popular, participativa e sócio-ecológica recohecendo, como novos cidadãos com direitos, a natureza e a Mãe Terra.
    Sonho ver o povo organizado em redes de movimentos, povo cidadão, com competência social para gerar as suas próprias oportunidades e moldar o seu próprio destino, livre da dependência dos poderosos e resgatando a própria auto-estima.
    Sonho ver a utopia mínima plenamente realizada de comer pelo menos três vezes ao dia, de morar com decência, de ter frequentado a escola por oito anos, de cursar a universidade e a pós-graduação, de receber por seu trabalho um salário que satisfaça as necessidades essenciais de toda a família, de ter acesso à saúde básica e, depois de ter labutado por toda uma vida, ganhar uma aposentadoria digna para enfrentar, serenamente, os achaques da velhice.
    Sonho ver celebrado o casamento entre o saber popular, de experiências feito, com o saber acadêmico, de estudos feito, ambos construindo um país para todos, sem excessos e também sem carências.
    Sonho ver o povo celebrando suas festas com muita comida e alegria, dançando o seu São João, o seu Bumba-meu-Boi, seu samba, seu frevo, seu funk e seu esplêndido carnaval, expressão de uma sociedade sofrida mas que se encontrou na fraternura e na alegre celebração da vida.
    Sonho ver aqueles que foram condenados a sempre perder, sentirem-se vitoriosos porque o sofrimento não foi em vão e os amadureceu para, com outros, construirem um Brasi diferente, uno e diverso, hospitaleiro e alegre.
    Leonardo Boff fala sobre a utopia a estudantes, professores e funcionários da UFU – Setembro 2017 – foto Letícia França – ADUFU

    Sonho contar com políticos que se abaixam para estar à altura dos olhos do outro, despojados de arrogância, conscientes de representar as demandas populares, fazendo da política cuidado diligente da coisa pública.
    Sonho andar por aí à noite sem medo de ser assaltado ou vítima de balas perdidas podendo desfrutar da liberdade de poder falar e criticar nas redes sociais sem logo ser ofendido e difamado.
    Sonho contemplar nossas florestas verdes, nossos imensos rios regenerados, nossas soberbas paisagens e a biodiversidade preservada, renovando o pacto natural com a Mãe Terra que tudo nos dá, reconhecendo seus direitos e por isso tratá-la com veneração e cuidado.
    Sonho ver o povo místico e religioso, venerando a Deus como gosta, sentindo-se acompanhado por espíritos bons, por forças portadoras da energia cósmica do axé, dando um caráter mágico à realidade com a convicção de que, no fim, por causa de Deus-Pai/Mãe de infinita bondade e misericórdia, tudo vai dar certo.
    Sonho que este sonho não seja apenas um sonho, mas uma realidade ridente e factível, fruto maduro de tantos séculos de resistência, de luta, de lágrimas, de suor e de sangue.
    Só então, só então, poderemos rir e cantar, cantar e dançar, dançar e celebrar um Brasil novo, o maior país latino do mundo, uma das províncias mais ricas e belas da Terra que a evolução ou Deus nos entregaram.
    Assim o quer o brasileiro e nos ajude Deus.

    Leonardo Boff é escritor e publicou: “Brasil: concluir a refundação ou prolongar a dependência” (Vozes) 2018.

  • “Canalha”, “covarde” e “contrabandista”: relatórios expõem reputação de Bolsonaro no Exército dos anos 80

    “Canalha”, “covarde” e “contrabandista”: relatórios expõem reputação de Bolsonaro no Exército dos anos 80

    Por Vinícius Segalla para o DCM

    Um dossiê formulado pelo Estado-Maior das Forças Armadas concluído em 27 de julho de 1990, ao qual a reportagem teve acesso, detalha informações nada abonadoras reunidas pelo alto-comando do Exército desde o julgamento que arrancou Bolsonaro do anonimato, nos anos 80, até o início da sua vida parlamentar, na década seguinte.

    Na peça investigatória, há dezenas de anotações feitas pelos oficiais com relatos da jornalista Cássia Maria Rodrigues, então trabalhando na revista Veja, que disse ter sido ameaçada de morte por Jair Bolsonaro, conforme já informado pelo DCM.

    Para além do que denunciava a repórter, chama a atenção uma carta sem assinatura recheada de denúncias e comentários ofensivos contra Bolsonaro. A investigação não descobriu quem era o autor, mas constatou ser de um colega de farda do agora presidenciável. As autoridades militares que fizeram o relatório trataram de investigar as informações da carta apócrifa. Segundo informam, constataram a veracidade de uma parte do que consta ali. De outra, disseram não ter sido capazes de produzir provas.

    O documento repercutiu dentro e fora da caserna, como mostra reportagem do jornal carioca “Tribuna da Imprensa” do dia 22 de abril de 1991.

    Segundo consta no dossiê, uma cópia do relatório e da carta foi distribuída aos alunos e professores da ESEME (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército). O texto critica as intenções do capitão e faz acusações. Em um dos trechos da carta incluída nos documentos, lê-se, em mensagem a Jair Bolsonaro:

    “Ao invés de fazer croqui de bombas, escreva quantas vezes você foi ao Paraguai trazer muamba. Conte sobre os seus problemas no Mato Grosso. Verifique qual é o seu conceito na Brigada Paraquedista.”, diz a missiva, em parte referindo-se ao episódio narrado pelo próprio Bolsonaro à Veja, de que preparava atentados à bomba para promover sua campanha por aumentos de salários.

    A conclusão do relatório aponta que Bolsonaro passou a atuar na esfera dos militares sem “representatividade” ou “delegação” para tanto, questionando e acusando autoridades “de forma descabida” e contrariando as regras de hierarquia e ordem das Forças Armadas.

    Trecho de carta anexada ao dossiê do Exército sobre Jair Bolsonaro

    Também há menções ofensivas a Rogéria Nantes Braga, então esposa de Bolsonaro. O militar autor da carta fazia acusações de cunho pessoal a Rogéria, que a reportagem preferiu não publicar por não trazer conteúdo de interesse público. Mas não fizeram assim os colegas e comandantes de Bolsonaro que pregaram a carta na parede do quartel.

    Rogéria é mãe dos três filhos mais velhos do capitão reformado e foi eleita vereadora do Rio sob influência do marido em 1992. Depois, se separaram, e Bolsonaro disse que foi porque ela não o estava mais consultando antes de decidir seus votos e outras ações na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

    De qualquer forma, a insistência de Bolsonaro em fazer campanha dentro dos quartéis e os comentários que fazia na tribuna irritavam o oficialato. Em uma outra carta revelada pela imprensa em maio de 91, o então chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Jonas de Morais Correia Neto, o chama de “embusteiro, intrigante e covarde”, acusando-o de “inventar e deturpar visando aos interesses pessoais e da política”, como mostra reportagem abaixo, de 16 de abril de 1991.

    Em outubro daquele mesmo ano, quando Bolsonaro já era deputado federal então pelo PDC-RJ (Partido Democrata Cristão), suas frequentes visitas ao antigo emprego, para fazer propaganda política e angariar votos, contrariaram de tal maneira seus ex-comandantes que estes proibiram a entrada de jair Bolsonaro nos quartéis do Rio de Janeiro. É que, de acordo com o Comando de Operacões Terrestres (Coter) do Exército Brasileiro, Jair Bolsonaro estava insuflando a revolta na tropa.

    O general Alberto dos Santos Lima Fajardo, então comandante do Coter, explicou a punição em entrevistas à imprensa. Disse que Jair Bolsonaro estava “insuflando oficiais superiores e sargentos com panfletos criticando exaustivamente comando da tropa”.

    Ao ficar sabendo da punição, Bolsonaro disse que estava sendo perseguido pelo generalato que ocupava o Comando Leste (divisão administrativa do Exército Brasileiro em que está o Rio de Janeiro). Alertou seus colegas deputados para o risco que aquele tipo de arbitrariedade cometida pelo Comando Terrestre representava para a Câmara. Disse que o general Fajardo estava “agindo irresponsavelmente” e que era questão de tempo para que outros congressistas passassem a receber este tipo de tratamento persecutório que os comandantes do Exército lhe conferiam.

    A punição a Bolsonaro durou mais um ano. Nunca mais até hoje o Exército proferiu uma ordem como essa contra qualquer outro parlamentar brasileiro.

  • Márcio Greik: em resposta aos “cristãos” que defendem a violência.

    Márcio Greik: em resposta aos “cristãos” que defendem a violência.

    Em resposta aos “cristãos” que defendem a violência.

    Sou cristão e não voto no candidato da violência. Não voto neste candidato porque é despreparado intelectualmente e politicamente; porque apoia abertamente a tortura; porque trata a mulher como inferior; porque não respeita os quilombolas, os índios, os homossexuais e outras minorias; porque trata o trabalhador como um ser inferior. Não voto no candidato da violência porque, como cristão, não posso concordar com o expediente da violência, com a Lei de Talião.

    Estou escrevendo porque um “bom cristão” – mas desconfio fortemente que não seja um bom conhecedor da Bíblia – mostrou-se estarrecido pelo fato de muitos cristãos e, inclusive Pastores, votarem no Haddad. Quanta ignorância! Não estamos escolhendo um Papa. O que está em jogo não é a escolha de um líder para os cristãos. Estamos escolhendo/avaliando um candidato a Presidente; também não se trata de escolher um xerife.

    E, na minha opinião – como cristão que defende um Estado laico – um Presidente, além de condições intelectuais e políticas precisa reunir condições humanas, éticas e democráticas. Como cristão preciso votar em um presidente que, após vencer as eleições, seja o representante de todos e não de alguns segmentos e algumas teses. Precisamos de um presidente que não destile ódio a cada palavra que pronuncie; precisamos de um presidente que não legitime, por sua conduta irrefletida, a violência contra a mulher, a violência contra o diferente.

    Eu não quero ver torturas e mortes em meu país, de nenhuma forma, por nenhum tipo de expediente, sob nenhum pretexto. Não quero ver torturas e mortes causadas pelo aprofundamento das diversas formas de exploração do povo trabalhador; não quero ver torturas e mortes causadas pela imposição ditatorial de paradigmas monolíticos; não quero ver torturas e mortes alimentadas pela ignorância e ódio de muito “religiosos”.

    Muitos evangélicos estão sendo sequestrados pelo ódio e intolerância de alguns líderes. Muitos são vítimas aprisionadas pelo discurso do medo alimentado pela mentira e pelo horror ao diferente, ao divergente. Onde erramos? Qual Cristo esses cristãos seguem? Existe um outro Cristo? Um Cristo que inspire palavras como “bandido bom é bandido morto”? Será que o Cristo verdadeiro é pacato demais? Será que Ele ama demais? Onde está a incompatibilidade? O que fere mais o Cristo que ama, votar no PT ou votar na intolerância?

    Precisamos resolver nossas crises existenciais primeiro, realinhar nossa vida. Primeiro aplicamos em nós e, depois, somente depois, podemos tentar contribuir com a resolução da crise humanitária que atinge nossa sociedade.

    Chega de preconceito, chega de ódio e, por favor, um pouco mais de cristianismo.

    Márcio Greik é Professor, Jornalista e Pastor Evangélico.