“O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
Vaca é sua mãe. de leite.
Vaca e galinha…
Ora, não ofende. enaltece, elogia:
Comparando rainha com rainha
Óvulo, ovo e leite
Pensando que está agredindo
Que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo”

Elisa Lucinda – Aviso da lua que menstrua


De fato, eu nunca levei jeito pra gado, mas sei ser uma perfeita vaca, sempre que preciso. Minha frase do dia, hoje, é essa mesmo: “por mais vacas e menos gado”.

Tá osso. Nóis sabe. Tá osso que faz até fila.
No primeiro turno das eleições descobrimos que 50 milhões de pessoas do nosso próprio país querem nos ver mortas: nós, mulheres pobres, nordestinas, pretindígenas e gays…
Porque todo esse povo que votou no Bozo, votou porque concorda com as ideias dele, não?

Ele: um canibal frustrado, um torturador machista, que tem medo de preto e de viado.
Ele: um asno genocida e aspirante a ditador de segunda categoria, cujo lema é “Deus acima de tudo e EUA acima de todos”.
Ele: que é a favor do aborto – só quando o dele está na reta -, que transa com animais e mulheres famintas – desde que sejam “limpinhas”.
Ele: que conspira com a maçonaria e ri dos nossos parentes mortos pela polícia, pela covid, pelo sistema de saúde depredado pelo seu governo (enquanto a boiada passa e vai desmatando nossas florestas e matando lideranças indígenas e ambientalistas).
Ele: que quer fechar as universidades públicas, cortando verbas, enquanto chama o Nordeste de analfabeto…
Ele: chefe do bonde dos messias, da quadrilha que comprou 51 imóveis com dinheiro vivo e que decretou sigilo de 100 anos sobre sua rotina de governante, porque sabe que, saindo da presidência, vai direto para o presídio…
É nesse sujeito que quase metade do país votou.

Tá osso.
Sérião…
E o pior é que ainda pode dar mais ruim quando, entre nós, a gente passa a se desentender. Quando, no nível miúdo, individual e coletivo, o que antes era porto seguro vira ilha do mal… (não vou entrar em detalhes, mas minha Fraquê Matsunaga interior sentiu vontade de levantar e sair capotando…).
Quando isso acontece, é que passou da hora de tomar uma atitude.

De fato, eu nunca levei jeito pra gado, mas sei ser uma perfeita vaca, sempre que preciso. Minha frase do dia, hoje, é essa mesmo: “por mais vacas e menos gado”.
Votem no Lula.
Me aguardem.
Tenho dito.

Dinha (Maria Nilda de Carvalho Mota) é poeta, militante contra o racismo, editora independente e Pós Doutora em Literatura. É autora dos livros "De passagem mas não a passeio" (2006) Diário do fim do mundo (2019) e Horas, Minutas y Segundas (2022), entre outros. 
Nas redes: @dinhamarianilda


LEIA TAMBÉM algumas das crônicas anteriores:

O Reizinho Genocida

Café com Meritocracia

Eu queria ser boçal ainda

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