Esdras, o patriotário dos calotes?

Comerciante bolsonarista multado por "Xandão" comprou e não pagou móveis vendidos por R$ 120 mil
Esdras Jonatas dos Santos - Reprodução de redes sociais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, impôs nesse sábado, 7, multa de R$ 100 mil ao comerciante Esdras Jonatas dos Santos, autor do mandado de segurança que solicitou e ganhou o direito “de manifestação, liberdade de expressão e propriedade” diante do Quarta Companhia do Exército na Avenida Raja Gabaglia, em Belo Horizonte. Ele foi identificado em um relatório feito pela Polícia Militar de Minas Gerais, em novembro do ano passado, como uma das lideranças nas manifestações antidemocráticas no local. A multa também foi aplicada contra Roberto Carlos de Abreu, proprietário do carro de som.

Esdras Jonatas dos Santos é um verdadeiro artista, destes que sabem muito bem dar nó em pingo d’água e se acha mais esperto do que todos à sua volta. Na última sexta-feira, 6, ele voltou a chamar a atenção das redes sociais ao aparecer choramigando durante o desmonte do acampamento de bolsonaristas na Avenida Raja Gabaglia, que corta os limites de dois bairros de alta classe média de Belo Horizonte, Gutierrez e Cidade Jardim.

Pois é, o problema é que nosso personagem, um autêntico patriotário, é daqueles que não podem ter a vida escarafunchada, porque quanto mais se aprofunda mais corre o risco de feder. Ele e Cristiano Rodrigues dos Reis foram apontados pela Polícia Militar de Minas ao STF, em dezembro, como os principais bolsonaristas a articular as manifestações de golpistas em Belo Horizonte. Agora, na sexta-feira, Esdras, certamente apadrinhado por um bom advogado, conseguiu uma liminar na Justiça para que possa continuar se manifestando em frente ao quartel do Exército. Só não contava que encontraria um “Xandão” pela frente e sua liminar acabou cassada.

Comerciante de roupas, Esdras é uma espécie de “playboy” conhecido na capital por desfilar em seu carro alemão Porsche, cujo modelo mais barato é avaliado em R$ 439 mil. Mas, curiosamente, ele requereu gratuidade judiciária ao pedir a liminar, alegando não possuir “condições de arcar com as despesas processuais sem obter prejuízo de seu próprio sustento e de sua família”. Porém, uma passeada por suas redes sociais mostra o bolsonarista flanando no bem-bom de vida de rico ao lado de avião, carros de luxo e viagens ao exterior de dar inveja ao gado do Bozo.

Há fotos de Esdras Jonatas em Miami, na Disney, em Paris, em Troncoso, filé mignon de Porto Seguro, no Sul da Bahia, e Costa do Sauípe (BA), por exemplo. No Rio, a hospedagem em que ele gosta de ficar custa, no mínimo, R$ 3 mil a diária. No exterior, a diária mais barata de hotel em que ele se hospedou em Tulum, no México, custa US$ 589 (cerca de R$ 3 mil).

Esdras está sempre presente nas manifestações – Redes sociais

Calote

Mas, ao voltar a ter seu nome colocado nos holofotes, o empresário acabou também tendo seus podres colocados pra fora. Como mostra reportagem do portal Rede 98, Esdras tem um histórico marcado por golpes aplicados na capital mineira. Uma das pessoas lesadas é proprietária de uma loja de móveis de alto padrão e que pediu para não ser identificada. Teve um prejuízo de R$ 120 mil após uma venda para Esdras.

“Ele disse que estava abrindo uma loja no bairro do Prado e precisava de móveis para pronta entrega”, contou. “Aí ele entregou pra gente seis cheques, e nós entregamos os móveis. Só que o primeiro cheque ele já sustou, e os outros não entraram. Aí nós fomos na loja e descobrimos quem ele é, disse a vítima.

Segundo ela, ao chegar à loja, Esdras não foi encontrado, mas, sim, sua ex-mulher. “Ele saiu pelos fundos. A gente foi lá tentar cobrar o que é nosso de direito, né?” contou o empresário, que foi surpreendido ao ver que a polícia foi acionada. “Eles falaram que estávamos lá para roubar os móveis. Que éramos ladrões. Mas a gente estava lá só para conversar”.

Esdras Jonatas gosta de aparecer e seu nome está presente em 17 ações na Justiça – Redes sociais

Dupla do barulho

Esdras Jonatas dos Santos e Cristiano Rodrigues dos Reis foram apontados pela Polícia Militar de Minas Gerais ao STF como principais lideranças dos atos golpistas em Belo Horizonte. E quem buscar o nome deles pelo Google verá que a dupla participa de dezenas de ações individuais na Justiça, como mostra o Jusbrasil, o que gera muita curiosidade. Esdras aparece 17 vezes.

Reis é gerente de vendas da Dicabelo, empresa de tratamento capilar, e líder do Movimento Direita BH. Foi candidato vereador pelo Democratas em 2020 mas, felizmente, não se elegeu. Em suas redes sociais, não esconde a participação nas manifestações e pautas bolsonaristas, além de fotos com lideranças políticas próximas ao Bozo, como a ex-ministra e senadora eleita Damares Alves (Republicanos) e o governador mineiro Romeu Zema (Novo).
Já Esdras é um pequeno comerciante do ramo têxtil e uma de suas lojas de roupas masculinas já exibiu o nome de Bamboo Surf nos bairros Santa Juliana, Itapoã e Santa Amélia, na região da Pampulha. É bastante querido pelos ladrões, pelo visto. Em 10 de janeiro de 2015 ele concedeu entrevista à TV Record após suas lojas serem assaltadas pela 11ª vez em quatro anos. Por essas e outras, ele chegou até a ser convidado a prestar depoimento à Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa.

Na sexta-feira, 6, ao ver os funcionários da prefeitura e a Guarda Municipal desmontando o acampamento montado na avenida diante da unidade do Exército, Esdras mostrava o quanto é ridículo ao chorar e xingar o pessoal do Exército de “covardes” por nada poderem fazer.
Em suas redes sociais ele gosta mesmo é de se exibir, mas desde 31 de outubro, após a derrota do Bozo, seu candidato, ele vinha abordando as manifestações contra o resultado da eleição e mostrando sua participação entre os sem-noção instalados na Avenida Raja Gabaglia, onde gosta de usar o microfone sobre o carro de som. Em um vídeo, o bozonarista é visto aos gritos sugerindo aos manifestantes que pedissem ajuda “ao general”, entre outras bobagens. Haja paciência!

Espertinho, Esdras convocou mas não foi a Brasília para participar do quebra-quebra de terroristas como ele nos prédios dos Três Poderes no dia 8. Alegou que tinha de permanecer em Belo Horizonte para cuidar do acampamento na Avenida Raja Gabaglia. No dia 15, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou o cancelamento do passaporte de Esdras, diante de informações de que ele “teria se evadido do território nacional”.

Pena que a PM mineira foi tímida e só conseguiu indicar dois babacas ao STF!

Foto do patriotário Esdras postada no Instagram

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