Maçons pela Democracia lançam 5ª Carta ao Povo Brasileiro

Grupo democrático rebate nota de entidade que defende o golpe de 64

Liberdade, igualdade e fraternidade; ditadura nunca mais! A vida acima de tudo!

5ª Carta ao Povo Brasileiro, escrita em 31 de março de 2021

Nós, do grupo “Maçons pela Democracia”, fomos surpreendidos e chocados hoje com uma alucinante nota subscrita pela Associação Nacional Maçônica do Brasil (sic)- ANMB, com o título “Salve, salve, 31 e março” referindo-se ao Golpe Empresarial Militar de 1964 e manifestando “apoio incondicional às Forças Armadas do Brasil, na pessoa do seu comandante geral, o excelentíssimo presidente Jair Messias Bolsonaro” e convocando “a todos os brasileiros que venham às ruas neste 31 de março, que se tornarão (sic) marco mais importante das últimas três décadas da nossa nação” e termina com o slogan da campanha do presidente em 2018: “BRASIL ACIMA DE TUDO E DEUS ACIMA DE TODOS!”.

O grupo “Maçons pela Democracia” sempre deixou claro que não é filiado nem subordinado a uma Loja ou Potência Maçônica determinada. Pertencemos a diversas potências maçônicas e variadas oficinas, mas falamos em nosso nome. Nossa obediência é aos princípios maçônicos, em sua mais alta expressão, o que nos impõe que, como cidadãos e maçons, não permaneçamos silentes e não venhamos a reagir aos descalabros que ocorrem em nosso Brasil.

É absolutamente inaceitável a iniciativa do grupo Associação Nacional Maçônica no Brasil (Anmb), que divulgou uma nota nesta terça-feira (30) convocando “todos os brasileiros” para um ato neste 31 de março e manifestando “apoio incondicional” a Jair Bolsonaro.

Os princípios básicos das constituições dos países civilizados são pautados pela tríade Liberdade, Igualdade e Fraternidade, cuja origem inconteste está em nossa Ordem Maçônica. Em nossos rituais está insculpida a obrigação de “combater a tirania, a ignorância, os preconceitos e os erros e glorificar o Direito e a Justiça”. Jamais poderia um maçom que honra seu avental defender qualquer tipo de ditadura.

O Pavimento do Mosaico que existe em nossas lojas lembra de forma insistente que estamos acima dos contrastes. A política partidária não tem lugar nas lojas maçônicas, o que está definido em nossos rituais e preceitos.

Como “livre pensador”, o maçom pode ser adepto de qualquer religião ou corrente política, mas tem de respeitar as opções de seus irmãos. Nenhum maçom, individualmente ou em grupo pode falar em nome da Maçonaria. Essa falta de legitimidade torna vã qualquer tentativa nesse sentido, reduzindo-a a uma peça de campanha de baixo nível político e intelectual, que fala em “estado de direito” para justificar uma ditadura.

Para os que ainda não estão cientes, por ignorância ou má-fé, lembramos o documento emitido em março de 2020, pelas potências maçônicas CMSB E COMAB dirigidas às Obediências Maçônicas (Grandes Lojas e Grandes Orientes Estaduais) a elas confederadas, que podem, essas sim, falar em nome da Maçonaria no Brasil.

Para recordar a quem está precisando e confirmar este ponto de vista, transcrevemos abaixo os pontos mais importantes na íntegra.

“As Obediências Maçônicas CMSB e COMAB, percebendo a intensa repercussão nacional dos movimentos sociais e políticos, pertinentes à “mobilização” popular marcada para o dia 15 de março de 2020, orientam a todos os Irmãos a adotar cautela frente às diversas intenções e reivindicações do evento.

A Maçonaria universal e secular vem ao longo dos anos exercendo seu papel de transformação e equilíbrio na sociedade, para que todos alcancem a felicidade.

Destarte, ela, enquanto instituição, não pode e não deve se submeter a nenhuma ordem política partidária ou de governo, ou atos que possam implicar na sua desmoralização e perda de credibilidade. A Maçonaria não pode ser instrumentalizada.

Enquanto parte integrante da Sublime Ordem, as Potências das Grandes Lojas e dos Grandes Orientes Independentes institucionalmente não organizam e nem participam de eventos que possam ser questionados como passíveis de ferir os conceitos democráticos. Em todos os momentos, mister se faz a prudência, a sobriedade e a serenidade.

No nosso país, as instituições democráticas estão plenamente ativas. Existe um sistema de regras, fiscalização e limites à disposição de todos; existe a liberdade de julgar, criticar e expressar; existe a possibilidade de se organizar, se reunir e se mobilizar contra os desmandos e malfeitos.

Logo, é na democracia que aprendemos a conviver com as oposições e os antagonismos. É onde se respeita os pensamentos, as crenças diferentes e a diversidade.

Tais instrumentos devem ser acionados por qualquer cidadão ou grupo associativo, pelas vias legais e normais, alertando a sociedade sobre riscos e perigos, sem, no entanto, defender a eliminação de Poderes Democráticos da República, tão duramente instituídos pelos brasileiros que antecederam as gerações atuais.

Somos uma instituição cuja liberdade é uma das suas tríades – jamais opressora, por isso não admitimos a ditadura, a tirania, os regimes absolutistas, os preconceitos… Não convivemos com corruptos ou conspiradores.

Evento como as mobilizações de rua, com o chamamento da população para ficar atenta aos desdobramentos políticos e econômicos são extremamente positivos e demonstram uma sociedade vigilante e participativa, contudo, tal posicionamento deve se dar espontânea e individualmente.

Não consigo mudar o mundo, nem é esta minha pretensão. Utilizo-me da liberdade Republicana Democrática para indignar-me quando necessário. (Gil Nunes).

Portanto, cada maçom é um cidadão livre que pode e deve atuar segundo suas convicções, preservando o necessário equilíbrio e discernimento, a fim de que se busquem soluções para toda a sociedade, sem fomentar quaisquer dissensões ou divergências que possam levar a divisionismos em geral.

A Maçonaria, em voz única, deixa claro que está ciente das suas responsabilidades, está alerta a todos os movimentos políticos, sociais e de mobilização, se posicionando com veemência na defesa e manutenção das organizações que garantam a vida, a liberdade, o direito de expressão, a pluralidade de ideias e a cidadania, assegurando, assim, o estado democrático de direito existente no Brasil.”

CASSIANO TEIXEIRA DE MORAIS (Secretário Geral da C.M.S.B.) e ARMANDO ASSUMPÇÃO LAURINDO DA SILVA (Presidente da XLVIII Assembléia Ordinária da CMSB e Grão-Mestre da M. R. Grande Loja Maçônica do Distrito Federal”).

Com um fraternal abraço, subscrevem esta V Carta dos Maçons Pela Democracia, em ordem alfabética, os irmãos: Álvaro Peixoto (MI), Antônio Teixeira (MM), Custódio Almeida (MM), Dener Coelho (MM), Emanuel Cancella (MM), Edivaldo Amorim Farias (MM), Enrico Salvatore (MM), Fábio Farias (MM), Fernando Silva Ayres (MI), Flávio Whatson (MM), Francisco Soriano (MI), Gilberto Palmares (MM), Gilson Gomes (MM), Guaraci Correa Porto (MI), João Pedro Saboia (MM), José Amaral de Brito (MI), Sergio Abad (MI) Paulo Ramos (MM) e Sebastião Calvet (MI).

COMENTÁRIOS

  • Não sou maçom, mas tenho inúmeros amigos que são.
    Coincidência, mas todos apoiam Bolsonaro, inclusive propagando e disseminando mentiras a favor desse mito fajuto.
    Seria isso uma instrução séria da maçonaria?

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