Paralisia infantil apavora Nova York; Brasil não se vacina

O governo de Nova York decreta estado de emergência por causa da paralisia infantil. No Brasil, campanha de vacinação alcança sua menor taxa
Luis Fermín Tenorio Cortez (ao centro) foi a última criança vítima do poliovírus selvagem em todo o continente americano. - Imagem: Armando Waak/OPS

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, declarou estado de emergência nesta sexta-feira (09) devido a evidências de que o vírus da poliomielite está circulando pela região. Amostras coletadas em abril revelaram que todas as cepas do estado podem causar paralisia infantil. 

A medida ficará em vigor durante um mês, até o dia 9 de outubro, e surgiu 30 dias após o primeiro caso da doença no estado, depois de quase uma década. O decreto resultará num aumento imediato na disponibilidade de recursos, incluindo um maior número de administradores de vacinas contra a paralisia infantil. 

Além disso, também estipula que profissionais de saúde forneçam dados de imunização para o departamento de saúde. Assim, é possível fortalecer a vacinação nos locais com menor taxa de pessoas imunizadas. 

A doença pode atingir a todos, mas afeta principalmente crianças de até 3 anos de idade. O único modo de combater a poliomielite, que não tem cura e causa paralisia infantil, é através da vacinação. Com as 3 doses, a imunização chega a quase 100%. 

Poliomielite no Brasil 

Em 2022 é comemorado o aniversário de 10 anos da vacina contra a poliomielite no Brasil. No entanto, a data vem com um alerta: a imunização bateu a menor taxa desde o início da campanha em 2012, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). 

A meta para cobertura vacinal contra a paralisia infantil é de 95%, mas desde 2016 a população brasileira vem ficando cada vez mais longe de alcançar essa taxa. A marca foi superada apenas em 2015, quando houve uma imunização de 98,29% das crianças. 

Depois de 2016, a percentagem de vacinados caiu para menos de 90%, chegando a 84,19% em 2019. Com a crise sanitária provocada pela pandemia de coronavírus, diversas campanhas de imunização ficaram prejudicadas, inclusive a de poliomielite, que combate a paralisia infantil. Para além do Covid-19, discursos negacionistas do atual presidente, que atacou as vacinas em diversas ocasiões, colaboraram para que a taxa de imunização ficasse em 76,15% dos bebês no país. 

Já em 2021, a cobertura vacinal atingiu sua menor porcentagem desde sua criação: apenas 69,9% das crianças foram imunizadas naquele ano. Em 2022, apesar de o ano ainda não ter acabado, a taxa é ainda mais preocupante, uma vez que atingiu o patamar de 34%. Devido a baixa adesão, a campanha vacinal contra poliomielite foi adiada até o dia 30 de setembro.

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