Amarelo: futebol e política por Rogério de Souza

Em um bate papo com colegas do colégio ficou a par de um novo movimento. Lembrou-se, imediatamente, dos protestos de 2013 e 2015. Bebeu uma dose de desânimo Percebeu, contudo, que a grande mídia e muitas pessoas que ele admira declararam apoio àquela iniciativa. Leu o manifesto e concordou com a maioria das teses. Pensou em aderir ao grupo. Mas faltava algo... Pronto! Nota que o tom do grupo é amarelo.

Desde muito novo eduardo gostava de ovo. Não era exatamente o sabor ou proteína, mas a cor. Amor amarelo. Na TV, não perdia um episódio do remake do Sítio do Picapau Amarelo. Venerava todas as personagens, com destaque para a serelepe Emília. O fascínio pela boneca de pano era tal que a frase “o maior mal deste mundo é a injustiça” sempre o acompanhou e orientou.

Ainda cedo conheceu a manga. Fruta rica em vitamina A, boa para combater a prisão de ventre, prevenir o câncer e melhorar a saúde da pele, ouvira no comercial de TV. Diante disso, Dudu só queria comer manga. E era de tudo que é jeito. Suco de manga, sorvete de manga e até manga com leite, horrorizando os parentes do interior.

Na escola particular, costumava rabiscar um sol virtuoso e forte. A professora pedia, com insistência e já sem paciência, para o menino utilizar outras cores. Não adiantava. O amarelo imperava naquelas folhas. Nessa época passou a ilustrar, no caderno e nas paredes do seu quarto, o girassol. Neide não compreendia como uma obra de arte, com um balde e um pano insistia em apagar as criações abstratas despretensiosas.

Uma amiga da sua mãe levou, em uma das frequentes visitas para lembrar das histórias de quando eram solteiras, um livro de arte do pintor Vincent van Gogh. Dudu deparou-se pela primeira vez com o quadro Girassóis. Sem mover as pálpebras, permaneceu inerte por longos minutos. A paixão pela pintura intensificou-se e amedrontou os pais com a possibilidade do menino tornar-se um artista. Rapidamente imputaram a ideia na cabeça do garoto. Artista não ganha dinheiro.

Os pais não se cansavam de comentar que Dudu fora concebido na época da Copa do Mundo de 1994, e uma das formas de comemorar (tentavam ter uma criança há tempos) era assistir, todos juntos, aos jogos, principalmente os do Brasil. Para embalar os preparativos, no seu aniversário de 4 anos, em 22 de abril, lhe presentearam com o uniforme original da seleção canarinho. Encantado, não quis tirar mais aquele manto sagrado, especialmente após os comentários entusiasmados de um locutor de TV.

Iniciada a Copa de 1998, o Brasil logo se classificou para a fase seguinte com as vitórias sobre a Escócia e Marrocos. A seleção canarinho chegou à final após vencer Chile, Dinamarca e Holanda (essa última nos pênaltis). Agora enfrentaria a anfitriã, a França. A animação na preparação para o jogo derradeiro anunciava uma verdadeira redenção nacional. Durante a execução do Hino Nacional, notou que os seus pais e tios estavam com os olhos marejados. “Bando de perobas!”, ouvia-se da rua. Mas aquilo não incomodou. Dudu estava triplamente feliz, pela festa, encontro dos familiares e por usar o seu uniforme, agora acompanhado pela bandeira do Brasil.

Entre bebidas e muita comida, seus pais tentavam roubar a atenção do jogo narrando histórias sobre os lugares de Paris que visitaram antes do nascimento de Dudu: Louvre, Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Notre Dame, Sacré Cœur e Galeria Lafayette. Très bien, mademoiselle! Indiferentes como se estivessem em um café. Mas o barulho e o otimismo eram imensuráveis e cativantes. Apesar de toda a comilança, rituais e mandingas, o Brasil tomou um “chocolate”. Perdeu de 3×0. As justificativas para aquele vexame se multiplicavam. O seu tio não hesitou:

– Eduardo, o problema deste país é justamente esse: a corrupção. Falta amor por sua nação. Nem os jogadores de futebol, que recebem uma dinheirama dos seus clubes e patrocinadores, resistem a uma verdinha. Triste!

Em 2002 a seleção canarinho desembarcou na Ásia carregando, novamente, o favoritismo. O Brasil ganhou de todos os adversários nas fases preliminares. Como os jogos eram transmitidos aqui muito cedo, Dudu já dormia com o seu amarelo manto sagrado e antes do dia clarear já se apresentava a postos, com a disciplina de um soldado. Desta vez, as animadas festas e visitas de parentes não antecederam as partidas do Brasil. Os petiscos foram substituídos por sucrilhos, leite, ovos mexidos, café, torrada, pão e Nutella.

Mais uma vez o Brasil chega à final. Desta vez contra a poderosa Alemanha. O trauma da última Copa insistia em não sair do pensamento e asfixiar a emoção. O nervosismo era visível. Rituais e mandingas foram feitos e refeitos. As unhas devoradas até sangrar. Deu certo! O resultado não poderia ser melhor: 2×0 para o Brasil e muita festa com o quinto título.

As redes de TV incentivaram os torcedores a tomarem as ruas. Os pais de Dudu não titubearam, atenderam de pronto ao chamado. Calçaram os tênis de marca, agarraram a bandeira do Brasil e os 3 ocuparam as ruas da capital paulista para festejar a vitória. Gritos de euforia e pessoas que mal se conheciam se abraçando sem medo. Pela primeira vez, Dudu se sentia acolhido por desconhecidos. O seu ufanismo arvoreceu ainda mais porque todos (ou quase) estavam com a camisa amarela da seleção brasileira.

Quatro anos depois, Dudu notou que as notícias sobre a seleção eram intercaladas com as repetitivas reportagens sobre corrupção no governo federal. Lembrava da frase do seu tio: “Eduardo, o problema deste país é justamente esse: a corrupção. Falta amor por sua nação”. O Brasil perdeu novamente para a França, agora na semifinal. Embora estivesse chateado com a derrota da seleção, sua maior frustração naquele ano foi não ser selecionado para o time do clube. Seus pais o haviam matriculado numa escolinha de futebol criada por um ex-jogador profissional. Além dos meninos de classe média, o projeto recebia garotos da periferia da região metropolitana de São Paulo. Dudu encantava-se e indignava-se com aqueles dribles. Puta merda! Aquele neguinho joga muito. Onde aprendeu a jogar daquele jeito.

A África do Sul serviu como palco para a Copa do Mundo de 2010. Além da tradicional camisa da seleção e bandeira, Dudu adquiriu um novo talismã: a vuvuzela. O jovem percebeu, agora de maneira perspicaz, que as reportagens do futebol eram perpassadas, com certa frequência, pelas notícias sobre as eleições presidenciais. As propostas de combate às desigualdades despertavam a sua atenção. Recordava da frase de Emília do Sítio do Pica-pau Amarelo: “o maior mal deste mundo é a injustiça”.

Já na juventude, Dudu vivia um affair com uma garota da escola de inglês. Adorava ouvir “Yellow Submarine” e conversar sobre cultura com os pais da moça. Um antropólogo e uma farmacêutica, professores universitários. A garota se incomodava com os atrasos constantes do namorado nos dias de jogo do Brasil, e também com o barulho da vuvuzela. Não aguentava mais receber girassóis. Por que o Dudu não me dá rosas no lugar de girassóis? Sentia-se jogada de lado, deixada para escanteio. Não queria mais ficar no banco de reservas. O Brasil sairá da Copa mais uma vez nas semifinais e Dudu dispensado.

O futebol era um patrimônio na vida da família de Dudu. Torcedor do Palmeiras, seu tio o levava para assistir partidas no Parque Antártica, sempre acompanhadas de um milho cozido. Quando criança, o menino presenciou o seu time do coração ser campeão algumas vezes. Porém faltava algo para a alegria ser completa.

– Mas o uniforme do Palmeiras é verde.

– A bandeira do Brasil também é verde, retrucava o tio.

A reconciliação com o Palestra Itália se deu no final de 2013, quando o time da rua Turiassu divulgou a sua camisa comemorativa de 100 anos de fundação: verde e amarela. Dudu comemorou com muito mais emoção e gosto os títulos dos campeonatos brasileiros de 2016 e 2018.

Em 2013 Dudu estudava Economia em uma renomada faculdade particular de São Paulo. Nas suas primeiras aulas, debatendo Josué de Castro, movimento Manguebeat, filme “Amarelo Manga” e possíveis causas para o não desenvolvimento do país, lembrou-se da frase da Emília do Sítio do Picapau Amarelo e do seu tio. Naquele momento, movimentos sociais em defesa do passe livre para estudantes ocuparam o ambiente universitário e chamaram a sua atenção. Rapidamente, e sem se dar conta, infiltrado nas células organizativas do movimento, gritava se a tarifa não baixar, a cidade vai parar.

Os protestos de 2013 tomaram tal proporção em sua vida que, devido à constante presença, Dudu se tornou uma das lideranças. Mas a violência policial alcançou dimensões épicas. Amigos foram agredidos e sua mãe rezava toda vez que o filho saía. Nessa parte do ano, o jovem já começava a sonhar com a Copa do Mundo de 2014, agora no Brasil. Seu pai prometeu que eles assistiriam, toda a família, um jogo da seleção. Mesmo que precise ir ao estádio do Corinthians. Em uma preparação para um ato no Largo da Batata comentou despretensiosamente a sua ansiedade com a aproximação da Copa. Não vejo a hora. A pequena turba fechou a cara feito parente quando se pede dinheiro. Acusaram-no de alienado, burguês e insensível com os problemas do país. Disseram que aquela Copa era um antro de corrupção e que os verdadeiros brasileiros boicotariam os jogos. Paralisado, Eduardo revisita os momentos de êxtase coletivo que vivenciou em 2002. Silêncio. Não se conteve: acusou o grupo de antipatriota e de ser um bando de burguês cínico que após os protestos voltava para as suas confortáveis casas. As vozes se exaltaram. O empurra-empurra generalizou-se e Dudu deu um soco em um dos rapazes. Desnorteado, foge, interrompendo a sua iniciação política.

Superadas as desilusões que visavam a construção de um mundo diferente, Dudu mergulhou nos estudos e planejou materializar um dos seus sonhos: comprar um carro. Sabia que dificilmente teria dinheiro para adquirir o Camaro Amarelo da canção, mas com o estágio em uma concessionária de veículos conseguiria, depois de alguns meses e a ajuda dos pais, financiar o seu Fiat Sporting. Poderia levar a família para assistir o jogo da seleção.

A Copa do Mundo de 2014 chegou e a sua família acompanhou na Arena Corinthians a vitória do Brasil de 3×1 sobre a Croácia. Parecia que o fantasma do Maracanaço havia terminado e a seleção conquistaria um novo título, agora em território nacional. O Brasil chegara à semifinal contra a Alemanha, novamente a poderosa Alemanha. Dudu e companhia organizaram uma grande festa. Todos foram convidados: tios, primos e vizinhos. Mas a decepção foi grande. A seleção amarelou, ou melhor, teve um apagão, e perdeu de 7×1, estraçalhando o sonho de êxtase coletivo vivido em 2002. Um imenso vexame que resultou num ataque de fúria no jovem ao ponto de rasgar a sua amada camisa 10 da seleção brasileira. Passou mal. Teve uma taquicardia. Desesperados, seus pais o levaram para o hospital. Lá descobriram que muitos brasileiros sofreram do mesmo mal: humilhação.

No segundo semestre daquele ano, o Brasil vivenciou uma das eleições presidenciais mais acirradas de sua história. Influenciado pelas falas de alguns amigos, leitura de textos das redes sociais e TV, votou na candidatura de oposição. A polarizada eleição o aproxima dos colegas de trabalho que o convencem a participar, no dia 15 de março de 2015, na avenida Paulista, de um protesto contra as medidas do governo federal. Aquele episódio descarregou um punhado de esperança sobre Dudu. Diferente das manifestações que participou em 2013, agora o ato acontecia num domingo, sem atrapalhar a vida daqueles que queriam trabalhar e muitas pessoas vestindo a camisa da seleção brasileira. Eufórico, saiu cantando pneu e só acordou quando deparou com uma blitz.

Em 12 de abril, num novo protesto, voltou a usar uma camisa da seleção brasileira. Naquele dia, milhares de pessoas ocuparam a avenida Paulista exigindo a deposição da presidente. Alguns discursos inflamados se destacaram, especialmente de integrantes de movimentos liberais. Recordou-se da Emília do Sítio do Picapau Amarelo e do seu tio. O sentimento positivo exalado pela multidão era semelhante àquele que vivenciou em 2002. Novamente se sentia pertencente a um grupo unido, patriótico, que não demonstrava vergonha em cantar o Hino Nacional e empunhar os símbolos da nação. Naquele mesmo dia conheceu Emily, amiga de uma colega do seu trabalho. Estudante de engenharia, destacava-se no meio daquele mar de gente pela linda echarpe amarela e uma retórica apaixonante. No início da noite, os colegas comemoram o protesto numa padaria chic. Entre olhares para cá, pedaços de pizzas, lanches de mortadela e coxinhas para lá, Dudu e Emily trocaram algumas mensagens. Reencontraram-se na manifestação do dia 16 de agosto, e mal se avistaram, já se beijaram.

O romance de protesto se transformou em algo sério e o casal passou a se ver de 3 a 4 vezes por semana. Visitaram as famílias e descobriram uma sinergia de balé sincronizado. Descendentes de europeus, torciam para o Palmeiras, amavam a seleção brasileira, católicos e liberais na economia. Os protestos contra o governo federal tornaram-se os momentos memoráveis daquele namoro.

As manifestações de 13 de dezembro de 2015 e 13 de março de 2016 foram ainda mais especiais. Além de reunir os colegas de trabalho e a namorada, conseguira levar os pais e o tio. Viu lágrimas de alegria correrem pelo rosto deste. Agora todos juntos. Nada poderia dar errado.

As carícias da namorada na paz da madrugada após um protesto e o sentimento de dever cumprido fortaleciam ainda mais aquele amor verde amarelo. Na manifestação de 17 de abril, o casal se destacou do grupo e fugiu para a padaria chic. Ali, regado por alguns copos de cerveja e coxinhas, pede Emily em casamento. Numa mistura de êxtase político e excitação, Emily responde sim, sim, sim, Dudu.

No trabalho, os negócios transcorriam num ritmo acelerado e Dudu tornou-se vendedor de carros de luxo. Passou a negociar diretamente com os clientes. No início enfrentou algumas dificuldades. Demorou para entender que a renda oficial declarada por compradores desses veículos luxuosos era bem menor do que aquela estimada para se conquistar uma mercadoria cara como essa. Lembrou-se do seu primeiro ano na faculdade e das inconsistências encontradas no imposto de renda de vários dos seus familiares, principalmente do seu tio. Aquilo o incomodou por alguns instantes. Mas o jovem ganhou um bom dinheiro com as comissões das vendas. Comprou, inclusive, uma picape savana, amarela.

A Copa de 2018 não nutriu muita esperança na família de Eduardo. O baque com o vexame de 2014 deixou todos atordoados. A empolgação agora era outra: as eleições de 2018, especialmente com os políticos novos. No segundo turno, seus colegas de trabalho, pais e Emily resolveram inovar e votar no candidato revelação. Mas Dudu não se sentia à vontade com aquelas propostas. Acuado e acusado de ser ingênuo, que a política é a arte do possível, se convenceu e votou no candidato azarão.

O ano de 2019 parecia ser diferente dos três anteriores. O CEO da concessionária apresentou números otimistas e Emily começou a trabalhar numa tradicional construtora. Alugaram um apartamento e decidiram morar juntos. Como num passe de mágica malfeita, esse clima de euforia evaporou tão rápido quanto a água no asfalto num dia de calor. Algumas indicações do Palácio do Planalto com sinais confusos derrubaram as vendas. Nem a aprovação de reformas, com a promessa de uma economia de 1 trilhão, reanimou as vendas.

No happy hour de sexta-feira, Dudu já suspeitava que não voltariam a repetir os encontros de rotina, com os seus rituais mínimos, conselhos e indicações de livros. Em alguns momentos de descontração fazia-se aquele silêncio de cemitério toda vez que alguém falava sobre política.

O relacionamento com Emily também não andava bem. Já não sentia orgulho dos movimentos pelo impeachment que participou e a lembrança da forma como conheceu a namorada, nos protestos, o deixava mais nervoso. Para salvar o relacionamento, a ideia de um filho ocorreu como algo natural. Mas numa indiferença agradável, Emily abortou aquela hipótese. Melancólico, pensou em acabar com tudo. A vida ficava intolerável.

Desolado, entra em contato com o novo trabalho de Emicida. Durante o colégio, acompanhou alguns rappers, especialmente Criollo, Rashid, Projota e o próprio Emicida. Recordou-se de momentos marcados por muita risada, bate-papo descontraído, indignação e sonhos. O álbum chamou a sua atenção pelo nome: AmarElo. Começou a escutar. Mas as letras eram diferentes daquilo que ele esperava. Histórias de superação, enfrentamento de questões sócio emocionais e descrição de situações depressivas. Não conseguia parar de ouvir e cantar.

Tenho sangrado demais

Tenho chorado pra cachorro

Ano passado eu morri

Mas esse ano eu não morro

Distante, nos últimos meses Eduardo adquirira um ar de seriedade e contemplação. Tornara-se, segundo a sua mãe, um homem mais inteligente e bonito. Parecia seguir, à risca, os ensinamentos de Emicida: “quando todos querem falar, silêncio é um convite à reflexão”. Sentia-se decepcionado com todo aquele espetáculo iniciado em 2015. Passou dias dialogando com as sombras. Consultou um especialista, mas sua fala trazia preguiça à alma, transportando-o para um mundo invertido. Chorava sem lágrimas devaneios psicológicos e emocionais que inundavam seus pensamentos. Estava cansado de si mesmo.

O avanço da pandemia obrigou Eduardo a trabalhar em casa e permanecer mais tempo com Emily. Mas quando as brigas aumentam o amor se esvai. No final de maio, a imprensa divulgou a fatídica reunião de 22 de abril do alto escalão do governo federal. Na data do meu aniversário. Eduardo decidira não compactuar mais. Começou a criticar abertamente tudo aquilo. Amigos intercederam imediatamente e perguntaram o que aconteceu. Por que ele estava postando aquelas mensagens? Se expondo daquela maneira? A conversa se estendeu e envolveu outras pessoas, inclusive colegas de trabalho, pais e seu tio. Eduardo perdeu o emprego no dia em que Emily resolveu se mudar.

Desconsolado mas aliviado. Parecia tirar um peso dos seus ombros. Começou a refazer os seus planos e enumerou alguns dos seus princípios e sonhos enraizados e perdidos. Revisitou episódios do Sítio do Picapau Amarelo, seus rascunhos do quadro Girassol e relembrou de momentos com o seu tio. Precisava de algo novo para administrar aquele tédio embriagante. Transformou-se no seu melhor amigo e passou a beber consigo mesmo nos happy hours exclusivos. Se eu soubesse o que procuro.

Em um bate papo com colegas do colégio ficou a par de um novo movimento. Lembrou-se, imediatamente, dos protestos de 2013 e 2015. Bebeu uma dose de desânimo Percebeu, contudo, que a grande mídia e muitas pessoas que ele admira declararam apoio àquela iniciativa. Leu o manifesto e concordou com a maioria das teses. Pensou em aderir ao grupo. Mas faltava algo… Pronto! Nota que o tom do grupo é amarelo. 

Rogério de Souza, sociólogo e professor no IFSP

COMENTÁRIOS

  • Texto maravilhoso. Muito bom!

    Ps: só uma correção. O Brasil, em 2006 e 2010, foi eliminado nas quartas da Copa, diferentemente das semifinais, como escrito no texto.

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