Viva a organização dos Sem-Terra LGBTs!

Por Leo Moreira Sá, especial para os Jornalistas Livres

Acontece hoje (11), durante o 28º Encontro Estadual do MST na Bahia , a 1º Roda de Conversa com os LGBTs Sem Terra com a participação de cerca de 50 gays, lésbicas, bissexuais, travestis, mulheres transexuais e homens trans militantes de todo o país. O tema do encontro é “Reforma agrária e relações de gênero: desafios para a construção de um projeto popular” que tem como objetivo levantar questões relacionadas a identidade de gênero, lutar contra a homotransfobia e promover o uso do nome social .  A travesti Scarlet de Rui Barbosa (BA), declarou que existe muita homotransfobia em seu estado onde a cada 36 horas uma pessoas lgbt é morta: “As travestis são as que mais morrem, porque ficam mais expostas.”

De acordo com a página do MST, há 10 anos está sendo construído dentro do movimento um setorial de luta contra a homotransfobia e em defesa dos direitos das pessoas LGBTs, com seminários, grupos de estudos, encontros e manifestações. Entre os dias 7 e 9 de agosto, aconteceu, na Escola Nacional Florestan Fernandes em Guararema, São Paulo, o primeiro encontro LGBT do MST a nível nacional, dentro do seminário “MST e a Diversidade Sexual” com a participação de 40 pessoas de vários estados do país. Na Bahia foram realizados durante dois anos consecutivos várias manifestações e panfletagens contra a LGBTfobia nas marchas estaduais do MST.

Tiago Hungria, do coletivo de gênero do MST, disse que é preciso agregar [email protected] @s [email protected] sem terra, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero, e que a inserção e o protagonismo de pessoas LGBTs só fortalece o movimento que luta por uma sociedade mais justa.

“Para isso é necessário pautar a participação, o protagonismo e construir de maneira auto-organizada espaços em que as opressões possam ser colocadas em xeque, para serem superadas”, destaca Hungria.

Dessa forma, o MST inaugura um momento histórico em sua trajetória, mostrando que a esquerda vai aos poucos se libertando da antiga postura ortodoxa que até meados dos anos 80 defendia a idéia de que pessoas LGBTs eram portadoras de “desvios burgueses”, além de quererem minar –com a sua militância– a luta maior, que é a luta de classes. Esse foi um grande equívoco que finalmente está sendo esclarecido. Se o MST luta contra a opressão e exploração do Estado capitalista moderno, deve incluir em sua bandeira a causa LGBT, na defesa de pessoas que não só são discriminadas, mas assassinadas cotidianamente pelo simples fato de não comungar com os modelos propostos pela cultura cisheteronormativa burguesa.

Com informações da página do MST.     

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