Cantor do Art Popular é condenado por estupro e cárcere privado

Rita Corrêa, mulher estuprada e mantida em cárcere privado pelo cantor do Art Popular, relata os horrores que sofreu
Cantor do Art Popular Leandro Lehart foto: divulgação
Cantor do Art Popular Leandro Lehart foto: divulgação

Rita de Cassia Corrêa, mulher que foi estuprada e mantida em cárcere privado pelo cantor do Art Popular, Leandro Lehart, relatou, em entrevista ao Fantástico, que lida até hoje com os traumas da violência que sofreu em 2019. Leandro foi condenado a 9 anos 7 meses e 6 dias de prisão pelos crimes hediondos.

Rita conta que começou a se aproximar de Leandro em 2017. Após elogiar o seu trabalho em uma rede social, ela afirma que o músico a chamou para ir a casa dele algumas vezes, especialmente, porque Rita também toca piano. Ela ainda confirma que em alguma ocasiões houve relações sexuais consensuais entre eles. “Sempre muito educado, muito gentil, muito cortês” comentou Rita sobre esses enco

Em 2019, durante uma dessas visitas, Rita conta que tudo estava normal, até que ele pediu que ela o acompanhasse até o banheiro para terminar a relação sexual. Foi nesse momento que as violências, que Rita descreve como um ato escatológico e grotesco, se iniciaram. “Na minha boca. Eu já comecei a me debater, e pedindo para ele parar. E tentando tirá-lo de cima de mim, mas eu não conseguia. Ele ainda se masturbou até chegar ao orgasmo” relatou Rita.

Atos escatológicos são referentes a escatologias, ou seja, excrementos como fezes e urina. Na reportagem, fica subentendido que ele teria feito isso com ela. Rita fala ainda que ficou presa no banheiro e que Leandro se recusava a deixá-la sair até que ela se acalmasse e os dois pudessem “conversar”. Após um período, quando Rita já não tinha mais forças para gritar, ele abriu a porta e disse que ela “poderia fazer com ele da mesma forma porque eu estava exagerando, que eu ia ver que não é assim. Que só da primeira vez que eu iria ficar assim, assustada” afirmou Rita.

Rita afirma ter pedido para ele parar, que ela não queria, mas ainda assim ele continuou. O cantor do Art Popular ainda teria proferido ofensas racistas ao dizer que “o que você acha que eu gostaria de uma negrinha como você?”. Em depoimento a justiça, Leandro negou todas as acusações, porém, por volta de 6 meses após o estupro, em uma troca de mensagens com Rita, ele admitiu ter cometido as agressões. “Se te humilhei sexualmente e você está nessa situação, eu assumo isso. Com muita vergonha, mas assumo. Porque fiz isso com uma mulher, em troca do meu prazer. Fui egoísta. Se você se sentir no direito de me denunciar, faça. Não ficarei chateado”.

Rita afirma ter recebido ajudas financeiras de Leandro, com valores entre R$200 e R$900 e que o cantor abriu um Boletim de Ocorrência, em outubro de 2020, acusando ela de extorsão e chantagem. Rita foi diagnosticada com estresse pós traumático, está fazendo tratamento psicológico no Hospital das Clínicas em São Paulo e faz uso de antidepressivos. Ela perdeu o emprego e chegou a tentar suicídio se atirando de uma escadaria para “fugir de tudo o que estava passando”. Rita é mãe de duas meninas e relata que tudo o que deseja é voltar a ser feliz como era antes de passar por essa violência.

Com o auxilio do projeto Justiceiras, que oferece assistência jurídica, psicológica, socioassistencial e médica online e gratuito a mulheres vítimas de violência, ela denunciou os crimes cometidos por Leandro, que foi condenado a 9 anos 7 meses e 6 dias de prisão pelas crimes de estupro e cárcere privado. O cantor do Art Popular ainda pode recorrer em liberdade. Rita se diz contente com a decisão, fica feliz em ver que a verdade prevaleceu “Quem tem que ter vergonha não sou eu, é ele”, afirmou.

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