Diário do Bolso: não falar nada na CPI

Ah, Diário... não falar nada na CPI.É madrugada, o sol ainda nem nasceu, e eu já estou escrevendo aqui em você. Dessa vez nem a xingoterapia me acalmou. E olha que eu xinguei um bocado de gente de “idiota” esses dias. Ando meio nervoso por causa dos depoimentos desta semana. Hoje vai ter o Ernesto Araújo (pô, tomara que ele tenha tomado todos os remédios) e amanhã tem o Pazuello. Só os dois juntos já seria ruim (tão até chamando a dupla de Maluco e Milico). Mas na quinta-feira, pra completar, ainda tem a Capitã Cloroquina, que é o apelido da Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde.

Por José Roberto Torero* Ah, Diário… não falar nada na CPI.É madrugada, o sol ainda nem nasceu, e eu já estou escrevendo aqui em você. Dessa vez nem a xingoterapia me acalmou. E olha que eu xinguei um bocado de gente de “idiota” esses dias.

Ando meio nervoso por causa dos depoimentos desta semana. Hoje vai ter o Ernesto Araújo (pô, tomara que ele tenha tomado todos os remédios) e amanhã tem o Pazuello. Só os dois juntos já seria ruim (tão até chamando a dupla de Maluco e Milico). Mas na quinta-feira, pra completar, ainda tem a Capitã Cloroquina, que é o apelido da Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde.

Vão ser três depoimentos que podem me estrepar.

Até fiz um grupo no zap-zap pra nós quatro. Pensei em dar o nome de “Muda Brasil”, mas na hora agá troquei por “Brasil Mudo”.

Sei que eu disse, em 1999, que devia ter pau de arara pra quem não quisesse falar em CPI. Mas isso foi antes, pô! Pau de arara no dos outros é refresco.

Agora eu acho que os três têm é que dar um jeito de não falar nada mesmo.

Inclusive, no tocante ao mutismo, pensei numas táticas aí.

O Ernesto, pra não falar que atacou a China, que desprezou a Covax e que não ligou para a Pfizer, vai dar uma de disco riscado (o que ele já faz normalmente).

Por exemplo, quando perguntarem: “O senhor acha que o coronavírus faz parte de um plano comunista para dominar o mundo?”, ele vai responder: “É…, é…, é…, é…”, e vai continuar assim por doze horas seguidas. Ele já tem uma certa gagueira mental. Só precisa exagerar um pouco.

O Pazuello tá garantido com o “Habeas Corpus” dele. Pra qualquer coisa que perguntem, ele vai responder: “Tenho o direito a não afirmar nada que me comprometa”. E ele vai usar isso mesmo se quiserem saber se ele é Flamengo ou Vasco ou se precisa ir no banheiro.

Já a Capitã Cloquina vai usar uma máscara de couro tão grossa que ninguém vai entender patavina do que ela disser. Tipo o cara daquele filme: “O silêncio dos inocentes”. Só que, no caso, vai ser “O silêncio da culpada”.

Ah, Diário, mesmo com essas táticas brilhantes, eu tô preocupado. Nunca imaginei que iriam me encher tanto o saco só por causa de meio milhão CPFs cancelados. Idiotas!

José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

#diariodobolso

Pra quem foi a bufunfa?

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