Doria e Alckmin na Cracolândia: violência

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Na primeira ação da dupla Doria-Alckmin na Cracolândia, os gestores lidaram somente com a superfície do problema.

Somente na manhã de hoje foram 69 mandatos de prisão temporária, 60 de busca e apreensão e 21 detidos. Tudo isso garantido por snipers da Polícia Civil, cães farejadores, helicópteros com sobrevoos, tortura, inúmeras violações de Direitos Humanos e Constitucionais, centenas de famílias despejadas sem aviso prévio de casarões e pensões da região da Luz.

São Paulo nunca assistiu a uma operação tão truculenta quanto a comandado pela dupla Dória-Alckmin na Cracolândia, na manhã deste domingo (21/05).

É sabido que os grandes traficantes, os verdadeiros responsáveis pelo tráfico não estão na Cracolândia. Os grandes distribuidores de drogas são, por exemplo, os donos de helicópteros.

A operação de hoje foi direcionada para os que mais sofrem com o consumo de drogas ilícitas e não para donos de helicópteros de drogas. O epicentro do problema não foi o foco de Dória e Alckmin que insistem na resolução de problemas da cidade com o uso de armamentos, tratando de questões de saúde, como crime, agindo de forma paliativa com o tratamento da questão somente pela superfície.

Ali na Cracolândia, moram mais de 300 usuários de drogas que não conseguem conviver na sociedade e não tem estabilidade social. O que se viu hoje foi uma ação do Estado que violou os Direitos Humanos e Constitucionais em diversos aspectos.

O Programa De Braços Abertos, que atuava região da Luz, centro da capital tinha como objetivo construir uma política de redução de danos. Mas hoje Dória anunciou que o projeto está extinto e que os casarões que atuam como pensões para quem está vinculado ao De Braços Abertos serão demolidos para o que ele chama de “reurbanização”.

A implantação de ações intersetoriais e integradas nas áreas de assistência social, direitos humanos, saúde e trabalho foram totalmente esquecidas extintas hoje. Policiais Civis quebraram pactos constitucionais quando invadiram pensões, pois teoricamente, esses eram os lares de muitos usuários que já não estavam mais nas ruas da Cracolândia. Para essa entrada, não houve mandado de busca/apreensão ou algum documento que do ponto de vista jurídico desse esse tipo de aval para entrarem na propriedade privada de seres humanos. Sim! Os usuários não foram tratados como tal.

Num dos vídeos divulgados na internet Vinícius, usuário desabafou: “não é difícil parar de usar droga. Estou desanimado por saber que tudo isso aqui vai acabar. Fiquei em 15 clínicas, tudo paga. Já vi gente 10 anos longe do Crack e que recaiu. Aqui eu consigo controlar meu uso, trabalhar, ter um lugar pra morar que não seja a rua.

Vinícius, consome crack desde os 7 anos e mora numa das pensões da região da Cracolândia, fez o desabafo referindo-se ao projeto De Braços Abertos que foi declarado extinto agora a pouco, ao vivo, na grande mídia, por Dória Jr.

Amanhã, Dória se reúne com entidades do Direito, de Ciências Criminais, Conselhos Municipais e forças de segurança pública para lançar o programa Redenção, que promete realizar de forma integrada entre as secretarias municipais de Saúde, Assistência e Desenvolvimento Social, Urbanismo e Licenciamento, Governo, prefeituras regionais e Segurança Urbana e seguirá as seguintes etapas: ação social, ação urbanística, ação de zeladoria urbana, ação junto a sociedade civil, ação medicinal, ação policial e ação de comunicação social. Esse é o conceito do programa descrito no próprio site da prefeitura de São Paulo.

Mas com base na ação realizada hoje por Doria Jr, em dupla com Alckmin, o que se espera (e se sabe) é que esse programa será uma reedição do Recomeço, do Governo do Estado, programa antagônico aos De Braços Abertos.

COMENTÁRIOS

  • […] Demolir moradias com gente dentro, é assim que Doria & Alckmin querem acabar com a Cracolândia e tendo o “auxílio e preparo” da Polícia Civil [foto: Jornalistas Livres – mais: jornalistaslivres.org] […]

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