Caminhoneiros bolsonaristas fecham rodovias após vitória de Lula

Apoiadores pedem intervenção militar após divulgação do resultado das eleições. “Nós só saímos das ruas na hora que o exército tomar o país”, disse uma liderança do movimento
[Imagem: Reprodução/Internet]
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Neste domingo (30), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou as eleições presidenciais de 2022, e assumirá o cargo no dia 1º de janeiro de 2023. Após a divulgação dos resultados, manifestações antidemocráticas, contrárias à vitória do ex-presidente Lula, eclodiram por todo o território nacional. Nelas, grupos diminutos de caminhoneiros baderneiros e bolsonaristas passaram a fechar rodovias por não terem aceito os resultados das eleições. Eles pedem uma intervenção militar.

As manifestações tiveram início no Paraná e se espalharam pelo país. Uma das principais rodovias que está sendo bloqueada nesse momento é a Via Dutra, principal acesso entre São Paulo e Rio de Janeiro. Na altura do município de Barra Mansa, cerca de 100 caminhoneiros interditaram a rodovia, causando congestionamento que chegou a se estender por 20 quilômetros. Ônibus de passageiros estão parados no meio da pista há mais de dez horas. Mulheres grávidas, bebês, idosos estão sem alimento e água para beber. Segundo a CCR RioSP, responsável pela mobilidade e gestão da via, a rodovia foi fechada em dois sentidos nesta madrugada (31) e os caminhoneiros estão atrapalhando um trecho entre os KM 279 e 281 da BR – 116. O grupo CCR comentou que a manifestação começou à 1h51. 

Na internet, pessoas relatam a dificuldade de passar pelo local e fazem reclamações a respeito da ausência de ações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que ontem, em ação junto ao exército brasileiro, realizou 514 operações que dificultaram a locomoção de eleitores (principalmente no nordeste, região que mais apresenta votos à esquerda) impedindo eleitores de exercerem o direito democrático ao voto.

Em vídeos divulgados por bolsonaristas, são constantes os pedidos por intervenção militar e a presença de falas como “nós só saímos das ruas na hora que o exército tomar o país”. Eles também dizem que irão parar tudo por 72 horas “para o exército tomar conta”. Além disso, as manifestações contam também com pilhas de pneus queimados, bolsonaristas que usam camisas e bandeiras do Brasil e o uso do hino nacional nos fundos dos vídeos. Alguns chegam a gritar pelo artigo 142 da Constituição Federal, como pretexto para a “intervenção militar”. O artigo citado, entretanto, estabelece que: “As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.”

Ou seja, trata-se de “fraude ao texto constitucional” a interpretação de que as Forças Armadas teriam o poder de se sobrepor a “decisões de representantes eleitos pelo povo ou de quaisquer autoridades constitucionais a pretexto de ‘restaurar a ordem’”.

A paralisação já acontece em mais de 10 estados: Santa Catarina (BR-101), Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás (BR-060 e BR-153), Rondônia, Pará, Distrito Federal (BR-040), Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Até o momento, a PRF não relatou quantas ocorrências existem em cada um dos estados e não acabou com as manifestações. 

A rodovia que conta com o maior número de pontos interditados é a BR-163 no Mato Grosso (6 pontos), a estrada é importante para o transporte de produtos do agronegócio em direção aos portos do Arco Norte, como o de Miritituba, em Itaituba, no Pará.

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