Diário do Bolso: Fazendo aglomeração e deixando a minha marca

Por exemplo, em 26 de fevereiro eu estive em Tianguá, no Ceará. Causei a maior aglomeração. Desfilei pendurado na porta do carro e mandei perdigoto em muita gente. O lugar só tem 10 leitos de UTI e 8 já estavam ocupados. Mas, depois que eu dei uma força lá, logo lotou tudo e os tianguenses tiveram que ser levados para Sobral. Agora não tem mais vaga em UTI nem em Sobral, kkk!

Por José Roberto Torero* Diário, onde eu passo faço aglomeração, deixo minha marca.

Por exemplo, em 26 de fevereiro eu estive em Tianguá, no Ceará. Causei a maior aglomeração. Desfilei pendurado na porta do carro e mandei perdigoto em muita gente. O lugar só tem 10 leitos de UTI e 8 já estavam ocupados. Mas, depois que eu dei uma força lá, logo lotou tudo e os tianguenses tiveram que ser levados para Sobral. Agora não tem mais vaga em UTI nem em Sobral, kkk!

Em 4 de fevereiro eu estive em Cascavel. Foi quando eu dei a corridinha na pista de atletismo. Lá, a ocupação de leitos de UTI para covid estava em 76,5%. Quinze dias depois da minha aglomeração, isso aí pulou pra 90,6%. E agora já não tem vaga nenhuma. Os cascavelenses têm que correr pra outra cidade, kkk!

Em Boqueirão, na Paraíba, eu fiz uma parada surpresa em 19/2. O centro da cidade ficou uma doidera. Todo mundo me cercou e quis fazer selfie comigo. E eu sempre sem máscara, claro, senão o pessoal não me vê que sou. A média lá estava em 2,4 novos casos de covid por dia. Duas semanas depois da minha visita passou para 3,5. Ou seja, 50% a mais. Que investimento que dá 50% em duas semanas? Só o meu covidão, kkk!

Quando eu fui em Uberlândia (MG), no dia 4/3, a cidade já estava em loquidaum. Tinha 100% dos leitos de UTI ocupados e 184 na fila de espera por uma vaga de UTI. Mas isso me intimidou? Não mesmo! Fui lá e aglomerei. A cidade tinha uma média de 15,1 mortes por dia. Quinze dias depois, essa média saltou para 23,6. Mais cinquentinha por cento.

Mas onde dei show mesmo foi em São Francisco do Sul (SC), onde eu passei o carnaval. Lá também aglomerei. Não usei máscara e fiz questão de cumprimentar meus fãs na rua. Naquela época, a cidade tinha em média 12,4 novos casos de covid por dia. Duas semanas, essa média saltou para 24,5. Quase dobrou! Viva eu!

Diário, líder que é líder é assim: não manda fazer. Vai lá e faz ele mesmo!

José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

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