Jornalistas Livres

Autor: Cecília Figueira | Jornalistas Livres

  • Privatização Chácara do Jockey: Mau negócio para o povo

    Privatização Chácara do Jockey: Mau negócio para o povo

    Na contramão da tendência mundial, de preservação e conservação de áreas verdes, os parques públicos de São Paulo, destinados ao lazer, à cultura e à educação estão ameaçados pela atual gestão municipal. As licitações que vem sendo feitas tem se caracterizado pelo descomprometimento  com a coisa pública, falta de consulta com a sociedade civil, urbanistas, especialistas do meio ambiente e populações usuárias dos espaços  já insuficientes de áreas verdes. Acresce-se ainda que os espaços públicos da cidade estão prestes a  serem entregues à iniciativa privada, mediante contrapartidas prejudiciais ao interesse público da população paulistana.

    No sábado 16 de março, ocorreu mais uma mobilização de usuários  e de moradores da Região do Butantã, contra a privatização do Parque Chácara do Jockey, criado em 2014 e inaugurado para o uso público em 2016. Este Parque, conquista de  uma luta da população da região para área de lazer e de preservação ambiental de mais de 20 anos, teve o investimento da Prefeitura de  30 milhões. Foi concebido como espaço de cultura, lazer, esporte, educação, preservando as áreas verdes e os recursos naturais, a memória da Chácara e as construções históricas.  O pólo cultural existente compreende atividades de Economia Criativa, Centro de Memória, Área de Exposição, Circuito SPCine, Centro de Informática e outros. Um dos pilares da implantação do Parque constitue-se na participação da população local através de um conselho gestor na elaboração das atividades e no controle social voltado ao interesse público.

    Todo esse patrimônio está sendo ameaçado pela licitação em curso , aberta pela Prefeitura, que prevê sem nenhuma consulta da população usuária e do entorno, a privatização da área através da concessão de uso por 35 anos para a iniciativa privada.

    O parque como espaço público está sendo ameaçado. Desde 2017 o governo municipal, movido pela ótica neoliberal, vem abandonando a manutenção do parque até mesmo para justificar a sua privatização. O uso do parque gratuito com esta licitação será  inviabilizado uma vez que não impõe restrições a negócios, libera espaços para exploração de alimentação, circulação de carrinhos para venda de bebidas, exploração comercial de baias, realização de shows pagos, estacionamentos comerciais.

    O Movimento Chácara do Jockey denuncia este desvirtuamento de sua função e conclama a população da região a lutar pela manutenção de suas conquistas. A festa/denúncia/resistência do dia 16, teve como objetivo convidar os usuários que ainda não participam do movimento a abrir os olhos para tudo que está em jogo: este espaço de lazer, meio ambiente, educação e cultura está ameaçado de se transformar em centro de comércio e serviços pagos de lazer, meio ambiente e shows com impactos negativos significativos para a preservação e sustentabilidade do meio ambiente de toda uma região. Marcaram este dia as falas de lideranças, rodas de dança circular, grupos de capoeira, grupos musicais, confecção de cartazes, desenhos.

    Ponto alto do evento foi a apresentação do grupo de Maracatu do Centro de Atendimento á Criança e ao Adolescente – CCA Gracinha, também ameaçado de fechar devido à supressão anunciada de convênio com a Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social, da Prefeitura de São Paulo.

    Finalizando as manifestações do dia, o grupo manifestante saiu em passeata com cartazes e faixas, estimulados pelo Maracatu do Gracinha, denunciando o fechamento do Parque e a intenção da Prefeitura de acabar com um programa educativo que atende 180 crianças e adolescentes, pais e comunidade da região, em trabalho com a população mais vulnerável, centrado da auto afirmação enquanto sujeitos da história e no resgate e incentivo da cultura popular. Para maiores informações acesse o link com petição pública

    https://peticaopublica.com.br/?pi=BR111162

    Como se vê a administração do prefeito Bruno Covas como de seu antecessor João Dória estão muito pouco interessados em garantir o que é direito e conquista da população, especialmente dos segmentos mais vulneráveis. Tudo ao empreendimento imobiliário e ao povo nada!

     

  • Ledores no Breu

    Ledores no Breu

    Nestes últimos tempos, a toda hora, só temos notícias ruins: retrocessos de conquistas, perda de direitos, malandragem na política, figuras exemplares da corrupção governando o país, judiciário rasgando as leis, violência ao ser humano, degradação da natureza e entrega de nossas riquezas, censura á liberdade de expressão, extermínio de jovens, mulheres, indígenas e negros, militares avançando…

    Quase nada que diga respeito à democracia, à civilidade, ao desenvolvimento social, cultural e econômico sustentável, do país tão rico que queremos e sonhamos.

    No entanto, para findar e abrir a semana, neste domingo no Teatro Ágora, o Dinho e o Rodrigo participantes da Cia. do Tijolo conseguiram com os “Ledores no Breu”, reunir grupo de pessoas indignadas. Com profundidade, simplicidade e poesia, inspirados em Paulo Freire, Frei Betto, Maria Valéria Resende e o poeta Zé da Luz, nos convidaram a ir fundo na reflexão, no reconhecimento da realidade do país, do homem brasileiro, de nossos dramas cotidianos seja no campo ou na cidade, em busca da vida.  Como sair da lama que estamos vivendo em nosso país? Como sair do analfabetismo não só das letras, mas de palavras desprovidas de sentido ou com significados distorcidos? Como superar o analfabetismo do sentir, do pensar, do agir, do sujeito político que habita em nós? Com o que estamos vivendo hoje em nosso país, estes atores conseguiram chacoalhar nossa consciência, remexer nosso desânimo, reavivar nossa memória de luta e de rebeldia, acolher os indignados, renovar a esperança e o desejo de lutar e de construir a UTOPIA.

    Esta peça é demais, há dias que a gente ganha o dia! Não percam!

    https://www.sympla.com.br/ledores-no-breu__437633

    “Aniquilar uma pessoa é tanto privá-la da comida quanto privá-lo da palavra.”

    Ledores no Breu no Ágora Teatro

    Até 25 de fevereiro de 2019

    Sábado e Segunda às 21h / Domingo às 20h

    Rua Rui Barbosa, 672 (perto do metrô brigadeiro)

    Telefone: (11) 3284-0290

  • Existir e Resistir

    Existir e Resistir

    Chegar na USP hoje (12.11.18) me despertou fortes emoções.

    Cursei Pedagogia nesta Universidade de 1967 a 1970. Vivíamos a Ditadura que se aprofundou na Universidade com a invasão do Exército em 1968: fechamento do CRUSP, residência estudantil, prisão de estudantes e professores, perseguição política, expurgo de professores, exílio, desaparecimentos. Terminar a Faculdade para mim neste período exigia um esforço e um convencimento pessoal cotidiano de que era importante naquele momento conseguir o “canudo”. Com a morte de meu pai precocemente em 1968, tive que me transferir para a noite para ajudar no sustento da família. Arrumei 2 empregos. Eram muitos deslocamentos, desgaste e quase nenhuma compensação do ponto de vista de minha formação profissional que se forjou muito mais pelos desafios do trabalho do que pela formação acadêmica. Tinha aula à noite, muitas vezes nos barracões improvisados das Ciências Sociais, da Psicologia.

    Na Faculdade de Educação embora o que me tivesse movido a escolha da profissão tivesse sido Paulo Freire, ele não entrava no currículo, centrado em Administração Escolar em que tínhamos que decorar as leis, Filosofia apenas dos filósofos gregos, História da Educação em que diante da reivindicação de estudarmos educadores mais recentes, nos forçaram a ler a “Educação do Príncipe” de Maquiavel, com apenas 2 exemplares na biblioteca. Em Psicologia Social, o programa que versava sobre comunicação, formação política e consciência crítica, foi revisto para estudarmos o comportamento social das focas e das formigas, muito mais oportuno e importante para o momento… Quase todas as noites os espaços do campus estavam tomados por cavalarias e militares que nas janelas de vidro das portas das salas de aula, vigiavam professores e alunos.

    Afinal que conteúdos e reflexões estavam propondo nas salas de aula?

    Nos finais da década de 80 e início de 90, a USP já era outra, com professores comprometidos, centros de estudos voltados para inserção e compromisso com a construção de uma sociedade mais digna e justa.

    Lembrei-me hoje de trabalhos apresentados na década de 90 em espaços acadêmicos da USP, a partir de minha vivência profissional na Prefeitura, acolhidos na História e Geografia pelo Professor Milton Santos e no Centro de Estudos Rurais e Urbanos CERU pela professora Maria Isaura Pereira de Queirós.

    Diante da conjuntura que estamos vivendo não pude deixar de fazer memória: a quebra da democracia, a perda de direitos, a onda de conservadorismo, o desrespeito às diferenças e a violência institucionalizada, o ataque às universidades e o cerceamento à liberdade de ensino e de pesquisa, os retrocessos em todas as áreas, me remeteram ao tempo da ditadura.

    Confesso que ao chegar no auditório da História e Geografia, fiquei emocionada. A convocatória para eventos de 2 dias “Existir e Resistir”, por professores e lideranças de institutos de pesquisa e de movimentos sociais de diversas áreas, fez acionar o motor da esperança!

    Na mesa sobre o Ódio, conduzida pelos professores Tessa Lacerda e Renan Quinalha, com apoio de outras áreas, senti o afirmar o compromisso da Universidade com a sociedade, situar a pesquisa e o conhecimento como instrumento e apropriação da realidade para poder transformá-la.

    ESCOLA SEM PARTIDO, NÃO!

    No que podemos contribuir para enfrentar essa realidade? Vivemos em tempos sombrios em que atônitos queremos entender o que se passa e o que se passou para que Bolsonaro, deputado federal há 28 anos, sem ter aprovado nenhum projeto de importância para o país, um capitão do exército despreparado, temperamental, truculento e sem nenhuma compostura para ser Chefe de Estado, obteve 59 milhões de votos. Sua campanha não tinha propostas, suas falas agressivas, anunciando perda de direitos e destilando ódio, ganharam adesão e tiveram écos em milhões de corações brasileiros.
    Tessa Lacerda, professora da Faculdade de Filosofia da USP, filha cujo pai foi torturado e morto pela Ditadura Militar com sua reflexão e depoimento, mexeu na ferida: nosso país foi o único que não quis investigar e penalizar os responsáveis pelas torturas, mortes e desaparecimentos.
    Temos que lembrar dos vivos e temos que lembrar dos mortos. Este não é um trabalho perdido. Ainda em 2014 foram descobertas valas de Perus, a tortura, desaparecimento e morte ainda é uma prática e lembra Brecht em seu poema “Porque meu nome ainda será lembrado?” Em maio deste ano, uma nota questiona a Lei da Anistia aos presos políticos. É difícil falar em um país que não nos deixa falar que mais de 200 mil pessoas foram torturadas…

     

    Em 06.11.18 a ponte de Brasília que no governo do PT passou a se chamar Honestino Guimarães, volta a se chamar General Costa e Silva.

    Porque lembrar o passado não vivido? A memória faz parte do passado para buscar o sentido para o presente. Como fazer para que o olhar do passado extrapole a dimensão individual para o sentido coletivo. A memória dos sem nome (Benjamin) é que deve ser relembrada, a história dos oprimidos que ganhariam alguma voz com a Comissão da Verdade e outros, passou a ser sufocada a partir de agosto de 2016. Conhecer o passado para interferir no presente. Falar tem um sentido não apenas terapêutico mas um sentido político. Muitos das novas gerações e das pessoas que nestas eleições defenderam e defendem a ditadura militar, não tem ideia do que ela foi.

    A história do século XX é de que muitos que viram o horror, já não podem falar. A descoberta do documento da CIA denunciando o extermínio é segundo Jean Marie uma história que não deixou túmulos, ossos e rastros.

    Porque a ditadura se perpetua? A negação dos agentes da repressão como política de Estado, mesmo após a Comissão da Verdade é uma maneira de se relacionar com o passado que sanciona a opressão e o extermínio de minorias e lideranças. Hoje a prática da tortura se naturalizou, permitindo incêndio de aldeias indígenas, assassinato de pessoa que se pronunciou diferente e lideranças do campo, Marielles, morte de LGBTs entre o 1o e o 2o turno, extermínio cotidiano de jovens negros.

    Segundo o Professor de Direito da UNIFESP, Renan Quinalha, o Brasil é o único país do mundo que após a Ditadura e a Comissão da Verdade, articulou o golpe.

    Para ele, a LGBTfobia faz parte da ideologia de gênero que sempre segregou a sociedade. Esta divisão binária provocou o desequilíbrio, a submissão e a estigmatização do feminino. 2% da população mundial é de população intersexo, hermafrodita. A fobia é fruto de uma ordem compulsória de sexo, gênero e desejo. Nos dias de hoje há 1 assassinato de LGBTs a cada 19 hs, dado que é subestimado e o Brasil é um dos países que mais matam LGBTs. A violência é algo constitutivo do nosso estado de direito, faz parte da hegemonia biopolítica em que impera a dominação de uma minoria sobre a grande massa da população. Exemplo disso é Dandara no Ceará, olham o deslocamento da violência como algo “natural” da sociedade.

    O que estamos vivendo hoje no Brasil, a violência e o ódio, é reação a conquistas recentes: ao direito a mudar o nome no cartório conforme orientação sexual, casamento homossexual, maior acesso à educação, abertura de novas universidades e política de cotas, conquistas de espaços públicos. Esses novos costumes e direitos que mudaram provocaram cruzadas morais como resposta as conquistas em que a Escola Sem Partido é um exemplo. Esta onda conservadora é cíclica, e hoje estamos no olho do furacão. Temos a obrigação de barrar esta onda conservadora, estamos vivendo um ciclo de degradação institucional. É necessário sair do pânico, olhar com certa serenidade novas formas de resistência e luta. Desde já o governo Bolsonaro se aponta como um bate cabeça generalizado entre diferentes atores Paulo Guedes, Moro, Alexandre de Moraes… O governo do Bolsonaro não tem nenhum compromisso político, não há clima de unanimidade, a crise econômica não será superada facilmente. Esse é nosso pano de fundo.

    É importante repensar quais eram os limites dessa democracia pois só algumas parcelas da população tinham direitos. A dimensão identitária não foi pensada, é preciso e urgente a esquerda se abrir.Momento de repensar e acumular forças e ver uma perspectiva mais generosa das esquerdas. É aí e nos movimentos sociais que nasce a esperança!

    Aberto o debate algumas pessoas reforçaram a importância de retomar o trabalho de base junto ao povo, às periferias, fortalecer e organizar a resistência da sociedade civil. Falou-se dos Coletivos da Resistência que envolvem vários grupos da cultura e outros: Linhas de Sampa, midias independentes como Jornalistas Livres, Flores pela Democracia, Lulaço, Flores da Resistência, Camisa 13, e tantos outros. São novos desafios, nova realidade, novos costumes, novos contornos. Precisamos ser criativos, valorizar as diversas formas de manifestação da cultura, reforçar laços de solidariedade, criar novas linguagens, estar junto, escutar, seguir, avançar…

    Nossos desafios não poderiam ser explicitados de maneira mais clara mediante a intervenção de um professor da História, quando um grupo de Maracatu iria se apresentar como parte da programação. Chegou com muita arrogância, indignado, furioso com o barulho da música.O barulho atrapalharia as aulas, ele tem razão, mas era preciso tanta truculência? Disseram que é um professor de esquerda, dialogar e escutar o outro é um dado fundamental do EXISTIR E RESISTIR.

    Há disposição e compromisso: professores, alunos e coletivos na luta! Estamos juntxs!

  • As forças golpistas, não sabem o que fazer com Lula

    As forças golpistas, não sabem o que fazer com Lula

    A Recomendação do Comitê dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas – ONU, em defesa do direito político de Lula se candidatar até que todos os recursos sejam julgados, veio balançar as estruturas do poder do governo de exceção. O golpe tão bem arquitetado pelo governo golpista representante dos interesses da elite brasileira e do capital financeiro internacional, em conluio com a maioria do Parlamento (Deputados e Senadores), Supremo Tribunal de Justiça – STJ, Supremo Tribunal Federal – STF e pela grande mídia, não sabe muito bem o que fazer com o Lula.

    No dia 7 de abril, após lhe ter sido negado o direito de defesa, Lula saiu do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, berço de sua luta e carreira política, para se apresentar à Polícia Federal de Curitiba e cumprir mandado de prisão expedido pelo juiz Sérgio Moro, juiz de 1ª instância.

    Os dois dias que antecederam o 7 de abril foram dias de intensa mobilização popular. Lula saiu de cabeça erguida e com dignidade, reforçando sua luta, sua história, denunciando a injustiça de sua prisão e a sua verdadeira causa: ter realizado um governo que deu dignidade a milhões de brasileiros antes em extrema pobreza, ter lutado por maior distribuição de renda, pela democracia e pela defesa de nossas riquezas e da soberania de nosso país.

    Como disse nosso presidente “eles podem me prender, mas a partir de hoje o Lula agora é uma ideia, cada um de vocês será um Lula a se espalhar por este país em busca de justiça”. Os companheiros de luta e de sonhos, os fortes guerreiros que não desistem da utopia de um Brasil mais justo e digno, o povo brasileiro beneficiado por suas políticas sociais inclusivas, não o abandonaram.

    Foto de Celso Maldos

    Desde este 7 de abril, em todos os cantos do país, a insatisfação popular com a perda de direitos sociais e a consciência um pouco mais clara em relação à prisão política de Lula tem se revelado cada vez com mais intensidade. De diversas maneiras e muitas vezes através da arte, em muitos lugares, nas cidades, no campo, nas ruas, nas praças, nas redes sociais, nos veículos da imprensa independente, na solidariedade de organizações e de veículos internacionais, multiplicam-se as manifestações de protesto, de inconformismo e de desobediência civil.
    Apesar do bloqueio da mídia, de todas as articulações das forças golpistas para “tirar o brilho de Lula e de sua estrela” e de inviabilizar a sua eleição, sua candidatura é real, foi registrada e a sua popularidade e intenção de votos só cresce.
    A pressão das manifestações populares no país: Vigília Marisa Letícia; Ato de Artistas e Intelectuais no Rio de Janeiro por Lula Livre; Caravanas de apoio ao Ato de Registro da Candidatura de Lula que reuniu 50.000 manifestantes; MST; MTST; Frente Brasil Popular e Frente do Povo sem Medo; os Lulaços por todo o Brasil; iniciativas criativas, artísticas e simbólicas como Cartas ao Lula, Flores pela Democracia e por Lula Livre, Camisa 13, Quarteirão da Saúde, Resistência da Cultura e demais intervenções nas ruas e em praças públicas, grupos de funk e rapp; as diversas formas de resistência, criação e denúncia nas redes sociais e para organismos internacionais; a garra, a coragem, a rebeldia e o compromisso da mídia independente TVT, Jornalistas Livres, Rádio Brasil Atual, Mídia Ninja, Tijolaço, GGN,Carta Maior, Conversa Afiada e outros, não eram esperadas pela direita.
    É necessário, no entanto, que as forças progressistas tenham cautela: o ufanismo não pode nos contaminar. Os ventos favoráveis que estão soprando com a articulação e reorganização das forças progressistas, ainda não são suficientes para dissipar a forte tempestade e tormenta arquitetada com armas poderosíssimas do golpe. De maneira muito profunda o golpe levou muita gente, especialmente das camadas populares ao descrédito da política, à radicalização do ódio, ao conservadorismo e ao retrocesso das conquistas sociais e da democracia.

    Foto de Celso Maldos

    No trabalho que vimos desenvolvendo com as Flores pela Democracia e por Lula Livre, temos tido a oportunidade de ouvir de uma maneira diferente, mediada pela flor os sentimentos e posições de parcelas das camadas populares.
    Com muitos temos tido boa receptividade e oportunidade de conversa, reflexão e troca de informações importantes sobre a farsa do golpe e da prisão de Lula, sobre a importância da luta, da participação política e da resistência popular pela liberdade de Lula. Conversamos também sobre o significado do voto e a importância do voto consciente com escolha de pessoas progressistas que explicitam o compromisso em seu programa e em sua prática pela defesa dos direitos sociais e humanos, da democracia, da justiça e da soberania do país. Alguns se entusiasmam, se inspiram e despertam para o compromisso de luta e passam a ser semente nos lugares em que moram, em seu trabalho e em suas relações. Através da Flor pela Democracia e por Lula Livre, levam consigo novas visões e o sentimento de solidariedade e de que não estamos sós.
    Já com outros a reação é o retrato do que foi inculcado na cabeça do povo com a massificação e manipulação política da grande mídia e demais forças da direita e do poder econômico. A desqualificação da política e o sentimento de que todos são iguais “a política prá mim já era, nenhum presta”, a disseminação do ódio e a falta de discernimento “por mim ele pode ficar mofando lá na cadeia”, “eu voto é em Bolsonaro que tem condições de acabar com os bandidos desse pais”, “solta Lula e eu prendo você”, “Lula é que acabou com nosso país e por isso estamos em crise”.
    Mais do que nunca até as eleições e daqui pra frente e sempre, é necessário radicalizar e multiplicar as ações que tem aflorado e pipocado por todo o país. Além da desinformação, há uma insatisfação e desconfiança submersa e em muitos a vontade de se informar. Temos que usar de todos os instrumentos e é imperativo considerarmos também a importância do contato direto com a população, e juntos descobrir e construir novos jeitos de participar e de denunciar o retrocesso e a perda de direitos que estamos tendo em nosso país em que Lula é o principal exemplo.
    Enfim é fundamental também o “boca a boca, o olho no olho”, o trabalho de base e de formação por todos os cantos e meios, agora para as eleições e para sempre!
    Vamos à luta!

     

  • Lula Livre: reafirmar o compromisso, multiplicar a resistência

    Lula Livre: reafirmar o compromisso, multiplicar a resistência

     

    Munida de uma mochilinha com material de trabalho e 15 Flores pela Democracia e por Lula Livre, saí com destino à Brasília, para participar do Ato político de apoio ao registro da candidatura de Lula. Levar estas flores fazia parte de uma estratégia de divulgação do motivo de minha viagem, desde o taxi que peguei rumo ao aeroporto. Em Congonhas vi pessoas que sorriam em sinal de identidade com a causa, distribuí algumas Flores para funcionários da faxina que solicitaram, reconheci no avião companheiros. Pairava no ar a cumplicidade que nos movia: a luta por Lula Livre e pelo direito dele se candidatar a Presidente da República, a indignação quanto ao julgamento de processo sem provas que o levou à prisão política e às irregularidades jurídicas que vigoram em todo o processo. Mais uma vez, a determinação de lutar e a esperança!

    Com o golpe de 2016 que destituiu Dilma Roussef, Presidente legitimamente eleita, a capital e o Governo Federal se transformaram em centro de articulação de poderes, em palco de impunidades, arbitrariedades e hostilidades com objetivos e metas muito claras:

    • destruição de direitos sociais e trabalhistas do povo brasileiro; – corte de investimentos em políticas sociais como educação, saúde, moradia popular, Bolsa Família e outros; – destruição da indústria nacional e da pesquisa científica; – dilapidação de nosso patrimônio e de nossas riquezas  para multinacionais estrangeiras, tudo de acordo com a cartilha do neoliberalismo, imposto pelo capital financeiro internacional.

    Brasília que nestes tempos virou terra arrasada, nestes últimos dias estava transformada. Desde 13 de agosto, movimentos sociais foram se chegando de todos os cantos do país.

    “Viemos de Marília, interior de São Paulo e passamos por Bauru e por São José do Rio Preto. Nós viemos por Lula Livre porque queremos oportunidade para todos. A viagem foi bem puxada, 15 horas, mas vale a pena. Nós não vamos descansar por Lula Livre e por Lula presidente” (Lurdinha, 63 anos).

    “Depois de 2 dias de viagem passando dores e todo tipo de dificuldades, eu sinto que vale a pena, a gente se sente muito feliz pelo Lula… Ele já fez muito por nós e a gente agora precisa fazer por ele”. “Sou advogada e professora de história e eu não precisaria estar aqui neste momento mas. como nós somos um grupo que lutamos contra a fome, contra a desigualdade social, o Lula nos representa como o homem que tirou o Brasil da miséria., que tirou milhões da fome. eu não posso ter comida na minha mesa e o meu vizinho  não ter, por isso eu quero Lula Livre” (Grupo Elas por Elas, do Maranhão).

    As proximidades do Estádio Mané Garrincha e do Nilson Nelson, do Eixo Monumental, da Esplanada dos Ministérios, da Câmara Federal e de todo o trajeto para o Tribunal Superior Eleitoral – TSE foram se modificando.

    Foto de Celso Maldos

    Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz de 83 anos, se somou a este movimento, Leonardo Boff, lideranças políticas comprometidas com a luta e construção de um país mais justo e digno, grupos organizados, MST, jornalistas independentes, movimentos de mulheres e de juventude, intelectuais, artistas, sindicalistas, pessoas individualmente.

    Antes mesmo da caminhada para o Tribunal Superior Eleitoral – TSE, no Distrito Federal, ainda que de maneira um pouco velada, comecei a perceber um deixar de lado o descrédito e um respirar novo clima de esperança: trabalhadores do comércio, jornaleiros, vendedores ambulantes, funcionários públicos.

    “O que temos percebido é que tem melhorado a percepção da classe trabalhadora de que Lula é um preso político. Eu tenho um adesivo no carro, antes me agrediam e sinto hoje que as coisas estão melhorando…” (Iolanda Rocha, da periferia de Brasília).

    A identidade do vermelho, a quantidade de faixas, bonés e broches, a chegada das caravanas e marchas,

    Foto de Adriana Matta de Castro

    as mais diferentes iniciativas independentes (Resistência da Cultura, Quarteirão da Saúde, Flores Pela Democracia, Linhas de Bordado, Elas por Elas) e gestos, de forma organizada e pacífica começaram a tomar corpo e voz.

    Foto de Ângela Maria Andreolli

    Passos firmes e determinados, comunhão de ideais, compromisso de luta por justiça social, dignidade do povo, soberania do país e luta pela liberdade de Lula, não se intimidaram com o grande aparato policial montado para nos desarmar.

    Foto de Celso Maldos

    Éramos 50.000 junto ao TSE. Muita energia e emoção neste momento histórico: testemunhamos o registro da candidatura do Lula para concorrer à Presidência da República.

    As garras do poder e o arbítrio não darão sossego e tentarão massacrar nossos sonhos e nossa liberdade. Tentarão manter nosso povo e nosso país de joelhos.

    Nossos atos políticos, nossos gestos, nossa união, determinação e nossa garra e coragem irão fortalecer a resistência, respirar novos ares e liberar o grito calado do povo oprimido, atônito diante de tanto retrocesso.  Juntos nesta caminhada, seremos sujeitos da construção de nossa história. A batalha com grande parte do Judiciário de nosso país, sujeito e articulador do golpe e, com os poderes instituídos em nosso país, será incansável.

    Foto de Dora Sugimoto

    Sigamos o exemplo das mulheres do Elas por Elas – Maranhão:

    “Eu saio aqui cansada porque a gente fez um percurso muito extenso mas com essa multidão, esse povo reunido, a gente sai daqui renovada. Porque a gente vê esse povo todo junto,  a gente sente que são as pessoas mais necessitadas, pobres, do MST, dos movimentos sociais. Foi a primeira viagem de uma extensão muito grande que a gente sai do acampamento Lula Livre em São Luís. foi uma experiência ímpar . A gente veio com o grupo Elas por Elas, trabalhadores,também uma parte da juventude. É um exemplo que eu vou levar para o resto da minha vida. Um evento tão gigante e tão bem organizado, com um só objetivo que é Lula Presidente e o Brasil voltar a ser feliz”.

    “O Elas por Elas é um projeto para empoderar as mulheres na política. Como a companheira já falou, o Lula fez muito pela gente e a partir de amanhã seremos mais de milhões de Lula, lutando e fazendo campanha por Lula Livre e é isso aí, conto com vocês nesta campanha bonita também”. “Sou do Maranhão e vou levando muita esperança de ver o povo feliz novamente, com Lula Presidente”. “A gente veio aqui representar o povo de Presidente Médici, a gente acredita que lá o Lula tem 90% de voto nas urnas. O Lula mudou a vida das pessoas, não só da gente. O Lula mudou a vida de muita gente, o povo é apaixonado pelo Lula, eu acredito que muita gente foi afetada pelo Lula, para melhor. Sou vereadora e a gente que trabalha no dia a dia por isso está levando vários registros prá mostrar prá eles e a gente se sente feliz por isso. A gente está aqui representando o povo não só do Maranhão mas do povo brasileiro. O Lula mudou a vida de muita gente, não tem ninguém que não foi afetado por isso e a gente se sente feliz de estar levando isso”.

     

    Vamos à luta e ser multiplicadores por um novo momento em nosso país e por Lula Livre!

     

     

  • Arcos da Lapa e “Flores para a Democracia”

    Arcos da Lapa e “Flores para a Democracia”

    Mais uma vez no Rio de Janeiro, como nos anos de chumbo da ditadura militar, artistas que se recusam a ser obrigados a calar a voz, protagonizaram o Ato por Lula Livre. Fortes emoções e muita energia emergiram deste momento histórico tão significativo para a luta de resistência popular nos Arcos da Lapa.

    Como uma das representantes do “Flores pela Democracia por Lula Livre”, ação política que vem sendo desenvolvida sistematicamente desde abril deste ano, participei deste Ato carregado de sentimentos de indignação e simbologias.

    A inquietação de algumas pessoas amigas com afinidade ideológica, desencadeou esta ação de militância política através das Flores, movida pela vontade e determinação de contribuir para a mudança desta dura realidade pós golpe em 2016, que culminou com a prisão política de Lula.

     

    Começamos com 4 pessoas e hoje somos um coletivo, uma redinha,  que abrange cerca de 50 pessoas. Uns atuam diretamente, outros que podem parecer invisíveis contribuem com parte significativa no suporte de confecção de flores: cata de gravetos, doação de papel crepom ou cola, impressão de filipetas, elaboração de textos curtos e em linguagem acessível para que todos possam entender..

    Em cada ato realizado em praças públicas, descobrimos novas identidades, novos parceiros, novos grupos que se somam e se articulam pelo desafio de romper a bolha da passividade, do descrédito da política e da falta de informações, tão bem trabalhada pelas forças golpistas, pela rede Globo e pela grande mídia.

    Estamos juntos com grupos de resistência da saúde, da cultura, Linhas de Sampa e com pessoas cujo desafio é atingir novos corações e mentes. As flores possibilitam conversa e diálogo com pessoas diversas e, especialmente para aquelas de camadas mais simples, populares, as mais atingidas pelo golpe e sedentas de troca de informações e sentimentos sobre o momento que estamos vivendo.

    Nossas  armas “Flores pela Democracia – Lula Livre” são uma semente para luta e reflexão, que podem se espalhar por todo lugar.

     

     É um trabalho de formiguinha que tem despertado interesse. Conversamos sobre a farsa da prisão do Lula, a perda de direitos sociais, trabalhistas e do direito de defesa, o corte de investimentos nas políticas públicas, a venda do patrimônio e das riquezas naturais de nosso país, a importância da política, a força da união do povo na reversão do retrocesso de direitos, da soberania de nosso país e de nosso povo, de desmoralização de setores da política e do Judiciário.

     

    Com este espírito uma pessoa de Brasília e 5 de São Paulo do “Flores pela Democracia – Lula Livre”, fomos aos Arcos da Lapa. Confeccionamos, trocamos ideias e distribuímos flores. Assim marcamos nossa presença: dedicamos um tempo de prosa para quem se aproximava, entregamos flores para a maioria dos ambulantes que emocionados enfeitavam suas barracas e isopores, enviamos um ramo de flores para os artistas. Gestos simples e simbólicos para fazer frente a essa onda de ódio de classe, intolerância e de retrocessos.

    Segundo o depoimento de Duda, uma argentina que veio especialmente prestar solidariedade ao Ato por Lula Livre e à luta de resistência do povo brasileiro, “o Lula Livre é muito mais que a liberdade de Lula, é a liberdade política, de pensamento, de raça, de gênero. Esta luta é muito maior para todo o universo e é muito mais importante do que a gente pensa. Um movimento latino americano por democracia, saúde, educação, trabalho, casa para todos, dignidade da pessoa, afirmação da mulher…”

    Ao chegarmos ao Rio, mesmo antes do Ato nos tornamos maiores com o apoio de um grupo de mulheres da Praça do bairro do Peixoto. Sob os Arcos da Lapa nos enriquecemos com novos contatos e novos adeptos: Flores e Linhas de Bordado do Rio, alguns populares, estudantes, militantes.

    Movimentos e forças progressistas unidos e fortalecidos pelo Lula

    O clima que permeou todo o Ato nos Arcos da Lapa contagiou. A sede de justiça, a indignação contra tudo o que estamos  vivendo, a garra na luta pela liberdade de Lula fortaleceu aquela multidão/semente. O recado indignado dos artistas das mais diferentes áreas e gerações, a presença das pessoas comprometidas com a luta de resistência nos remeteu à força e à determinação de Lula. A todo momento a sensação muito forte de que Lula ia aparecer.

    A sinergia dos presentes reforçou ideias, valores e emoções.

    Que vida e país queremos construir?

    De lá saímos todos mais fortes,

    “Neste país está faltando ele, e a falta dele está doendo em nós…”

    Vamos à luta!