Demitidos do Grupo Abril fazem protesto digital no dia do Prêmio Claudia

No Facebook e no Instagram, o Comitê de Jornalistas Demitidos do Grupo Abril publicou um manifesto revelando, entre outras dificuldades, a situação de ex-funcionários que, em tratamento contra o câncer, perderam o plano de saúde antes mesmo do término do aviso prévio. O texto ressalta a importância das mulheres premiadas e afirma que, inspirados nelas, os 1500 dispensados lutam para receber as verbas rescisórias negadas pela Abril. O Grupo entrou em Recuperação Judicial em agosto e deixou os empregados sem receber. Para os ex-funcionários, ao dar o calote e provocar o caos social, a família Civita, controladora do Grupo, perdeu a capacidade ética e moral de realizar o Prêmio e não deve pegar carona na biografia de cidadãs que lutam contra abusos — como este cometidos pelos empregadores. Os cards coloridos ilustram as postagens

A íntegra do manifesto:

 

“A festa de entrega do Prêmio CLAUDIA acontece nesta noite. As guerreiras que estarão no palco merecem nosso aplauso e reconhecimento. O Grupo Abril, que promove o Prêmio, é que não está à altura das brasileiras que lutam para mudar o país. Depois de dar o calote em 1500 profissionais demitidos, de não pagar a eles as verbas rescisórias, perdeu a condição moral e ética de outorgar qualquer prêmio.

Ao se tornar um predador – provocando um desarranjo no mercado editorial do Brasil – e abandonar milhares de leitores com o fechamento recente de onze publicações, a Abril não pode pegar carona na biografia das mulheres do Prêmio Claudia. Elas ensinam a reagir ao opressor. Mostram como lutar por direitos. Combatem todo tipo de violência. Dão exemplo de resistência, tenacidade, perseverança. Nós, demitidos, lutamos hoje como uma vencedora do Prêmio Claudia.

Toda hipocrisia deve ser denunciada. É falsa a intenção do Grupo Abril de destacar mulheres de coragem. Quer, na verdade, usar a imagem delas para tentar lavar sua honra. As candidatas dedicam a vida à defesa dos direitos humanos, a combater o opressor. Resistem e dizem não. Aprendemos com elas a enfrentar o Grupo Abril. E inspirados nelas, revelamos mais uma triste verdade: entre os funcionários jogados na rua já tem gente com fome e doentes com câncer que tiveram o plano de saúde cortado antes mesmo do término do aviso prévio.

O clã dos Civita, que detém o controle do Grupo, não respeita as mulheres. Dos onze títulos fechados, oito eram femininos. Nas redações das revistas mortas, 95% da mão de obra era feminina. Mães e chefes de família perderam o sustento. A Abril Comunicações não tem mais respaldo para promover o Prêmio Claudia. A crua realidade é que fabrica esta vitrine para obter receita e atrair o patrocinador, que acaba chancelando os erros e corroborando com o calote dado aos que fizeram o nome e a importância da editora que foi a maior da América Latina.

Reiteramos nossa homenagem às notáveis do Prêmio Claudia, incluindo as colegas que trabalham para que ele aconteça. Dão o sangue à tarefa e não terão o reconhecimento da Abril – que, com frieza e crueldade, vai atirá-las ao desemprego, sem direitos. Depois da reforma trabalhista ficou muito fácil para o mau empregador, sem responsabilidade social e compromisso público, descartar empregados e freelancers como se atira restos ao lixo. Às colegas, todo nosso respeito.

Por último, reiteramos aqui nossa cobrança: Paga Civita, imediatamente, tudo que deve aos ex-empregados, homens e mulheres competentes que fizeram a fortuna da sua família.

 

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