Acredite, reitor pediu ajuda à PM para bloquear rodovia em Minas

Janir Alves Soares confessa que integra grupo de golpistas contra a posse de Lula
Janir Soares, golpista e reitor da Universidade dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - Foto de Redes Sociais

Acredite se quiser: desesperado ao vislumbrar a perda do cargo em breve, o reitor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Janir Alves Soares, de 51 anos, protocolou ontem documento encaminhado ao comandante do 3° Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais pedindo apoio para o bloqueio de rodovia no Alto Vale do Jequitinhonha. Teve ainda a cara de pau de afirmar que tratava-se de um movimento “pacífico” contra o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, que criou a universidade em Diamantina, onde, por sinal, Janir recebeu o diploma de dentista.

“Eu sou Janir Alves Soares, membro de um grupo de pessoas diamantinenses e apoiadores do movimento nacional pela INTERVENÇÃO FEDERAL, contra a posse de um LADRÃO, DESCONDENADO e CORRUPTO que pretende assumir a presidência do nosso país”, escreveu o reitor. E continuou: “Nosso grupo está representado por trabalhadores, cidadãos ordeiros e patriotas, razão pela qual manifestamos nossa reprovação ao resultado desta eleição presidencial ocorrida neste mês de outubro de 2022. Além disso, estamos bastante temerosos à pauta econômica, da educação, da liberdade de imprensa (censura), da liberdade de expressão, da agenda de costumes, da intolerância religiosa, enfim, do regime de governo comunista defendido pelo ex-presidente Lula”, acrescentou o cidadão “ordeiro” ao pretender bloquear o direito de ir e vir.

O reitor informou ainda que o bloqueio seria feito na BR-367, em Diamantina. “Com antecipadas escusas pela demora desta comunicação, esclareço a Vossa Senhoria que nesta data, como já frisei, estamos realizando uma movimentação pacífica, com bloqueio na BR-367, nas mediações do Restaurante Pau de Fruta. O movimento iniciou-se hoje, às 12 horas e deve estender-se por 48 horas”, disse.

Janir detalhou ainda que “a pista está sendo sinalizada por cones e pneus; as pessoas da nossa equipe estarão bloqueando apenas uma pista e impedindo a passagem apenas de caminhões, desde que estes não estejam transportando alimentos e outros itens considerados de uso essencial, a exemplo de carga de remédios, veículos da Cemig, Copasa, carga viva e similares. Os demais veículos seguirão seu curso normal. Aos caminhoneiros serão providos apoio como água, alimentos, café.” 

E, pra terminar, o reitor pediu o apoio da PM: “Nesta oportunidade, se ainda possível, solicito o apoio da polícia militar, no sentido da manutenção da normalidade perante possíveis atos de provocação por parte de pessoas contrárias à esta manifestação pacífica”, concluiu, sem deixar dúvida de que não é bom de português.

Janir Alves Soares foi conduzido ao cargo de reitor em agosto de 2019, sendo o menos votado de uma lista tríplice resultante da consulta à comunidade acadêmica. Não recebeu nem 6% dos votos. Ele tem como assessor especial da reitoria Bruno Gomides, de 25 anos, seguidor do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos. Gomides aparece nas redes sociais exercendo um forte ativismo em grupos de extrema direita e seria estudante de Economia na Universidade de Brasília (UnB).

Janir ao lado do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, que hoje odeia o Bozo

Hoje a UFVJM conta com mais de 80 cursos e mais de 10 mil estudantes dos cursos de graduação presenciais e a distância, mais de 1.500 matriculados nos cursos de pós-graduação. São 617 técnicos administrativos e 778 professores distribuídos e atuando em cinco campi.

A gestão de Janir é caracterizada por grande parte do corpo de docentes e discentes como autoritária e chegou a ser denunciada em nota pelo Diretório Central dos Estudantes, pelo Sindicato dos Docentes e pela Associação de Pós-Graduandos da instituição. Para Bruno Araújo, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e pesquisador de mídia e política do grupo internacional de pesquisa Observatório do Populismo do Século 21, trata-se de um posicionamento lamentável e intolerável.

“O dirigente de uma instituição pública de ensino federal como uma universidade estaria impedido por princípio de apoiar atos de natureza antidemocrática porque a universidade é o espaço da democracia, do diálogo. É uma das instituições republicanas mais importantes de qualquer Estado. Elas só existem no contexto de uma sociedade livre e democrática”, afirmou o pesquisador ao site PNB On Line. 

Na avaliação de Araújo, a atitude de Janir é incompatível com a liturgia do cargo e com os princípios que devem reger uma instituição de Estado como é a Universidade. “Na medida em que o dirigente sente-se autorizado a apoiar direta ou indiretamente de atos que afrontam a vontade soberana da população manifestada nas urnas o que ele faz é tomar uma atitude que fere de morte os princípios mais básicos do regime republicano, que é o único no qual as universidades podem funcionar de forma livre”. 

O FORIPES-MG, forum que congrega universidades federais, institutos federais, o CEFET-MG e as universidades estaduais divulgaram ontem um documento em defesa do resultado eleitoral e da normalidade democrática. Dezessete reitores assinaram o documento, apenas Janir Alves Soares recusou a deixar sua assinatura.

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